Sunday, March 21, 2010

 

 
                                                  A página da AFE na Europa
                                                   (poemafeano.blog.com)

                             Balaiada em Birigui

                              Jogando com determinação e objetividade, e com Júlio Cesar a mostrar as suas qualidades de ponta de lança, rápido e incisivo, melhor municiado pelo novo reforço, a mostrar excelente serviço, o jogador Tobias, eis que a Ferroviária exibe o seu poderio e aplica em pagos do adversário uma autêntica “balaiada”, como já faz muito tempo não víamos. Chapa cinco ao Bandeirante! Se bem me lembro, a última vez que o logramos foi diante do Botafogo, tradicional rival de Ribeirão Preto, hoje na primeira divisão (como também nós poderíamos e deveríamos estar). Noite de sono tranquila, pois, para os sofredores adeptos afeanos, já a pensar em novo tormento agora para terça feira, quando recebemos a visita do nosso tão conhecido Quinze de Piracicaba, embalado ao depois de um começo de torneio algo claudicante. Como diria um “flamengueiro” cronista esportivo: “briga de cachorro grande” em plena Arena da Fonte.
                             Havemos, todavia, de tirar do jogo de ontem algumas ilações: Primeiro, não se perdem tantos gols, eis que continuam perdulários ao extremo os nossos avançados; segundo, em qualquer altura, o jogo tem de ser disputado com seriedade, mesmo que estejamos a enfrentar o lanterna da competição e o placar já nos marque diferença de três ou quatro ou mesmo cinco e seis gols, afinal o saldo deles também decide em caso de igualdade pontual uma hipotética classificação às finais; terceiro, o entrosamento é fundamental para uma equipe: como vemos, é virtude deste novo técnico manter sempre a base do time, bem ao contrário do que fazia o anterior. Não temos dúvida de que, bem orientado e com apoio dos adeptos, este grupo está entre os melhores da competição e apresenta plenas condições de ascender à A2. Salvo melhor juízo,  julgamos que é também crucial que a nossa exigente torcida tenha mais paciência e apoie o time, com grande entusiasmo, mesmo que as coisas não corram bem durante os jogos em casa. Vaiar, protestar, contestar não adianta nada, só desestabiliza animicamente os atletas que, como já se pode ver, acabam por render mais em pagos alheios. É evidente que entendemos muito bem as razões de nossa gente, tão escarmentada pelas recentes desilusões sofridas; todavia, é mesmo preciso mudar, já a partir da próxima terça feira, um jogo, como se diz, de seis pontos!


                                                         5X1 ao Bandeirante (Birigui)
                                                            (Balaiada em Birigui)

                                                   Com grande exibição, estilo ousado,
                                                   A relembrar bons tempos de permeio,
                                                   Eis que se impõe, soberba, em sítio alheio
                                                   A nossa equipe, em jeito sublimado;

                                                   Destarte, o grupo, assaz mais entrosado,
                                                   Apanha o seu rival incauto em cheio
                                                   Para implodi-lo em colossal vareio
                                                   Como há muito não vimos consumado:

                                                   De gols, meia dezena é conseguida
                                                   E mais seriam, se tão não se acaba
                                                   Cedo o sério interesse na partida.

                                                   Que venha agora de Piracicaba,
                                                   Por tradição para empolgante lida
                                                   O “Nhô-Quin”, que já tanto se sorraba.

                          Antonio Carneiro (Bélier)
                          V.N.Gaia - Portugal
                          21/03/2010

 

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Thursday, March 18, 2010

 

 

                                       A página da AFE na Europa
                                       (poemafeano.blog.com)

                   O inseparável sofrimento

                    Mais uma vez, atuando em seus pagos, a Ferroviária quase leva os seus aficcionados a um colapso cardíaco, desta feita ao enfrentar o limitadíssimo time da Itapirense, que aferrolhou-se diante da própria baliza todo o tempo, até porque não possui qualquer força ofensiva capaz de espantar uma mosca de uma careca desguarnecida.
                    Foram oitenta e seis minutos de atroz sofrimento, até que este novo atleta, que nos parece um bom reforço, o Rodrigo Cesar, que é volante como aí se diz , ou trinco, como cá se entitula, infiltrou-se com coragem pelo meio das trincheiras adversárias, e teve até de esmurrar o próprio companheiro, o Danilo Martins, para afastar-se e deixá-lo desfeitear o goleiro adversário, fazendo explodir os corações grenás na Arena, no Brasil e no mundo inteiro, por cibernético jaez. Três pontos que não podíamos desperdiçar, estes, e mesmo assim não entramos no lote dos oito primeiros, eis que o torneio é muito equilibrado, o XV de Piracicaba ganhou no final, outros também se mantiveram e será renhidíssima a luta por uma classificação à fase final. Decerto muito mais intenso sofrimento nos espera, como sói ocorrer: Que o bíblico Jó nos inspire e fortaleça as coronárias…

                                                  1X0 à Itapirense
                                         (O inseparável sofrimento)

                                    Inpreterivelmente, o sofrimento
                                    É nosso companheiro inseparável,
                                    À prova expondo o gênio inquebrantável
                                    Da gente afeana, em seu pálio cinzento;

                                    Mais uma vez até final momento
                                    Susteve o torcedor inextricável
                                    O respirar, suplício interminável,
                                    Inda que de minutos fosse evento:

                                    Paciência inconcebível nos alente,
                                    De Jó só vista em bíblico relato
                                    Ao final desta fase até, em frente,

                                    Para depois, no vero campeonato
                                    Renovar-se o feroz padecimento,
                                    Que é de sofrer nosso desiderato.

               Antonio Carneiro (Bélier)
               V.N.Gaia - Portugal
               18/03/2010
                                          

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Sunday, March 14, 2010

 

 

                                          A página da AFE na Europa
                                          (poemafeano.blog.com)

                   Desfecho amargo

                   Jogando contra um time que “apareceu”  de repente no torneio, como corolário de um imbróglio complicado decorrente das injunções políticas de costumaz padrão no Brasil, mais uma vez a Ferroviária pagou caro pelos seus erros, deitando fora mais dois valiosíssimos pontos, numa partida que já estava ganha, no último ou penúltimo minuto do prolongamento. É sempre a mesma história: joga melhor, cria muitas oportunidades claras de gol e as desperdiça todas, não tem sorte, pois alguns remates vão às traves do adversário, tem sempre a arbitragem contra os seus interesses e por último a defesa distrai-se e o “guarda-redes” aceita “numa boa”  levar com o presente de grego em sua baliza.
                  O exemplo de ontem configurou muito bem o que tem sido esta caminhada que, infelizmente, já se nos configura como ingrata: Atuando melhor, porque é tecnicamente muito melhor, o time ditou sempre o ritmo de jogo, perdeu várias oportunidades, inclusive uma em que o Danilo Martins carimbou o travessão contrário e outra, quase ao final, na qual o Gui Alves perdeu o gol com a baliza aberta, o árbitro fez sempre as “honras da casa” ao rival e no final, o que sempre se espera: a defesa dorme e esse pífio goleiro, inexperiente e sem categoria, planta-se e deixa entrar a bola. E pronto, lá se foi a vaca para o brejo de novo, ou seja, estamos alijados novamente do grupo dos oito primeiros que vão às finais.
                 Não é preciso ser profeta para adivinhar o que vem por aí: Sofrimento atroz até o fim. Sofrimento espontâneo, pois algumas coisas são tão evidentes que custa entender porque acontecem. Tal o caso desse guardião (?) que entrou em lugar do Marcão, titular durante a copa paulista, não se sabe (eu pelo menos não sei) porque. O Marcão não é decerto nenhum “aranha negra”, mas não será também uma “preguiça do campo de Santana”, pitoresco recanto do meu Rio de Janeiro, a levar uma eternidade para se fazer a um lance. Que ponham logo em forma o recém contratado Bruno Prandi, ou que o ponham logo mesmo fora de forma, antes que seja tarde! Afinal, não se pode dar tanta “sopa para o azar”.
                  Chega!

                                                1X1 ao Sport Clube Barueri
                                                     (Desfecho amargo)

                                  Da pouca sorte, a incompetência ao lado,
                                  Foram de triste alvitre e ingrato, aquela
                                  A nos roubar dois pontos na tabela,
                                  Quando o tempo já havia se acabado;

                                  Esta, evidente em lances de mau grado,
                                  Quer das pífias do ataque na parcela,
                                  Quer na defesa em águas de barrela
                                  A deitar um triunfo consumado.

                                  Por culminar do quadro tal roteiro,
                                  No último reduto a garantia
                                  Menor nos dá um trôpego goleiro:

                                  Destarte, a conclusão já se anuncia
                                  Deste torneio, e como é rotineiro:
                                  Mor sofrimento até último dia.

                  Antonio Carneiro (Bélier)
                  V.N.Gaia - Portugal
                  14/03/2010
  

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                                         Bocage e a espiritualidade (44)

                       Bocage escreveu:
                       (Imploração a Deus)

                       Ó tu, que tens no seio a esternidade,
                       E em cujo resplendor o Sol se acende,
                       Grande, imutável ser, de quem depende
                       A harmonia da etérea imensidade!

                       Amigo e benfeitor da humanidade,
                       Da mesma que te nega, e que te ofende,
                       Manda ao meu coração, que à dor se rende,
                       Manda o reforço d`eficaz piedade.

                       Opressa, consternada a natureza
                       Em mim com vozes lânguidas te implora,
                       Órgãos do sentimento e da tristeza:

                       A tua inteligência nada ignora;
                       Sabes que, de alta fé minha alma acesa
                      `té nas angústias o teu braço adora.

                       Réplica:

                               Exaltação e preito ao Criador

                        Exaltação maior da divindade
                        Difícil é de ver-se em verso escrita
                        E mesmo em prosa, de alma tão contrita,
                        Como esta do poeta, em realidade:

                        Mor expressão de mor fidelidade
                        Ao ser onipotente que suscita
                        À humanidade cuja ação não dita
                        Sequer a gratidão que dar-Lhe há de;

                        Embalde nas angústias mergulhada
                        Da própria natureza consequentes,
                        Quando, do orbe, em lágrimas banhada,

                        Da onisciência apondo, contingentes,
                        Para valer-lhe em fé inabalada
                        A humildade e o preito, reverentes.

              Antonio Carneiro (Bélier)
              V.N.Gaia - Portugal
              13/03/2010

                  

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Thursday, March 11, 2010

 

 

                                              A página da AFE na Europa
                                              (poemafeano.blog.com)

                                                      Arrasador

                Na estréia de novo técnico, os jogadores da Ferroviária, mostrando uma atitude e um brio que jamais antes mostraram neste presente torneio, cumpriram a sua melhor exibição da época, enfiando quatro a zero (quatro secos, como aqui se diz) no Penapolense, tal como o seu adversário já havia enfiado em outros opositores, inclusive no XV de Jaú, anterior clube deste aludido técnico. Uma noite de regalo, destarte, para os sofridos aficcionados grenás, que saíram do estádio em estado de graça. E assinale-se que ainda foi desperdiçado (outro) penalty, desta vez pelo Júlio Cesar, que o houvera sofrido, e mais outro “camião” de gols foram perdidos, para além de duas bolas às traves do rival. Não obstante, é de dizer-se que os atletas fizeram um jogo exemplar, sem paralelo com os anteriores.
               Ora, como o homem, sr. Felício Cunha, um ilustre desconhecido, que fora em passado recente auxiliar do nosso “ex” Edison Só, não possui uma “varinha de condão” para, de uma hora para outra afastar os males e corrigir os defeitos todos, mais nos parece que a explicação deve ser outra. Não queremos com isso subtrair algum mérito do novo “coach”, até como adepto torcemos muito pelo seu sucesso pleno e total. Ademais, como o futebol não é uma ciência exata, o seu aprendizado com o pífio Só sequer o desmerece, eis quantos alunos superaram os seus professores ao longo da história, ainda que também a sua recente passagem pelo XV de Jaú não fosse famosa.
                Sem a pretensão de especular, muito menos a esta enorme distância, alguns  fatos que nos chamaram a atenção devemos assinalar: O sr. João Martins pareceu-nos um profissional permeável às ingerências em seu trabalho, como ficou logo evidente no primeiro jogo em Taubaté, quando permitiu que a imprensa metesse o “bedelho” no balneário, antes do compromisso. Eu nunca vi isso. Por outro lado, sempre se expôs muito, suscitando comentários a alguns de seus pareceres, muitas vezes desairosos em relação a alguns atletas, para além de contradizer-se ao longo dos jogos, alterando sucessivamente o time, que ele próprio montara, do que sempre advém um clima de descontentamento entre os comandados. Descontentamento que ficou evidenciado em vários jogos passados e que ontem pode evidenciar-se ainda mais. Em atividades de público jaez, tal como esta de treinador de futebol, muitas vezes a reserva e a prudência são virtudes mais aplicáveis do que a humildade. E vale aqui o dito popular: “De quem muito se abaixa…”.
               Importante porém é que ganhamos de quatro a zero, como há muito não sucedia, revigorando o entusiasmo para a classificação à fase final, eis que a esdrúxula fórmula da competição, só vista no Brasil, estipula que, nesta etapa tanto vale ser o primeiro como o oitavo. Aliás, frize-se, que se houvesse em São Paulo um verdadeiro campeonato, nós já estaríamos na A1 (basta ver o exemplo do Botafogo R.P.). Destarte, nesta outra fase, então sim, é que se vai decidir alguma coisa. Até lá porém é preciso amealhar pontos que nos mantenham entre os oito primeiros. E isto está bem ao alcance: só de pende de nós. E boa sorte ao senhor Felício!

                                              4X 0 ao Penapolense
                                                   (Arrasador)

                               De escassa fama, o novo treinador,
                               Do Édison Só discípulo confesso,
                               Mas que decerto para ter sucesso
                               Há de ser bem melhor que o professor,

                               Saiu-se muito bem, foi vencedor
                               Em jogo que marcou-lhe ótimo ingresso,
                               Ante o Penapolense, time egresso
                               De excelente campanha a seu favor:

                               Por quatro a zero, eis uma raridade,
                               Vergou este adversário tão temido
                               E agora não sabemos na verdade

                               O que antes nos houvera acontecido
                               Por não mostrarmos tanta habilidade
                               Com este empenho há tanto adormecido.

                  Antonio Carneiro (Bélier)
                  V.N.Gaia - Portugal
                  11/03/2010

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Tuesday, March 9, 2010

 

 

                                                Bocage e a espiritualidade (43)

                                 Bocage escreveu:
                                 (Ao sr. Francisco José da Paz, pela morte de sua esposa)

                  Deploro, caro amigo, o que deploras
                  Com porfiosa dor, com dor interna;
                  Perdeste a doce espoosa, a sócia terna,
                  Que presente adoraste e longe adoras:

                  Mas pensa, quando gemes, quando choras,
                  Que por alto poder, que nos governa,
                  Ela habita do bem na estância eterna,
                  E na estância do mal tu inda moras:

                  Revê no coração, na fantasia,
                  A índole gentil, suave e pura,
                  Com que menos que o Céu não merecia:

                  Olha cultos gozando a cinza escura:
                  Do corpo, em que brilhava uma alma pia,
                  É quase, é quase altar a sepultura!

                   Réplica:

                                Consolo dos males

                   Para um justo, a suprema glória e pura,
                   Que é da essência o sentir na plenitude,
                   Advinda do seguir com sã virtude
                   As trilhas desta estância ingrata e dura

                   Encontra-se na paz da sepultura
                   Inda que ali não se detenha amiúde,
                   Pois já possui visão de magnitude
                   Bem ampla mais do que a do mundo apura;

                   Dos seus a mágoa em dor cruel, supina,
                   Que choram pela infausta despedida
                   Sente a angústia atroz que os amofina:

                   Tenta fazer-se ouvir, mas, não ouvida,
                   A voz dirige ao Pai, que a já destina
                   Ao consolo dos males desta vida.

          Antonio Carneiro (Bélier)
          V.N.Gaia - Portugal
          09/03/2010

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Sunday, March 7, 2010

 

 

                                           A página da AFE na Europa
                                           (poemafeano.blog.ccom)

                              Consolo dos aflitos

                              Perpetrou-se infelizmente outro vexame da Ferroviária, desta vez no Lancha Filho, em estival manhã de Franca, a terra dos sapatos que, calçados nos inábeis pés dos atletas da Francana pela primeira vez chutaram com eficácia e logo nos nossos pesados traseiros. Isto porque o time local perdeu todos, sim todos os seus jogos disputados intra-muros, apanhando-nos de incautos para consolar-se, a exemplo do que já sucedera com o Comercial, o XV de Jaú e o São Carlos.
                              Transformamo-nos, destarte, no consolo dos aflitos, a ressuscitar os moribundos e talvez os próprios mortos pelo caminho, em missão de fraternidade incompatível com uma disputa egoista tal como a deste embrutecido torneio, posto que, ao levar a paz aos lares alheios impomos o pandemônio em nossa casa.
                              Do jogo, mais do mesmo: não temos “guarda-redes”; este Roberto é uma piada (de mau gosto), vai sempre atrasado nas bolas e, mais uma vez, levou com um frango que abriu o caminho da vitória adversária; a defesa vale menos que a do advogado de porta do xadrez, muito mal amparada pelo confuso meio de campo e o ataque é cardíaco para os torcedores, desperdiçando as oportunidades todas que aparecem. Não temos um “camisa dez” para cadenciar e organizar o jogo, o goleador ficou no banco por “estratégia” do técnico até aos trinta e três minutos do segundo tempo e por aí afora.
                             Como sói ocorrer nestes casos, sobrou para o treinador. Mais um que se vai, que pode ter cometido muitos erros e de fato os cometeu, mas atenção: é um adepto do clube e noutros tempos mostrou bons serviços; até começou bem, montando um  time como é seu costume para a copa paulista. Desnorteou-se talvez ao depois da derrota ante o Red Bull das latinhas porque lhe caíram em cima do pelo, em jogo que, não fora a Fortuna ingrata que o abandonou, poderia marcar a sua redenção, eis que arriscou e perdeu, como poderia ter ganho.
                            Quem virá agora?  Para ficar ou para ganhar umas coroas e sair de fino como os outros? E o projeto a médio-longo prazo?
                            Particularmente, eu sempre quis ver um treinador na Ferroviária: Trata-se de Vilson Tadei, não para tapar o buraco quando o barco começa a afundar como agora, mas para um trabalho sério, com apoio a longo prazo. Se este piloto é caro - não sei se é - talvez não fique o seu preço muito acima do que se tem gasto com essas constantes trocas de timoneiro e remendos na embarcação. E é também fundamental, a meu ver, fornir as devidas condições infra-estruturais sem o que nenhum clube de futebol pode evoluir. Afinal, pelo que se sabe, o majestoso campo nem pode ser usado para treinos, que a administração do estádio não deixa.
                             Ou será que querem que a famosa Arena da Fonte sirva aos Oestes de Itápolis e de outros pontos cardeais da vida em detrimento do nosso tradicional e glorioso clube? Será mesmo este o objetivo: acabar com a Ferroviária? Todos a postos, se assim for, para defender a AFE contra os fariseus de serviço!

                                                     0X2 À Francana
                                                 (Consolo dos aflitos)

                                 Eis que nos transformamos novamente
                                 No consolo efetivo dos aflitos,
                                 Desanuviando os seus amplos conflitos
                                 Ante uma passividade assaz ingente:

                                 Parece que um desânimo dolente
                                 Impôs seus peremptórios requisitos
                                 Para evidenciar nossos delitos
                                 E apagar os dos outros de repente!

                                 Sobra destarte para o treinador,
                                 Como é costume, a pecha inevitável
                                 De bode expiatório usupador

                                 Das culpas todas, mote invariável
                                 Que há de encobrir sempre ao torcedor
                                 Verdadeira a razão, e inexplicável.

                   Antonio Carneiro (Bélier)
                   V.N.Gaia - Portugal
                   07/03/2010                                   

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Friday, March 5, 2010

 

 

                                   A página da AFE na Europa
                                   (poemafeano.blog.com)

                      Funesto fado

                      Falando francamente: Se a Ferroviária não é capaz de suplantar, em casa, o seu franzino e vizinho rival São Carlos, que nunca se alinhou, e também agora, entre os pretendentes a maiores ambições, então é melhor nem cogitarmos de uma possível reabilitação este ano, que só nos poderia advir com o acesso à A2. O que se viu ontem foi deprimente, sob todos os aspectos, desde a atuação dos jogadores às decisões do treinador, passando pelo esquema tático do time, pelos erros de fundamento, pelas pífias individuais, enfim por todas as vicissitudes imagináveis ou não que um conjunto possa mostrar.
                     Neste passo, já nos será de bom lucro evitar novo e ainda mais humilhante rebaixamento para os mais ínfimos patamares possíveis. Senhores dirigentes, os adeptos desta que já foi temida e gloriosa agremiação sentem-se lesados em seus lídimos sonhos de um futuro mais condizente com as tradições do clube e clamam: Fazei alguma coisa, nem que seja deixar vossos lugares a outros que possam melhor desempenhar as suas funções!

                                            1X1 ao São Carlos
                                             (Funesto fado)

                              Funesta exibição, funesto rumo,
                              Aquela a demonstrar cabais carências,
                              Este a denotar das exigências
                              O aquém para alcançar devido aprumo;

                              Triste acomodação em parco arrumo
                              Onde há anos andamos por ausências
                              De audazes atitudes e gerências
                              Que bem nos orientem, em resumo:

                              O torcedor fiel, humilde e triste,
                              Levanta a voz de há muito emudecida
                              Dos cantos gloriosos do passado

                              Para dizer, se enfim ainda existe
                              Brio algum nesta gente “esclarecida”:
                              Cedei lugar, se o virdes mal guardado!

                   Antonio Carneiro (Bélier)
                   V.N.Gaia - Portugal
                   05/03/2010

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Monday, March 1, 2010

 

 

                                Bocage e a espiritualidade (42)
                                (A D. Fr. José Maria de Araujo)

               Por ocasião de sua eleição para bispo de Pernambuco

                Precisa o globo, exige a natureza,
                Mais heróis da Razão que heróis da Glória,
                Daquela, digo, que em feroz vitória
                Enluta, despovoa a redondeza:

                Precisa da tua alma, absorta, acesa
                Nos dons credores de imortal memória;
                Dons que trocam a vida transitória
                Na que anda à eternidade unida e presa:

                Reflexo da radiosa divindade,
                Com cujo auxílio em estro a mente inundo,
                Da virtude és troféu na férrea idade!

                Grande em carácter, em saber profundo,
                Até que vás luzir na eternidade
                Levarás nova luz ao Novo Mundo.

                               Ao Catequista    

                 Uma alma nobre, ao Cristo dedicada
                 Que aqui palmilha sendas tortuosas
                 Para levar mensagens luminosas  
                 De uma comunidade a ouvinte cada,

                 Por vezes a instar sacrificada
                 A própria vida, a lágrimas saudosas
                 Carpir, no exílio voluntário, airosas,
                 Por lhe banhar a face iluminada

                 É qual reflexo da divina luz
                 Espargida nas sombras do orbe inteiro,
                 Os passos a guiar, de quem conduz

                 Para um mundo mais casto e verdadeiro,
                 Onde a etérea paz seus dons seduz
                 E os converte em brilho alvissareiro.

           Antonio Carneiro (Bélier)
           V.N.Gaia - Portugal
            01/03/2010               

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Sunday, February 28, 2010

 

 

                                  A página da AFE na Europa
                                  (poemafeano.blog.com)

                          No paraíso das multinacionais

            O Brasil continua - e há de ser sempre - o terreno propício à cobiça dos agentes do sionismo internacional, à testa desta praga que são as multinacionais, abutres ávidos pelos despojos alheios, principais responsáveis, juntamente com os políticos vendilhões da pátria, pela cruel divisão das riquezas de um país tão aquinhoado pela Natureza - por isso mesmo tão sujeito à cobiça dos perenes fariseus deste mundo - e de povo tão espoliado e miserável. Na Petrobrás, muito resistimos às investidas destes gringos piratas e ao comodismo de alguns colegas cujas mãos e a consciência por vezes se mancharam com o ouro da corrupção, embalde o que que a empresa pode resistir e hoje seria um sacrilégio cogitar de sua privatização, ao contrário do que acontecia nas épocas dos governos ditos neo-liberais.
            Agora, é no futebol que esses predadores, esses usurpadores dos bens alheios investem com toda a fúria. O Red Bull das latinhas de água com açúcar e alguns corantes é bem exemplo desta incursão. Meteoricamente, este clube (?), recém criado já subiu à A3 e não tenhamos dúvida alguma que em dois anos deverá estar na A1 e talvez no Campeonato Brasileiro. Por trás de seu sucesso, claro, o poder econômico da empresa que o patrocina, a famigerada multinacional com seus potentes tentáculos, agora a envolver as tradições esportivas, patrimônio inalienável de um país que se orgulha de haver sido cinco vezes campeão mundial, três das quais em épocas nas quais podia-se apreciar a poesia do futebol recitada nos relvados a cada bucólico domingo por atletas desses clubes que sustentavam tais tradições. Não nos admiremos que, daqui por pouco tempo não tenhamos que assistir a finais de nossos campeonatos disputados entre a Coca-Cola e o Carrefour, ou entre a Texaco e a Sony.
           Quanto ao jogo em si, já era esperado que o ascendente fosse imposto pelo visitante, que tem melhores jogadores, que tem recursos para os manter, que tem atrás de si uma estrutura empresarial, ou seja, que vive outra realidade. Acusar o treinador, o bode expiatório de sempre, é no mínimo simplista demais. Ele arriscou, sim, mas pergunta-se: se não tivesse arriscado, como seria? Mantida aquela base que jogou em Jaú na quarta-feira, que resultado teríamos? Será ele o culpado pela desatenção, pela falta de concentração dos medíocres jogadores de nossa confusa defensiva, que perdem a bola infantilmente e deixam-se bater em lances banais?
           Não estamos com isso advogando em causa do técnico. Ele, a nosso ver, peca porque não mantém uma equipe-base, a mesma que ele próprio montou na Copa Paulista; errou ao escalar jogadores fora de suas posições, ao iniciar com esse tal de Nha-nhá (?), um bonde similar àqueles do museu da Light, no Rio de Janeiro. Todavia, se formos considerar que: Jogamos contra o lider destacado do campeonato (sete vitórias e um empate), perdemos com um gol no último minuto do jogo, atiramos com três bolas às barras do adversário, em nosso campo é verdade, mas que pelas suas instalações converte-se em campo neutro, havemos de ponderar também, por outro lado: Se vencêssemos, o homem hoje seria epitetado de bestial. Como perdemos, é uma besta.
           Uma derradeira observação: o torneio (isto não é um campeonato, já o dissemos) já vai a meio e os outros estão melhorando (o Penapolense meteu quatro de novo, o XV de Piracicaba ganhou, o de Jaú também, o Comercial empatou fora etc). Nós marcamos passo outra vez; já vamos em sétimo. Como diria o Sued: Cuidado, pois cavalo não desce escada…

                                     1X2 ao Red Bull Brasil
                                (No paraíso das multinacionais)

                                 Das multinacionais no paraíso,
                                 Que é deste mundo marca registrada,
                                 Não fora de Sion a voz clamada
                                 Para impor seu domínio a pleno viso,

                                 Entramos a perder, não é preciso
                                 Muito considerar, consolidada
                                 Outra derrota, que já esperada
                                 Quando em contexto hostil se está inciso

                                 De que a tentar fugir vezes se ajuda
                                 A calhar o fracasso assaz provável,
                                 E então faz-se a missão tão ponteaguda

                                 Que acaba sendo quase inevitável
                                 Sair de uma sorte quão sisuda
                                 Qual uma atroz sentença irrevogável.

              Antonio Carneiro (Bélier)
              V.N.Gaia - Portugal
              28/02/2010

                                

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