Sunday, October 28, 2007

           
                                          A pantera domada

               O nosso conhecido e (mal) lembrado Márcio Ribeiro volta-nos a aparecer, agora como “coach” do Botafogo de Ribeirão Preto. Que sorte, a nossa… Constituiram-se em dois autênticos passeios estes dois jogos das quartas de final, que já deveria estar definida desde o primeiro jogo, não fora a calamitosa atuação dos árbitros, que continuam os mesmos de sempre.
               Ora, o prezado amigo, conhecido como o “cauteleiro”, tratou de tirar os dentes e as unhas da “pantera”, que não é cor de rosa, mas tricolor e o bicho selvagem transformou-se num inofensivo gatinho de madame, cheio de medo e arrepios. No total, foram cinco gols sem resposta e, destarte, estamos já entre os quatro melhores da prova, o que prova (passe a homonímia) que este grupo, apesar de todos os percalços muitos da competição, possui brio e demonstra estar unido e motivado para mais uma conquista.
               Não podemos deixar de referir que é muito animador para todos os torcedores afeanos, já cansados de tanto sofrimento nos tempos últimos, constatar que há de fato um trabalho sério empreendido pela S.A., que, em assim sendo, só pode resultar bem para o futuro. Neste contexto, só nos importa apoiar os nossos dirigentes, augurando que o sucesso coroe sempre a sua boa administração, admitindo-se, todavia, que também faz-se necessário contar com um pouco de sorte para que os resultados apareçam sempre.
               Ainda sobre o jogo de ontem, causou-me certo espanto o fato de o hino nacional, interpretado antes do início do prélio, tivesse as suas duas - e longas - partes cantadas. Ora, para quem está na Europa, acostumado a ouvir o nosso hino ser tocado a menos de 30 por cento do total, nas competições que por cá se desenvolvem, sem que ninguém proteste, a não ser eu mesmo que já o fiz com indignação, é muito estranho observar que no Brasil se façam ouvir as duas partes. O hino brasileiro, com uma só parte, já é muito comprido e no estrangeiro não é respeitada a sua execução integral. Por que no Brasil as autoridades querem impor-se como panteras e no exterior viram gatinhos de madame, como o time do cauteleiro?

                                
 
                                3×0 ao Botafogo (R.P.)
                                  (A pantera domada)

                                    E eis o “cuteleiro” no caminho,
                                    Por sorte nossa como adversário
                                    E disto logo vem por corolário
                                    Largo triunfo em casa do vizinho:

                                    Faz da “pantera” um gato tão mansinho
                                    Que o rabo encolhe em vias do cenário
                                    Da luta e põe-se a defender, sectário
                                    Do medo, em seu jaez curto, mesquinho.

                                    Assim nos apuramos novamente
                                    Entre os quatro primeiros da jornada
                                    Para as semi-finais de consequente,

                                    Como um time que somos, de chegada
                                    Que às glórias vai tornando, irreverente,
                                    De audácias pleno, em luminosa estrada.

                      Antonio Carneiro (Bélier)
                      V.N.Gaia - Portugal
                      28/10/2007      

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