A página da AFE na Europa
(poemafeano.blog.com)
O falhanço do costume
(E que venha a vassourada…)
Não foi nada diferente a história, e pronto: “Consumatum est”, a Ferroviária mantém-se na “segundona”, depois de animar os seus escarmentados adeptos, que, tal como os portugueses de outrora, esperam pela “manhã de nevoeiro” que traga de volta o d. Sebastião dos sonhos passados e com ele o tão almejado regresso à elite.
Ontem, numa tarde chuvosa da progressista cidade de Santa Bárbara do Oeste, em outro estádio carente das necessárias condições para jogos de primeira divisão (e onde está a pseuda rigorosa fiscalização da FPF?), mais uma vez ficamos ”a ver navios” em plena interlândia paulista, talvez os navios que navegam nos pesadelos das mentes afeanas, já repletas de decepções sucessivas. Logo de início, uma incongruência, a nosso ver, inadmissível: o hino nacional, cuja execução é de jaez obrigatório em todos os jogos por imposição da Federação vem a áudio por uma cantadeira, como aqui se diz, acompanhada à viola, numa dolente e lúgubre interpretação que mais parecia o carpir convulso ao som de uma nênia à beira de uma tumba, tal como imortalizou o grande Bocage, numa sátira ao dr. Manuel Bernardo de Sousa e Melo, que urdira um epicédio fúnebre num ermo cemitério. O imortal soneto assim termina “Eis a campa arrebenta, e surgem fora/Dois vampiros bailando ao som da nênia”. Melhor imagem não se poderia arranjar. Já não basta que o hino nacionnal brasileiro seja estropiado, tocado de modo incompleto e vilipendiado no estrangeiro, como estamos cansados de ver, sem que nenhum de nossos “patriotas de gravata e broche bandeitinha” diga nada, agora é no próprio país que o apresentam dessa maneira. Lamentável, pois é preciso que os nossos patrícios entendam que o hino é um símbolo da nação, sendo seu dever exigir a sua correta e austera execução em qualquer parte do mundo. Infelizmente, o que se observa é uma bandalheira total nesta matéria, cada vez mais evidente, o que deve entristecer profundamente os brasileiros de brio, sobretudo aqueles que estão fora do país.
Em frente, quanto ao jogo, a AFE entrou com um time bastante modificado, o que bem se entende por razão de seus péssimos resultados recentes e até mostrou melhor atitude, diante do rival que, a nosso ver, entendeu que “eram favas contadas” ganhar quando quizesse. Neste aspecto enganou-se, até porque não é lá essas coisas esta formação barbarense. Ao contrário, foi a Ferrinha que dominou a partida no primeiro tempo, só não convertendo em gols o seu ascendente técnico em razão de sua proverbial e acentuada ineficácia. Acabou por sofrer o primeiro tento da União aos 41 minutos de jogo, contra a sua corrente, em falhanço total do lado direito da defesa, aproveitado pelo atleta Cesinha. Ainda nesta etapa, a assinalar a fraca arbitragem (passe o pleonasmo, basta dizer arbitragem), que mostrou severo rigor aos atletas afeanos, exibindo logo um festival de cartões amarelos e expulsando o seu treinador, que reclamava das cenas tão comuns e deploráveis que esses apitadores quase sempre representam. Claramente, o árbitro quis captar a simpatia dos adeptos locais.
Para o segundo tempo voltou o Jobinho em lugar do Tiago Marques (não entendemos porque) e a toada manteve-se, embora a defesa grená oferecesse prendas como é hábito ao adversário, que chegou a atirar à trave num contra ataque. Entretanto, em lance muito parecido com aquele que deu gol à União, numa pífia do lado destro da defesa unionista, o Wellington Amorim (Aleluia!) empatou o jogo aos 33 minutos, o que ocasionou um desnorte total do time anfitrião, que partiu desordenadamente para o ataque, conseguindo, por infantil concessão da defensiva afeana, um outro remate à trave, em tiro livre cometido desnecessáriamente, todavia desguarnecendo-se inteiramente no setor defensivo. Disto resultou, aos 40 minutos, uma ocasião incrível de gol, que só mesmo os atacantes da Ferroviária são capazes de desperdiçar: Sozinho, dentro da área, o jogador Robson atirou rasteiro ao poste direito do gusrdião completamente batido no lance. Uma coisa inacreditável!
O jogo ficou dramático, sobretudo para a União que, ganhando praticamente garantiria o acesso; os forasteiros entusiasmaram-se ante o evidente nervosismo dos alvi pretos, que aos 44 minutos viram-se reduzidos a dez unidades, pela exclusão do defesa Rafael Silva, mas lá cederam outro presente aos donos da casa, aos 46 minutos. Um passe em profundidade para o recém entrado Caihame apanhou todo o time afeano avançado; mais uma vez o nosso “guarda redes”, tão elogiado por tanta gente, hesitou quando não devia, pois se saísse tinha tempo de afastar a bola e então o tal Caihame teve toda a facilidade do mundo para marcar o gol, que pode dar ainda hoje a promoção deste sofrível time da União Barbarense. Foi tanta a sua euforia que tirou a camisola, do que resultou a correspondente exclusão por acúmulo de “cartolinas”. E mais uma vez saímos derrotados, a quarta em quatro jogos desta fase final. Bingo!
Sobre esta pífia prestação na reta final da competição, muito temos ouvido e lido. Divulga-se que os jogadores terão feito “corpo mole” porque não chegaram a acordo com a direção sobre a premiação em caso de acesso, destarte. Há quem fale em 800 mil, em 500 e até em 400 mil reais, que foram pedidos por eles e não concedidos pelos “cartolas” da AFE. Não podemos compreender tal quadro, todavia, pela brutal queda de rendimento da equipe nesses últimos jogos, até nos é possível admitir esta deplorável situação. Ela até nos faz lembrar a irresponsável posição mercenária dos atletas da seleção de Portugal na copa do mundo do México, em 1986, o tristemente famoso caso “Saltillo”, quando mandaram às favas o sentimento patriótico, mais preocupados com o chamado “vil metal”. Não compreendemos porque, a nosso ver, para qualquer atleta é importante a participação numa campanha vitoriosa de um clube a que serve. Mais ainda quando está a defender o seu país. A atitude de alguns apenas os desvaloriza no mercado. Quanto à direção, entendemos a sua filosofia, embora neste inferno de interesses escusos onde está mergulhado o futebol profissional no Brasil, e também em outros tantos países, por que não dizer, às vezes certas posições mais honestas acabem por caracterizar uma certa ingenuidade. A Ferroviária, ao que sabemos, paga os seus colaboradores em dia, não passa o dito “ronco” como outros muitos e até mais famosos fazem, não faz promessas para depois não cumprir e isso deveria ser tido em conta pela cabeça dos jogadores, muitas vezes feita por empresários desonestos. É por causa de tais irrefletidas reações que vemos tantos por aí caídos nas sarjetas da vida, muitos dos quais ao depois de projetados a píncaros gloriosos em suas carreiras. Um clube menos responsável poderia agir assim: Ora, querem 500 mil, ótimo, se apurarmos nós pagamos não 500 mas mil. Que comam a relva, o resto nós garantimos! Olé. olé e vamos botar para f… E depois, feita a conquista, pagam zero. E todos vão mesmo se f…
Não sabemos de fato o que ocorreu, os tais “acordos tácitos” não se identificam por inteiro: de qualquer das maneiras, mais uma vez referimos a nossa idéia a respeito. O clube deve (e já o está a fazer) investir nas categorias de base, supervisionadas todas pelo treinador principal (que pode ser este atual), visando a identificar um único padrão de jogo, desde o sub 15 por exemplo. Em alguns anos, salvo melhor juízo, terá posto em prática um sólido projeto de formação capaz de produzir resultados com fulcro independente destas imposições do mercado, ao sabor dos interesses sionistas da vez.
E para já, que venha a profilática vassourada final, capaz de livrar a próxima eventual colheita do joio indesejável destes acéfalos rufiões. A Ferroviária há de seguir o seu caminho, em carris seguros algum dia, tal como seguia no seu glorioso passado. E quando subir, não há de ser para cair em seguida, como tem acontecido a tantos outros.
1X2 à União Agrícola Barbarense
(O falhanço do costume: E que venha a vassourada)
Conquanto houvesse empenho assinalado
Que não se vira em lides mais recentes,
A ineficácia e os cuidos não presentes
Da equipe, lhe impuseram resultado
Negativo, outra vez, que põe de lado
Quaisquer aspirações inda pendentes
Das lúgubres instâncias precedentes
De mau jaez assaz acumulado:
E assim despede nova expectativa
De à divisão subir especial
Depois de nova ter alternativa
Este time de haver tradicional,
Mas que na hora falha, decisiva,
Frustrando o torcedor sempre, ao final.
Antonio Carneiro (Bélier)
V.N.Gaia – Portugal
22/04/2012