A página da AFE na Europa
           (poemafeano.blog.com)

                Atroz realidade

         Tudo (ou quase tudo) indicava que o destino nos reservaria melhores proventos neste domingo de manhã em Sorocaba, ante um rival que atuava sem o apoio de sua torcida, eis que, estádio interditado, os portões não se abriram para os aficcionados, que se postaram de fora, com os seus tamborins a indicar o apoio inviabilizado no innterior do recinto; uma razoavelmente positiva indicação no jogo de estréia, conquanto a falta de objetividade óbvia, notória, evidente; o apoio total e costumaz da diretoria, a conceder as mordomias de sempre (e será que não é por causa disso?), alojando os atletas no dia anterior em bom hotel, para além do notado otimismo que se sentia de um modo geral.
         Bastaram poucos instantes de partida para se desfazerem todas essas premissas, eis que com um único minuto já levamos o primeiro gol, com a defesa completamente envolvida pelos avançados do Atlético, que “deitaram e rolaram”, como diz a “vil gentalha” (para prafasear o velho Bocage), aos vinte já estabeleciam o dois a zero, com chute à trave pelo meio e muitas oportunidades só não concretizadas numa histórica goleada devido ao excesso de preciosismo que caracteriza o jogador brasileiro de um modo geral. Frize-se, a bem da verdade, o entrosamento desse time do Atlético, onde se pode observar o “dedo” do treinador, óbvio na organização de seu jogo, na concatenação de jogadas, principalmente no ataque, em que se viam proliferar as rápidas triangulações sobre o lado direito de nossa defesa, coberto (ou descoberto?) pelo proverbial Felipe Blau, que não é lateral direito (“catanócica” invenção?) e pela ausência de uma cobertura eficiente por aquele setor. Trabalho evidente de treinador…  Por outro lado, os nossos atletas pareciam dormir em campo, talvez acalentados pelos confortáveis leitos de suas alcovas concedidas pela generosa direção do clube, inteiramente perdidos em campo, a mais parecer um bando de afoitos fugitivos de uma refrega mal envidada. Foi preciso que entrasse o Rodrigo Cesar, conquanto ainda visivelmente fora de forma, para que ao menos se fizesse ouvir uma voz de comando dentro do gramado, que não vinha também de fora, como por mínimo se exigiria.
           O jogo seguiu monotonamente até ao final, alguns até a dizer que a equipe melhorou de rendimento, porém em nosso entender o que se viu  foi um visivel “acomodamento” do time atleticano, confortado pela total inépcia afeana. Nada ocorreu em realidade que justificasse qualquer melhoria no rendimento grená. O “guarda redes” adversário foi um mero espectador da partida, com um privilégio que os outros adeptos sorocabanos não tiveram… Podemos dizer, inclusive e sem nenhuma dúvida, que os atleticanos estiveram muito mais perto de assinalar outros gols, sobejamente perdulários em diversas oportunidades.
            E pronto… Mais uma vez ficamos tristes no fim de semana, mesmo quando as expectativas indicavam o contrário. E  uma coisa é certa: ou as coisas mudam radicalmente, ou mais uma vez vamos ficar com a máquina de calcular na mão olhando para os pontos dos concorrentes do fundo da tabela. Como tem soído ocorrer…

                   0X2 ao Atlético (Sorocaba)
                        (Atroz realidade)

            Em verso torneado ao som da lira
            Pensei hoje cantar de alegre intento,
            Que tudo assim previa deste evento
            O culminar como antes se previra:

            Conquanto em sítio alheio, consistira
            Em nulo avantajar esse elemento,
            Rival que vinha de desaire atento
            A novo tropeção que o afligira.

            Gorada expectativa, infausto achado
            Eis nos devolve ao realismo atroz
            Que ano após ano nos é imputado:

            Pareça-nos conquanto a todos nós
            Melhor e certo haver dimensionado
            Vinca-se outro mais destino algoz.

      Antonio Carneiro (Bélier)
      V.N.Gaia – Portugal
      29/01/2012

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             A página da AFE na Europa
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                          A estréia
                   (soube a pouco…)

          Faltou apenas um melhor resultado, ou ainda, um mísero gol para que a estréia da Ferroviária neste campeonato fosse do inteiro agrado de seus sofridos aficcionados, os quais compareceram em número bastante razoável num dealbar de competição. 
         Sempre mais consistente do que seu adversário, que apenas procurou defender o empate, o domínio afeano afetou-se por todo o decurso da partida e, a nosso ver, não se consubstanciou em mais proveitoso concluir pela falta de objetividade, de acutilância no ataque grená, que, a nosso parecer de tele espectador da TV Circulando (a quem damos os parabéns pela transmissão que já tem bem melhor qualidade), carece de um “matador”, um executante que não tenha receio de concluir as jogadas que os seus companheiros criam. Não sabemos se o Fabrício Carvalho virá colmatar essa carência, quando estiver pronto a competir, assim o esperamos. Por outro lado, a não inclusão do “criativo” Juninho, cujo certificado internacional não chegou a tempo, parece que modificou à última hora os planos do treinador, que teve de recorrer ao talentoso Daniel, cujas características menos aplicadas à estrutura tática da equipe ditaram uma inesperada modificação da filosofia de jogo, obrigando ao recuo do meia Chimba, a deixar em assim o Clênio um pouco isolado à frente. Todavia, pode-se observar que alguns jogadores têm muita cerimônia para o remate final, talvez com receio de errar diante de sua platéia. Disto é prova que, já nos descontos finais, o Tatá arriscou pela primeira vez um pontapé de fora da área, que foi aos ferros do eficiente “guarda-redes” Carlão, para nós o melhor jogador do São José, muito tranquilo e seguro. Se houvesse mais remates como aquele, decerto mais chances teríamos de marcar.
            Boas surpresas houve, do ponto de vista coletivo, com a equipe a mostrar bom toque de bola, com sucessivas e eficientes inversões de jogo, melhor passe em relação ao tinme da copinha, e também no âmbito individual, onde devemos destacar a atuação do voluntarioso volante (trinco aqui em Portugal) Júlio Cesar, que nos faz lembrar pelo físico e disposição o nosso inesquecível Dirceu dos anos sessenta, bem como as boas indicações deixadas pelo Tatá, a falhar apenas num lance que poderia ter sido fatal, pelo Hebert, experiente defesa e pelo próprio Chimba. Todos entretanto, isto é importante, mostraram empenho no campo. Não nos pareceu muito feliz o nosso técnico nas mudanças que fez, principalmente na substituição do Daniel pelo Jobinho e do Wellington Amorim pelo Flávio Carvalho, este a nosso ver ainda sem ritmo de competição, conquanto entendamos a sua idéia de tornar o time mais ofensivo, pois passou a jogar com um homem a mais em campo desde os 58 minutos de jogo.
           Más surpresas também nos couberam de acudir - embora já não possamos considerar surpresa as más arbitragens - em lances vários nos quais o senhor Alexandre Miranda deixou evidentes as suas carências nos âmbitos técnico e disciplinar, demonstrando de modo inequívoco uma dualidade de critérios que irritou os litigantes de ambos os lados. E para culminar a lambança, deixou de apontar um penalty claro a nosso favor, cometido sobre o avante Chimba, convertendo-o num tiro livre à entrada da área. Como somos vítimas usuais desses sopradores de apito, vamos contabilizar: conquanto o penalty, se assinalado, poderia ser convertido ou não, convenhamos que em 70 por cento dos casos o é. Assim sendo, pode-se dizer que são os primeiros dois pontos que tais juízes iníquos nos subtraem, ou, na melhor das hipóteses, 1,4 pontos, apenas para efeito de contabilidade matemática. Ao fim, veremos como ficam essas contas.
             E para resumir e concluir, podemos dizer que foi boa a impressão deixada pela nossa equipe; apenas o resultado não satisfez e certamente terá de ser remediado com uma vitória em pagos alheios; entretanto, entendemos que houve uma boa planificação, o elenco é robusto, com pelo menos dois jogadores para cada posição, ainda com reconhecidos bons elementos por estrear, como o Bruno Prandi, o Juninho, o Rodrigo Cesar e o Fabrício Carvalho, algo que nos dá uma certa confiança em que não haverá queda de ritmo competitivo ao longo da rigorosa e tão difícil jornada. Tenhamos fé e vamos em frente.

                         A estréia
                 (soube a pouco…)

                  0X0 ao São José

           Ao dealbar de nova temporada
          Faltou o gol: talvez, a nosso ver,
          Um matador capaz de resolver
          Com eficácia tal carência instada;

           Não foi porém tão má esta jornada
          Senão pelo placar, que é de entender:
          Em nossos pagos não convém perder
          Dois pontos, por melhor via mostrada.

           O árbitro, covarde e habilmente
          ”Gamou-nos” um penalty clamoroso,
           Puxando para trás um lance à frente;

            Mas tenhamos discurso esperançoso
           Que há bom plano e plantel suficiente
           De acudir este rumo rigoroso.

      Antonio Carneiro (Bélier)
      V.N.Gaia – Portugal
      27/01/2012

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          EPOPÉIA MAIOR

           Metafísica do Cristianismo XXXIII

            Pai, venha o Teu Reino (Segunda petição mística)

            O poder real

             Real poder detém o Cristianismo
             Não pela pompa externa que o embebe,
             Mas na virtude interna onde concebe
             Algo mui diferente de um modismo

             Com que se vê no mundo do egoismo,
             Que é sua apostasia, e se apercebe
             Ante o prestígio que tanto recebe
             A sua ação por mero pragmatismo,

             Pois dar supõe riqueza, e receber
             A pobreza denota certamente,
             E só pode de si quem conceder

              Possuir sempre do Todo plenamente,
              Enriquecido assim no seu haver
              Porque em dar aos irmãos é diligente.

      Antonio Carneiro (Bélier)
      V.N.Gaia – Portugal
      25/01/2012

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              EPOPÉIA MAIOR

              Metafísica do Cristianismo XXXII

               Pai, venha o Teu Reino (Segunda petição mística)

               Sociedade no Reino

                Porque o Reino denota sociedade
                De seres semelhantes em progresso
                Cujo fado final é esse ingresso
                De cada um em tal propriedade

                Ainda não tomada na verdade,
                Paradoxo invulgar, fácil sucesso
                De difícil conquista, árduo regresso
                À essência de sua própria herdade:

                Quando for, haverá, pois certamente
                A comunhão das almas já daí
                Santificadas individualmente,

                Quais os raios de um círculo que ali
                Do centro mais estão proximamente,
                Mais se aproximem todos entre si.

       Antonio Carneiro (Bélier)
       V.N.Gaia – Portugal
       23/01/2012

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       EPOPÉIA MAIOR

        Metafísica do Cristianismo XXXI

        Pai, venha o Teu Reino (Segunda petição mística)

        Eremitério temporal

         Se é individual a experiência
         De Deus o Reino, tal como se enfoca,
         Cada alma então se deve, que o invoca
         Isolar, por senti-lo em sua essência

         No eremitério vão de sua ausência
         Do mundo onde vive, em que lhe toca
         Certo papel desempenhar na troca
         De alguns ensejos na conveniência?

         Talvez, por algum tempo, para ouvir
         A  voz que no silêncio de seu ser
         Vai falar do real que irá sentir,

         A qual terá depois de engrandecer
         A quem nunca a ouviu para a seguir
         No mais fundo de si que possa haver.

    Antonio Carneiro (Bélier)
    V.N.Gaia – Portugal
    20/01/2012

 

        

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           EPOPÉIA MAIOR

            Metafísica do Cristianismo (XXX)

            Pai, venha o Teu Reino (Segunda petição mística)

            Passaporte para os céus

            É reduzir o espírito de Cristo
            À forma burocrática que o mata
            Da letra morta com que se contrata
            Um fiel para um Reino com o visto

             E o carimbo da igreja já previsto
             Para o jaez, bem como dar-se data
             À entrada nos céus por dogmas grata
             Da teologia, em seu douto registo;

              É engaiolar a luz do firmamento
              Na estreiteza das leis sacramentais
              Que bitolam o vôo ao pensamento,

               Trocando pelos meros rituais
               De Deus a experiência, uno momento
               Que cada uma alma sente em seus anais.

    Antonio Carneiro (Bélier)
    V.N.Gaia – Portugal
    17/01/2012

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           EPOPÉIA MAIOR

           Metafísica do Cristianismo XXIX

           Pai, venha o Teu Reino (Segunda petição mística)

           “Ex opere operandis”

            Aos judeus de seu tempo Ele dizia
            Que muitos hão de vir de toda a parte
            Para o banquete do Senhor, destarte
            Tendo Abraão e Jacó por companhia

            E que os israelitas, todavia
            Cujo egoismo acerbo não se farte
            De excluir os gentios por má arte
            Serão os excluídos nesse dia:

            ”Ex opere operandis”, eis devida
             A espiritualidade do sujeito
             Que incorpora o Cristo em plena vida;

             ”Ex opere operato” apõe conceito
              Da teologia, em dogmas, que valida
              O objeto, assente, a falso e vão direito.

      Antonio Carneiro (Bélier)
      V.N.Gaia – Portugal
      16/01/2012

 

             

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            EPOPÉIA MAIOR

            Metafísica do Cristianismo XXVIII

             Pai, venha o Teu Reino (Segunda petição mística)

              Do sectarismo religioso

               O não sectarismo é evidente
               Nos atos e palavras de Jesus
               E disto facilmente se deduz
               O absurdo que é supô-lo como agente

                Fundador de qualquer que assaz se intente
                Religião que ao sectarismo induz
                Quem a professa e mais, que o conduz
                A ver-se de outros destacadamente:

                 Igrejas que promovam sanguinárias
                 Cruzadas ou inquisições cruéis,
                 Que se suponham como as emissárias

                  De um povo eleito entre os seus fiéis,
                  Ou que envolvam com negociatas várias
                  O nome do Senhor em seus cartéis.

       Antonio Carneiro (Bélier)
       V.N.Gaia – Portugal
       15/01/2012

 

    

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             EPOPÉIA MAIOR

             Metafísica do Cristianismo XXVII

             Pai, venha o Teu Reino (Segunda petição mística)

             Reino onipresente

              No episódio da samaritana,
              Tal como vimos já anteriormente,
              Jesus se mostra assaz indiferente
              Ao onde para orar melhor se afana:

              Jerusalém ou Garizim? Não dana
              Alguém de preferir, ou diferente
              Lugar qualquer, que o Pai é imanente
              Em cada qual, que assim nunca se engana

              Quando dirige a Ele o pensamento
              No próprio templo de sua pessoa,
              Sabendo-O compreender o seu intento,

              Por místico jaez, quem se afeiçoa
              O Reino vive em casa ou ao relento,
              Que em toda a parte o vê, que o desnevoa.

      Antonio Carneiro (Bélier)
      V.N.Gaia – Portugal
      13/01/2012

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           EPOPÉIA MAIOR

           Metafísica do Cristianismo XXVI

           Pai, venha o Teu Reino (Segunda petição mística)

            Ardor da chama divina

             Sendo o espírito onipresente
             O Criador, o Reino Seu que existe
             E nada mais, a alma não subsiste
             Se desta realidade instar-se ausente;

             Mera ilusão terá, por mais que intente
             Da vida de que a condição consiste
             Em ter da consciência o dedo em riste
             A cada passo dado, e bem presente:

             Ao ignorar de Deus em si a chama
             Pode o homem viver, mas excluído
             Da vivência real que em si reclama;

              Sem inerente ardor é mal servido
              Da paz e alegria, e em dúbia trama
              Ver-se-á de mil tramas envolvido.

      Antonio Carneiro (Bélier)
      V.N.Gaia – Portugal
      12/01/2012

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