E L V I S - The King
A casa era minúscula, talvez ainda menor do que a maioria na pequena localidade e segundo o percebido, executavam-se fainas de parto em seu interior, onde havia somente dois cômodos.
Aos fundos, um poço rústico foi observado quando um homem para lá se dirigiu sob forte e frio vendaval. Seus pensamentos projetaram-se em nítidas nuances em humildes preces aos céus, refletindo visões de dificuldades para a construção daquele mínimo refúgio.
De repente, todo o lugar se ilumina com um tom incrivelmente azulado. A ventania cessa e a luz envolve a casa, parecendo isolá-la no espaço.
Comprazem-se as forças da natureza na harmonia suprema da universalidade cósmica, pois viera ao mundo um Avatar mensageiro.
No calendário, 1935, january 8th. Na pequena estação ferroviária, uma tabuleta mal fixada indicava o nome Tupelo.
Do livro Elvis Esotérico, Editora Achiamé, 1983 [Antonio Carneiro (Bélier)].
Perpetuar do canto silente
Tupelo era o silêncio assaz sentido
Do mundo a cuja voz distante estava,
A porta aberta à glória que esperava
Teu fado e o meu na madre interrompido.
A mãe na essência, olhar compadecido,
De etéreo amor, o pranto me enxugava
E anos após na minha voz cuidava
De o dom sublime apor, desvanecido
Por te cantar o que cantaste, ingente
Do encantamento divinal, saudade
Perene ao palco de que estás ausente
E as forças hei, do estro, e a divindade
Para suprir-me a luz de eternamente
Seu canto em verso ao teu liar, silente.
Love me tender
Ama-me com ternura e realidade
Que só do plano divinal procede,
Onde da paz maior a luz concede
A plena, intensa e pura claridade;
Ama-me com ternura da saudade
Cuja expressão deixada a voz excede
Que a transmitiu do espírito e precede
Da essência em nós, a mor felicidade.
Nunca me deixes ir pelo lamento
Do recordar-te ao mundo nosso ausente,
Que dele à paz maior por ti me ausento:
Antes, por que este vínculo se assente,
Traz Deus aqui no mais divino intento:
Ama-me com ternura, eternamente.
Alfa e ômega: Sonetos inicial e final do livro Epopéia Elvis Edição Livro Popular, 1981.
[Antonio Carneiro (Bélier)]
Antonio Carneiro (Bélier)
V.N.Gaia - Portugal
26/05/2007
Saturday, May 26, 2007
Sunday, May 20, 2007
Festa rija: Subimos à A2
Para quem vive distante, é muito duro acompanhar um jogo, decisivo como o de hoje, a conta-gotas de áudio, pois a Rádio Cultura, por via da Internet é deveras indicada para os pacientes, como Jó (o bíblico, não o nosso prezado atleta). A todo o instante, lá se vai o relato para a memória e pronto, mais uma interrupção e o inerente atrazo na recepção por cibernéticos meios. O placar ao vivo, so “site” Futebol Interior fica ao lado, numa angustiante configuração de gélido jaez. Quem há de informar primeiro tão esperado gol?
Mas o tempo passa e o gol não sai e enquanto isso lá está o placar do F.I. mudando todo o tempo para informar sobre uma chuva de gols em Piracicaba. Primeiro, os do XV, menos mal, todavia depois o elefante eriça a tromba e as coisas ficam pretas. Como não poderia deixar de ser, os minutos finais são de grande sofrimento, como sói ocorrer sempre. Que desditosa sina, esta do torcedor afeano… Quando vê o seu time ganhar disparadamente uma competição, percebe que o regulamento nada lhe confere. Como dizem por cá: Ganhas, mas não levas!
Enfim, sabe-se que os jogos terminaram e, afinal de contas, conseguimos lograr o principal objetivo: Subimos á série A2, como já devíamos ter subido no ano passado, quando também jogávamos pelo empate e o XV de Jaú nos fez morrer na praia, bem à beira da piscina olímpica do nosso estádio.
Festa rija, então! Saibamos comemorar este feito, desdenhando o fato incompreensível (ao menos para mim) de ver o oitavo colocado ir às disputas pelo campeonato, enquanto nós, que ficamos à sua frente doze pontos, saímos para férias desse sufoco (até que bem merecidas…). Ora, dir-se-á e com certa razão, de que vale esse campeonato?
Talvez por isso mesmo é que puseram um trolha para legislar o regulamento (sem nenhum demérito para o honesto e competente trolha, que tão bem desenvolve o seu trabalho).
Não podemos deixar também de falar sobre um nevrálgico ponto, em qualquer parte do mundo: as arbitragens. Será de bom alvitre que, nos próximos campeonatos, no futuro com cada vez mais expressão, assim esperamos, os nossos dirigentes fiquem mais atentos a este fulcral capítulo da história do futebol em todos os tempos. Para os mais novos, ou para quem já não se lembra, aponho aqui que em 1959 íamos ganhar o campeonato e nas últimas duas rodadas sofremos um dos maiores atentados de que se tem notícia até hoje, no âmbito desportivo. Segundo contaram-me, a nossa diretoria, na época, não quis dar uma vultosa soma em dinheiro a um indivíduo do apito, que comandava a cáfila do apito. O resultado foi lúgubre para nós: Jogaram-nos para o terceiro lugar.
Neste torneio final deste ano, embora à distância, pude deduzir por comentários independentes que: Em Olímpia, fomos roubados, pois marcaram um penalty que o Augusto não cometeu (não houve falta e ainda por cima o lance se passou fora da área). Em Piracicaba, é-nos expulso o Fabinho com seis minutos de jogo e depois o time é tolhido pelo “habilidoso” árbitro. Em Lins, o “apitador” de serviço não se incomoda nada em levar o pesado elefante às costas, marcando-nos uma falta inexistente que dá origem ao gol de empate (se ganhássemos lá, como era de ser, estávamos hoje a comemorar mais).
Em Araraquara, nenhum árbitro nos favoreceu… Isto lembra-me uma história que me contavam quando criança: O Patinho feio.
De qualquer modo, festa rija! Estamos na A2, subimos mais um degrau, só falta outro. Isto é que mais importa.
0X0 ao Olímpia
(Aleluia! Subimos à A2)
Conquanto um certo travo de amargura
Viesse junto, após o resultado
Que acaba pondo o oitavo colocado
A pleitear do título a ventura,
Há que alegrar-se a malta nesta altura,
Após dez anos de inditoso fado,
Pois afinal o alvo colimado
Foi atingido com muita bravura:
De parabéns os nossos dirigentes,
A brava equipe em todas as porfias
Que hoje nos deixam todos tão contentes.
Volta, Ferroviária, às mesmas vias,
Caminho para as glórias contundentes
Que já te sublimaram noutros dias.
Antonio Carneiro (Bélier)
V.N.Gaia - Portugal
20/05/2007
E.T.: O soneto que ficou por publicar: Na madrugada (aqui em Portugal) do dia 17/05/2007, já contando com a vitória em Lins, que nos foi usurpada pelo rato apitador, produzimos o soneto abaixo, o qual, por óbvias razões, não foi publicado:
2X1 à Linense
(Do lombo do elefante à A2)
Eis, aleluia! Enfim se fez justiça,
Que inda tardio o seu jaez devido:
Em torpe ação de assaz gesto atrevido
De amiga face, a intenção omissa,
Já não nos tiram mais desta premissa
O alcançado intento, conseguido
De dupla faina, em ganho repetido,
Embalde a referida audaz cobiça.
Do elefante ao lombo, o salto é dado
De cota, a patamar, mais expressiva
A2, tal como foi tanto almejado,
Mas é mister subir a expectativa
E esta luta vencer, de lado a lado,
Para que inste a verdade desportiva.
Saturday, May 19, 2007
Do elefante enfurecido…
2X2 ao Linense
[Palhaço salva(?) o elefante]
Arma-se em Lins no estádio o picadeiro
Que o elefante invade enraivecido
Pela manada a apoiar seguido,
A dar o que lhe sobra por inteiro.
Resulta a ação-surpresa de primeiro,
Mas logo após um intervalo sido
À arena impõe-se, a Malabar vestido,
Marcelo, o nosso ágil dianteiro:
Ao lombo sobe do elefante e ajuda
Todos por dar impulso a salto grado
Ao patamar A2 da arquibancada;
Porém surge o palhaço em cena e muda
Do paquiderme a sorte, disfarçado
Como juiz da espúrea patuscada.
… ao galo azul à hora do almoço:
À vitória!
O empate chega, mas, que assim, não basta,
A iniquidade vence, é uma vergonha
Que um regulamento injusto imponha
O não vencer esta lide nefasta;
Porém ação de crítica tão vasta
Disto se fez, que mais opor se oponha
O não dizer: domingo se reponha
Luz de razão que a treva hoje devasta:
Joguemos por vencer, por esmagá-lo,
O que perder não soube em seu reduto,
Covarde anfitrião, espúreo galo,
Para seguir depois, de resoluto
Passo, às finais, este o melhor regalo
Desta campanha: o êxito absoluto!
Ora, é no mínimo esdrúxula a situação que se apresenta nesta última rodada do quadrangular decisivo da série A3 do Canpeonato Paulista. Quem idealizou esta disputa, deve ter mesmo uma rara inteligência:
Eis que o primeiro colocado do torneio vai jogar com o oitavo colocado, ao qual superou com doze pontos de diferença, em desvantagem, pois precisa vencer para superá-lo na classificação final. Ou seja, disputa-se um turno completo de um campeonato de futebol e depois os oito primeiros colocados tornam a disputar outro campeonato, em dois grupos, a zero igual de pontos: O primeiro colocado não logra de vantagem nenhuma, sequer no critério de desempate ao final. Serei eu burro demais para entender a lógica do raciocínio do legislador deste preciosismo?
Resta esperar pelo triunfo simples do nosso time, que já comprovou de sobejo que é melhor, que, apesar de roubado de modo infame - como aliás tem sido a tônica dos últimos jogos - venceu por 3X2 os galináceos azuis em sua própria capoeira e que, afinal, se alguma réstia de justiça prevalescer, alverga todo o direito de vencer esta tão confusa, violenta, irracional e incoerente disputa.
AVANTE, FERROVIÁRIA! À VITÓRIA!
Antonio Carneiro (Bélier)
Vila Nova de Gaia - Portugal
19/05/2007
E.T.: Apela-se à grande legião de torcedores afeanos para lotar a Fonte Luminosa e a não parar de incentivar o time, do início ao fim do jogo. Somos melhores! Havemos de vencer!
Monday, May 14, 2007
Síndrome do Quinze
A partir de 1966, quando superamos o XV de Piracicaba para regressar à primeira divisão, com um histórico gol do Maritaca no segundo jogo, disputado no Pacaembu, parece que criou-se nas hostes afeanas um certo receio deste também famoso e tradicional adversário.
Ao que me parece à distância, este atual time do XV é bem fraco, só tem como destaque o Rafael Aidar, que jogou na Ferroviária ano passado e, até onde sei, foi dispensado. Certo ou não, a verdade é que deixamos passar uma excepcional oportunidade de praticamente assegurar a vaga tão almejada na A2, por antecipação. Resta agora tentar o saldo com impulsão devida sobre o lombo do elefante, na quarta-feira, em Lins. Se não armarem outra gatunagem, isto é até bastante provável. Ao elefante, pois. AVANTE AFE!
0X0 ao XV
Órfão do árbitro neste cotejo,
Que foi seu pai e mãe, no anterior,
Viu-se o Nhô Quin mostrar pouco valor,
Do arrimo assim privado, no ensejo:
Vem todo retrancado e não tem pejo
De o anti-jogo praticar, sem cor,
Sem brilho, sem destaques, sem pudor
Para alcançar de empate o seu almejo;
Mas arte e perspicácia, além do apito
Amigo, não tivemos, como sói
De ser a nossa sina e o árduo fito
De colimar persiste e mais nos mói
A ânsia por justiça cujo rito
O grito inda à garganta nos obstrói.
x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.
Ao Elefante
(Pela vaga, já)
É duro de esperar pelo que ganho
Já foi, e de ganhar há de outra vez
Lutar-se de feroz, insensatez
De injusto grau e colossal tamanho;
Mas não há volta a dar, inda que estranho
Se entenda este alvitrar cujo jaez
Os maus só favorece, inibe a vez
De os bons mais apurar, fito tacanho.
A Lins então, vamos vencer primeiro,
Por garantir a vaga, antecipada
E claramente de justiça instada,
O elefante, ao próprio picadeiro,
Que, tonto assaz, em desespero inteiro
Pouco há de opor e não assusta nada.
Antonio Carneiro (Bélier)
V.N.Gaia - Portugal
14/05/2007
E.T.: Ouvi ontem uma entrevista do sr. Bruno Ópice de Matos, que, a propósito do julgamento do jogador Fabinho, referiu a possibilidade de perdermos o mando de campo do último jogo, isto porque a claque afeana presente ao jogo em Olímpia teria provocado os pacatos e inocentes dirigentes daquele clube, os quais, muito ofendidos, passaram a agredir os “provocadores”, ferindo algus deles. Ora, esta Federação a que estamos filiados traz-me à memória a fábula do lobo e o cordeiro, cabendo a nós desempenhar o papel deste último.
Em 1985, tentaram nos roubar a vaga nas finais do campeonato, em favor do Corinthias, ao que, revoltado (na época ainda morava no Rio de Janeiro), contactei o dr Valed Perri, o qual defendeu a nossa tese no STJD, após haver sido contratado pela diretoria afeana, na ocasião, na sequência deste contacto. Foi o famoso caso do jogador Dama, suspenso num jogo dos antigos juniores e escalado depois num outro jogo, por sinal contra o XV, em Piracicaba, que empatamos por 1X1. O famoso advogado facilmente contestou os falsos argumentos corintianos e ganhamos o julgamento por unanimidade (7X0). Em São Paulo, claro, perdemos a lide, o que justificou o recurso ao STJD.
É de bom alvitre lembrar a nossa diretoria que um campeonato não se ganha só no campo…
É de bom alvitre lembrar a nossa diretoria que um campeonato não se ganha só no campo…
Sunday, May 13, 2007
BOCAGE
Em testemunho da imortalidade
“Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode porventura, voltar ao ventre materno e nascer uma segunda vez?
Respondeu-lhe Jesus: Em verdade te digo: Quem não nascer da água e do espírito, não pode entrar no reino de Deus.”
João 3/ 4,5.
No dia 29/11/1946, em sessão pública transcorrida no Grupo Espírita Luiz Gonzaga, na cidade de Pedro Leopoldo-MG, o extraordinário medium Francisco Cândido Xavier psicografou o seguinte soneto de Bocage, em agradecimento e exaltação à Virgem Maria: Doce mãe, sereníssima senhora, Dos teus olhos velados de doçura Nasce fresca a alvorada, que fulgura Na infortunada sombra de quem chora! Quando meu ser vagava em noite escura, Nas angústias do abismo que apavora, Estendeste-me os braços, vendo embora, Minhas chagas de treva e de loucura… Ante o regaço fúlgido consente Que minha fé se exalte, embevecida, Prosternada, ditosa, reverente. Recebe no dossel de graça e vida O louvor de teu filho penitente, No clarão de minh’alma convertida. Quem poderá arguir da autenticidade do autor? No “Anuário de Poetas do Brasil” de 1982, edição de Aparício Fernandes, tive ocasião de respostar este poema, do seguinte modo: Consolo Divinal Para quem sofre o pranto da agonia, Atado à sombra de erros consequente, Conduz os olhos bons, serenamente, A doce mãe, santíssima Maria; Quando nos lodos abissais se via Do desgraçado espírito descrente, Das chagas colossais indiferente, Dá-lhe com terno afago alvor do dia. Exalte a fé por todos comungada No etéreo culto que os mortais eleva A que de amor será mais exaltada E pela caridade que se enleva Do maternal afeto consagrada Resulte a luz divina à muda treva. Antonio Carneiro (Bélier) V.N.Gaia - Portugal 13/05/2007 Neste dia especial, consagrado a Nossa Senhora de Fátima, juntamos o nosso humilde preito à mãe sublime e consagrada como universal, em oração por todos nós, da conturbada humanidade, encarnados e desencarnados, todos abrigados sob o manto iluminado de sua infinita bondade, divina coberta de nossas chagas de imperfeição, sólido abrigo para os tristes, esperança eterna de melhor futuro. Obrigado, mãe.
No dia 29/11/1946, em sessão pública transcorrida no Grupo Espírita Luiz Gonzaga, na cidade de Pedro Leopoldo-MG, o extraordinário medium Francisco Cândido Xavier psicografou o seguinte soneto de Bocage, em agradecimento e exaltação à Virgem Maria: Doce mãe, sereníssima senhora, Dos teus olhos velados de doçura Nasce fresca a alvorada, que fulgura Na infortunada sombra de quem chora! Quando meu ser vagava em noite escura, Nas angústias do abismo que apavora, Estendeste-me os braços, vendo embora, Minhas chagas de treva e de loucura… Ante o regaço fúlgido consente Que minha fé se exalte, embevecida, Prosternada, ditosa, reverente. Recebe no dossel de graça e vida O louvor de teu filho penitente, No clarão de minh’alma convertida. Quem poderá arguir da autenticidade do autor? No “Anuário de Poetas do Brasil” de 1982, edição de Aparício Fernandes, tive ocasião de respostar este poema, do seguinte modo: Consolo Divinal Para quem sofre o pranto da agonia, Atado à sombra de erros consequente, Conduz os olhos bons, serenamente, A doce mãe, santíssima Maria; Quando nos lodos abissais se via Do desgraçado espírito descrente, Das chagas colossais indiferente, Dá-lhe com terno afago alvor do dia. Exalte a fé por todos comungada No etéreo culto que os mortais eleva A que de amor será mais exaltada E pela caridade que se enleva Do maternal afeto consagrada Resulte a luz divina à muda treva. Antonio Carneiro (Bélier) V.N.Gaia - Portugal 13/05/2007 Neste dia especial, consagrado a Nossa Senhora de Fátima, juntamos o nosso humilde preito à mãe sublime e consagrada como universal, em oração por todos nós, da conturbada humanidade, encarnados e desencarnados, todos abrigados sob o manto iluminado de sua infinita bondade, divina coberta de nossas chagas de imperfeição, sólido abrigo para os tristes, esperança eterna de melhor futuro. Obrigado, mãe.
Sunday, May 6, 2007
Deus
É tudo o que se vê e não se alcança
E o mais, que se não vê e, se alcançado,
Tornar-nos faz ao divinal estado,
Que Dele somos feito à semelhança;
O infinitésimo da luz que lança
Sobre o infinito a claridade, o fado
Que ao ser menor e ao sábio há de ser dado
Em proporção de idêntica pujança:
A emanação da essência, que em vibrar
Mantém pelo universo o movimento,
Hábil de conservá-lo sem cessar
Da eternidade pelo etéreo evento:
É da alma o cerne, a fonte plena, o lar
Da própria vida em qualquer vivo alento.
Nota: Entenda-se a incongruência gramatical do quarto verso do poema por imposição maior daqualificação dos seres humanos como creados à imagem e semelhança de seu Creador. Bem assim também a grafia do termo crear quando usado neste contexto, como propriamente assinalava o grande filósofo cósmico Huberto Rohden (1894-1981).. O uno diversificado em toda a creação constitui-se no universo creado. O logos pensante convertido em cosmo pensado, como se pode dizer por outras palavras.
Em Memória
De meu pai: Conrado Carneiro Cerineu
05/02/1905 – 18/12/1985
Balada de amor maior
Descansa, pai, na luz de excelso brilho
Da etérea luz que Deus te há concedido,
Com a certeza do dever cumprido
Por estas plagas de duro empecilho.
Em rotas fulgurantes põe-te a trilho
Suave a bom destino sucedido
Até do maior ser criar sentido
O ser maior que és tu, de quem és filho.
Compraz-te agora e sempre na amplitude
Que do infinito traz o lume intenso
A coroar-te a glória da virtude
Para que em sítios mais de amor imenso
Possas rogar por nós na plenitude
Do amor a que de eterno estás propenso.
De minha mãe: Alice Maria Carneiro
21/04/1909 – 17/12/2003
Apelo à Virgem Santa
Excelsa mãe, que és minha e também dela,
Etérea luz dos tristes no caminho,
Estende a mão divina com carinho
À mãe que hoje perdi e vai com ela
Mostrar o céu que aos bons a paz revela
Das almas justas, sublime escaninho
Para quem bem obrou e comezinho
Refúgio mereceu de imagem bela.
Faz refletir do teu fulgor o brilho
No corpo astral que é seu vitral de agora
Por que com ele leve a essência a trilho
Ao Eu maioe que nela é Deus e mora
Da Eternidade Dele em cada filho,
Virgem Sagrada, esplêndida Senhora!
Em preito de agradecimento:
http://www.geocities.com/afenet
Em fevereiro de 2003 descobri por acaso um “site” da querida Associação Ferroviária de Esportes (Hoje Ferroviária Futebol S.A.) na Internet. Que trabalho dedicado e magnífico era feito em prol de nossa gloriosa AFE, a atravessar na época o seu já longo deserto pleno de adversidades.
De tal modo alegrou-me tal iniciativa que comecei a interessar-me pelos cibernéticos meios, dos quais sempre andei afastado, de modo até leviano, pois que sempre recorri ao apoio de minha filha sempre que era preciso utilizá-los por apoio de minhas fainas laboriais.
Foi a partir de então que passei a escrever com regularidade os meus poemas em louvor à Ferrinha, de quem fui sempre torcedor, desde os nove anos de idade, quando ela ascendeu pela primeira vez à elite do futebol paulista.
Na minha vida , foi este importante e definitivo marco, mais ainda feliz para mim, porque ligado ao tão estimado clube por laços de afeana amizade; eis que o autor do aludido “site”, o prezado amigo Paulo Vidal, de tal forma prestigiou a minha humilde participação, que bondosamente destinou-me um sítio no mesmo, cognominando-o de “Cantinho do Bélier”.
Tive a imensa satisfação de conhecer o Paulo Vidal em 2004, quando de minha ida última ao Brasil, o que fez-nos estreitar ainda mais a nossa fraternal amizade, oriunda de afeanos laços.
Ao nobre amigo Paulo Vidal devo agradecer o resgate de boa parte de minha obra poética, hoje gravada no referido sítio. Não há dinheiro no mundo que pague essa bondosa cortesia, pois que os bens reais são de natureza etérea e destarte não perecem pelos evos afora. Mas o que em ouro não se resgata, em metro pode-se tentar fazê-lo, pelo que, solicito ao engenheiro Paulo Vidal, meu colega de ofício na conflagrada vida nossa profissional de cada dia, que aceite, em alexandrino mote, este modesto preito de agradecimento:
Laços Eternos de Afeana Amizade
Tu escreveste, amigo, há sete longos anos,
Que da do sol morada a mor embaixatriz
Por ela conhecida aos cantos do país
E aos outros mais do mundo inteiro em vários planos
Foi sempre a nossa AFE, mesmo quando os danos
De mais intensa jaça em seu maior matiz
Fizeram-na descer das flores, à raiz,
Onde brilhou , da árvore de seus arcanos.
Hoje, pela fortuna instado, em mesmo dia
De maio, eu corroboro aqui tua assertiva
Ao tempo em que agradeço a nobre iniciativa
De haurir deste poeta humilde a elegia.
Eterno impõe-se o elo de amizade viva
Cujo jaez fraterno é a mão de Deus que guia.
Antonio Carneiro (Bélier)
V.N.Gaia – Portugal
01/05/2007
Outros “links” de nosso querido clube:
Seria injusto não referir aqui também o trabalho de outros abnegados e fervorosos admiradores da Ferroviária, cujo empenho e dedicação merecem todo o respeito e admiração dos afeanos espalhados pelo mundo inteiro. De prévio escuso-me por omitir algum:
http://paginas.terra.com.br/esporte/ferroviaria, do nosso amigo e fanático torcedor Fábio José Lourenço.
http://www.ferroviariadeararaquara.com.br de Tetê Viviani.
http://torcidajovemgrena.v10.com.br
http://torcidabocadolixo.zip.net
Bocage
Manuel Maria Barbosa du Bocage, a meu ver o maior injustiçado dos poetas da língua portuguesa, e também o maior de todos eles, nasceu em Setubal, Alentejo, aos 17 de setembro de 1766 e faleceu em Lisboa, na travessa de André Valente, onde ainda hoje existe uma “cabeça de porco”, em que uma paupérrima placa à entrada identifica o acontecimento, no dia 18 de dezembro de 1805, em ambiente de extrema pobreza, como ainda hoje se pode avaliar.
Em 1871, seus admiradores portugueses e brasileiros mandaram erigir-lhe uma estátua ao centro da hoje chamada Praça do Bocage, na sua cidade natal, que eu saiba, o único monumento erguido ao extraordinário vate. Infeliz é a terra que não sabe valorizar os seus mais ilustres filhos, mas isto já se sabe.
Ao mestre querido, como dizia o grande Olavo Bilac, a nossa humilde homenagem:
A Bocage, o vate maior
Inexcedível mestre do compasso
Que marca o verso qual de Euterpe a lira,
Foste da métrica o cultor que ouvira
A voz de Deus no mais silente laço:
Insuperável do escandir no traço
Que o sublimar da inspiração suprira
O mais sublime que ela consentira
Supriste, aurindo o estro passo a passo.
Na harmonia da frase jogador
De letras ao sabor inesperado
Da cadência soberba que em impor,
Impuseste no jogo mais ousado,
Tu louvaste a poesia com louvor
A que embalde outros vates têm louvado.
Antonio Carneiro (Bélier)
V.N.Gaia - Portugal
05/07/2005
Soneto produzido em preito aos duzentos anos de ausência física do maior poeta da língua portuguesa em todos os tempos, sem demérito a ninguém.