Saturday, September 29, 2007

 
 
                     
                                 Derrota em jogo ganho
 
                 A Ferroviária parece estar se habituando a ressuscitar os mortos em cada jogo que faz por esta bendita copa. Depois do Linense, agora foi a vez do Atlético de Sorocaba. Com efeito, o mesmo milagre ocorreu qual ocorrera em Araraquara: depois de ter a partida nas mãos, o adversário, se não morto, já nos esgares de sua irremediável sorte é reanimado pelas pífias dos inexperientes defesas do nosso time. Qual Lázaro desperto do sono mortal, volta-se cambaleante o nosso adversário para matar-nos a nós. E nem foi preciso Jesus Cristo acudir o moribundo, eis que tínhamos lá o André (que deve ser a reencarnação do apóstolo) para meter a mão na bola dentro de sua área. Antes já o Robson perdoara ao bom goleiro sorocabano (que nós não temos) o agravo de outra injúria, eis que o havia ofendido com um gol anterior e com isso lá se foi para o ralo a chance de fazer 2 a zero ainda no primeiro tempo, pois o penalty foi desperdiçado.
             No futebol e na guerra não há lugar para caridades tais e o resultado obviou-se, como se previa: Outra derrota em jogo ganho. E o arrasado Atlético, que até então houvera perdido todas, ressurge das tenebrosas trevas para ser mais um a nos azucrinar as orelhas, já no próximo sábado, na Fonte. Resta-nos perguntar: Quando é que a Ferroviária vai perceber que vivemos (ainda) no plano terreno das vicissitudes e que nem ela, com toda essa santificante mansidão, adentrou o reino celeste das angelitudes etéreas?
 
 
                  
                               1×3 ao Atlético (Sorocoba)
                           (Derrota em jogo ganho)
 
                               Até que por começo a esperança
                               Ergueu seu lume claro e promissor,
                               Mas a promessa não se fez impor,
                               Que nos faltou audácia e comfiança
 
                               E da concentração a pouca usança
                               Instou falhanços mais cujo teor
                               Caro se paga de maior valor
                               Quão menos se lhe empenhem a fiança:
 
                               Assim perdemos outra vez, depois
                               De ter na mão o pássaro aturdido:
                               Ora, vós, de meu time, por quem sois?
 
                               Parece que haveis apetecido
                               A não vencer quando venceis já, pois
                               O jogo não venceis, que está vencido!
 
 
                         Antonio Carneiro (Bélier)
                         V.N.Gaia - Portugal
                         29/09/2007     
 
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Thursday, September 27, 2007

 
 
 
                                       1X0 ao Guaratinguetá
                        (Fundada determinação)
 
                         Com garra e sacrifício, assim se ganha,
                               E audaz vontade, em busca devotada
                               De o triunfo alcançar em jogo cada,
                               Seja qual for, que a outros nos oponha.
 
                               Em Guaratinguetá deu-se a façanha
                               Por poucos mais prevista ou esperada,
                               A mostrar que a dificuldade é nada
                               Quando a fé na vontade se componha.
 
                               Alento então maior se dê agora,
                               Pois inda temos farta ocasião
                               Para seguir o rumo em boa hora
 
                               E alcançar de novo o galardão,
                               Porque é provado: nada se deplora
                               Quando é fundada a determinação.
 
 
                               Antonio Carneiro (Bélier)
                               V.N.Gaia - Portugal
                               23/09/2007
 
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Sunday, September 23, 2007

 

                                      Ah, Camões!
 
                Na sofrida madrugada que sucedeu o jogo, no qual mais uma vez entregamos o ouro ao bandido, aparece-me Camões, o magistral poeta a quem Bocage considerava - e não sem razão, digo eu - como inexcedível mestre. Trazia nas mãos uma pena de urubu e reportava-me, junto à idéia do abutre, ao cotejo da minha tristeza com a mágoa que teve ao perder a sua Dinamene:
 
                Ah, minha Dinamene! Assim deixaste
                Quem não deixara nunca de querer-te!
                Ah, ninfa minha, já não posso ver-te!
                Tão asinha esta vida desprezaste!
 
                Como já para sempre te apartaste
                De quem tão longe estava de perder-te?
                Puderam estas ondas defender-te
                Que não visses quem tanto magoaste?
 
                Nem falar-te somente a dura morte
                Me deixou, que tão cedo o negro manto
                Em teus olhos deitado consentiste!
 
                Oh, mar! Oh, céu! Oh, minha escura sorte!
                Que pena sentirei que valha tanto,
                Que inda tenha por pouco viver triste?
 
                Reza a tradição que os sonetos de Camões dedicados a Dinamene foram escritos em memória de uma escrava chinesa, cujo nome Ti-Na-Men fora assim transcrito para o português. Esta possível amante do grande poeta terá morrido no célebre naufrágio na foz do rio Mecom, do qual salvou-se Camões, juntamente com os manuscritos do poema épico “Os Lusíadas”, a obra maior da língua portuguesa, que resguardara das águas com uma das mãos, enquanto nadava com a outra. É também dedicado a Dinamene o célebre soneto “Alma minha, gentil, que te partiste…”, talvez o mais famoso de nossa prezada língua, que foi uma paródia (no bom sentido) do poema de Petrarca: “Alma bela, liberta daquele nó…”, numa aproximação ao português.
                Sabe-se, todavia, que Dinamene é o nome de uma das nereidas (sereias), como também refere a lenda, do rio Tejo, que banha Lisboa, e de onde saíram os navegadores para os grandes descobrimentos. Assim o refere a poesia de Garcilaso de la Vega, famoso guerreiro e poeta espanhol que viveu no princípio do século XVI, bem como o próprio Camões em duas de suas éclogas.
                Ora, no prélio de ontem, ganhávamos por dois a zero, já em compridos minutos do segundo tempo e eis que o Robson, que era o nosso melhor jogador, autor de um gol e da assistência para o outro, resolve armar-se em tolo diante da ridícula figura do árbitro, dando-lhe assim o desejado motivo para excluí-lo de campo. Ficamos em nove contra dez (pois o lambuz de apito já havia feito a lambança de expulsar sem motivo um elemento de cada lado)e aí os espaços sobram demais, tal como um jogo de bola de meia, como antigamente se jogava. Pronto, lá se foi a vitória pelo ralo de nossa própria estultícia, levamos dois gols e o Elefante sai todo satisfeito da arena alheia. Que m…!
                Não sei quem defende os interesses da Ferroviária junto à F.P.F. , mas, seja lá quem for, parece que dorme sempre no berço esplêndido da boa fé, de tal sorte que, seja em casa ou fora, os árbitros decidem sempre para os outros e contra nós. Se vamos com esta filosofia bonachona enfrentar as feras da A2, adeus viola. Atenção, mais uma vez refiro, futebol não se ganha só no campo…
                E diante da minha compulgente tristeza, que o Camões compara à sua, parodiei-o do seguinte modo:
 
 
                                   Ah, Camões!
                     (2X2 ao Linense)
 
             Ah, meu time insensato! Assim deixaste
             Quem não deixara o jogo de vencer-te,
             Que empate é em derrota o converter-te,
             Tão asinha a vitória desprezaste!
 
             Como já para sempre te apartaste
             Do triunfo, apressando de perder-te?
             Os árbitros puderam defender-te
             Que não visses que tanto me magoaste?
 
             Nem falar, se tentasse, da má sorte
             Me deixas que tão cedo o desencanto
             Em mim e na torcida consentiste!
 
             Oh, céus! Oh, dor! Oh, mais que nos conforte!
             Que pena mais sentir que valha tanto
             Qual esta de deixar-nos sempre triste?
 
      E.T. O verso 7 de ambos os poemas alude ao mesmo significado, ressalvando-se as duas situações: O mar pode evitar que soubesses como me magoaste, no soneto de Camões, assim como: Os árbitros puderam evitar que soubesses como me magoaste ( a mim, no meu soneto). Isto numa alusão ao que já é costume: os árbitros sempre a roubar-nos.
            Antes que alguma crítica se faça, esclareço que a aparente inconguência de meu último verso, no qual o final epíteto é singularizado, explica-se por tomar-me eu como o portador a representar toda a tristeza que ultimamante toda a massa grená experimenta.
 
         
                   Antonio Carneiro (Bélier)
                   V.N.Gaia - Portugal
                   23/09/2007
 
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Sunday, September 16, 2007

 

                                 O bombo da festa
 
                Nem mesmo a rádio da cidade transmitiu o jogo de hoje. É bem verdade que já tudo estava decidido para nós, ou seja, sabíamos que éramos os últimos dos “moicanos” classificados para a nova fase da Copa, fosse qual fosse o resultado. O adversário, sim, líder e invicto, procurava manter-se em primeiro. Daí, nenhuma surpresa: perdemos como já se torna hábito nesta competição, a merecer o epíteto com que intitulo este comentário. Lamentável, porém vero, isto é, o time que ostenta o galhardete de último campeão está transmutando-se no bombo da festa.
             Seria ótimo que tivesse havido melhor aproveitamento deste torneio, tendo em vista o futuro campeonato, este sim, o nosso maior objetivo; todavia, parece que não entenderam assim os nossos dirigentes. Segundo sei, o clube oferece ótimas condições aos atletas e a muitos apetece ir jogar em Araraquara. Os que vão, entretanto, parece que refastelam-se nas possíveis mordomias e se esquecem de jogar futebol. Saem para condiçõe piores e tornam a jogar muito, tal como ocorreu com o Rafael Aidar. Isto faz lembrar o adágio que coteja este ou aquele indivíduo que é como a galinha: “deixa de comer milho para comer m…”. Ora, estou mesmo chateado!
              Sem querer parecer-me repetitivo e até chato, devo por dever de minha preocupada consciência afeana repetir que esta política de contratações de jogadores já formados (nas virtudes e nos vícios) é errada. Dão-me razão os grandes clubes de todo o mundo: Há que existir uma escola de formação, esta sim, muito aliciante para os jovens de qualidade. Investir nisso dá lucro. Competir nisso traz resultado. Hoje em dia, clubes como o Manchester United despendem milhões com garotos de até nove ou dez anos. Depois, vão buscar o que gastaram com juros dos mais sionistas da praça. Têm olheiros em todos os lados e muitas vezes “roubam” esses meninos de seus rivais. Não é desonestidade, não: é competição. É como diz o outro: “quem correr, vai ficar parado”.
 
 
                                 0X1 ao Mogi-Mirim
                           (O bombo da festa)
 
                              Foi ora a vez para o Mogi-Mirim
                              De reter as baquetas de afinfar
                              Nas mãos, o bombo e assim nos afrontar
                              Bem como em pífias outras já sem fim.
 
                              Decerto que esta Copa pouco afim
                              Tem para aos concorrentes ofertar,
                              De algo apor que os possa aproveitar,
                              Porém manter-se tal não pode asim:
 
                              Eis, na segunda fase, o que será,
                              De Atlético diante e do Linense
                              E mais também do Guaratinguetá?
 
                              E ainda além, depois quando se pense
                              No Campeonato, o que se pensará
                              Se não houver alguém que isto repense?
 
 
                              Antonio Carneiro (Bélier)
                              V.N.Gaia - Portugal
                              16/09/2007
 
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Sunday, September 9, 2007

 
 
                                       Reação
 
            Acabou dando certo. Todavia, ao final do primeiro tempo era inacreditável: perdíamos de três a zero, em casa, para o time de garotos do União São João de Araras. Dá para lembrar do flamenguista Washington Rodrigues, que dizia: “É mole ou quer mais?”. Como todos (ou quase todos) os flamenguistas, este senhor também falou lá as suas bobagens que ficaram famosas - justamente porque são eles flamenguistas…
              Os brios afloraram na segunda parte do jogo e quase ainda ganhamos. Louve-se tal reação, mas não nos esqueçamos que o time vai mal. A defesa não inspira confiança, o meio campo carece de criatividade e o ataque assemelha-se a um ataque de risos.
              Ouvi o sr. diretor dizer que os treinos são proveitosos, o treinador trabalha sério, mas o fato é que a cada compromisso a “barba cresce”, como dizia outro cronista, este muito mais astuto, um senhor do futebol chamado João Saldanha.
              Classificamo-nos para a segunda fase da Copa na “bacia das almas”, porque os outros ainda são piores, contudo certamente não gastam metade do que nós temos gasto. 
              Também não vemos proliferar um trabalho sério com as camadas jovens, sobretudo o sub-20.
              Será este o correto caminho para o sucesso na A2 em 2008?
 
 
                                   3X3 ao União
                         (Reação)
 
              De grande efeito a enorme reação
                 Em jogo hostil, de nosso grupo ousado
                 E o time assim está classificado
                 Para outra fase da competição.
 
                 Fez-nos lembrar com lídima emoção
                 Os grandes feitos áureos do passado,
                 Que não se possa dar por olvidado
                 O que a princípio se passou então:
 
                 É que não pode ser decerto aceito
                 Levar três gols por falhas clamorosas
                 Como já tantos outros nos têm feito.
 
                 O brio impôs missão que outras airosas,
                 Porém rever o que não está direito
                 Urge, antes de as termos mais gravosas.
 
 
                         Antonio Carneiro (Bélier)
                         V.N.Gaia - Portugal
                         09/09/2007
 
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Thursday, September 6, 2007

 
 
                      0X1 ao Botafogo (R.P.)
                                      (Nau à deriva?)
 
                     Em noite negra,de maus resultados
                         Plena, também nos coube o dissabor
                         De ver, mais uma vez, parcos de alvor,
                         Do nosso time, os cuidos mal cuidados.
 
                         Eis que assim muito mal vão nossos fados:
                         Nem mesmo em nossa casa dá penhor
                         Este grupo por alvos de valor
                         Que, com sucesso os ganhe, colimados.
 
                         Antes de o Botafogo ter vencido
                         Este outro jogo enfim, que nos derrota,
                         Vence-nos mais a falta de sentido
 
                         Que entre os dirigentes se denota
                         Para traçar rumo estabelecido
                         Com sensatez por quem conheça a rota.
 
                             Antonio Carneiro (Bélier)
                             V.N.Gaia - Portugal
                             06/09/2007
 
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Sunday, September 2, 2007

                                          O Chinês

 
             Quase ao fundo da rua Mouzinho da Silveira, no Porto, situa-se o “Mar Norte”, modesto restaurante chinês, para onde é-me frequente ir à hora de almoço. Verdadeiro oásis no deserto da culinária carregada de gorduras aliadas ao perigoso colasterol da vida nossa de cada dia na cidade, este lugar transporta-nos, que por meros minutos sacados à angustiada labuta diária, ao velho oriente das miragens sadias e não conseguidas.
                 Por situar-se no norte do país, onde a “glutonagem” reclama por outros sabores mais carregados, às vezes falta o tofu - verdadeira fonte de proteína vegetal, advinda de uma das maiores riquezas que o Brasil possui, a soja - e então não é possível saborear o “shop-sue” do mesmo em chapa quente, um regalo ao paladar e ao organismo, que não agride, como sói ocorrer com as febras, as “francesinhas”, os presuntos, os leitões e outros bichos.
                 Sexta-feira havia tofu e então ficou escrito no guardanapo branco de papel:
 
 
                                               O “Mar Norte”
 
                       Chinês é o restaurante onde me ensejo
                             De hora passar de almoço, hiato fugaz
                             Do confuso viver, que me dá paz
                             Por refletir em seu caudal cortejo.
 
                             Há tofu? Sim. Em breve já me vejo
                             Ante a travessa a fervilhar, assaz,
                             Apetecida a me enviar, voraz,
                             Da gula aos preitos, de glutão cotejo.
 
                            O alho cru se serve, sem pedi-lo:
                            Eis que o Chang conhece bem meus zelos,
                            Que há tanto tempo dá de conhece-los:
 
                            O chá completa, e o arroz branco, fi-lo
                            Acompanhar, a refeição, aquilo
                            Também, que em complemento fiz trazê-los. 
 
                                    Antonio Carneiro (Bélier)
                                    V.N.Gaia - Portugal
                                    02/09/2007
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