Friday, November 16, 2007

                           O objeto misterioso
 
       E.t.: Este espaço ficou fora de atividade por alguns dias devido a problemas com o “servidor” do mesmo, que neste caso deixou de servir para desservir. Aliás, é mister que se diga, o cibernético alicerce em que toda a atividade do mundo anda apoiada mostra-se frágil. Imagine-se um dia em que falte o computador. Que acontecerá no planeta?
              Eu diria, não sei se com exagero ou não, os serviços todos de apoio a esta impoluta sociedade dita civilizada vão ruir como um castelo de cartas. E quem vai ganhar com isso? Os mesmos, como é claro, os donos do ouro, o sionista jaez deste conturbado reino do anti-Cristo.

              De um polo (que não é del nero) a outro, na quinta feira, dia 8/11 escrevi com indignação imensa o soneto que vai transcrito abaixo, ao depois de saber da palhaçada em que se converteu o julgamento do caso Linense. Ora, em dois dias os senhores juízes transformaram uma sentença de punição do clube com cinco jogos de interdição de seu estádio emais uma coima, em absolvição total. Alegadamente porque apareceu o energumero que atirara uma garrafa na cabeça do treinador do Guarani no jogo em que tal evento ocorreu. Ou seja, a defesa apresenta o pretenso autor do ato aborígene (sem ofensa aos pobres índios, tão civilizados em relação a alguns ditos homens de bem) e está tudo perdoado, salve-se o circo do elefante de qualquer agravo. O episódio, de certa forma foi útil por mostrar que a inspiração para o alexandrino me aflora na euforia ou na indignação.
             Não era difícil prever o desfecho da grotesca situação. A Ferroviária não tinha a menor chance de vencer o Linense e ir às finais. Lembrei-me então de um programa humorístico que eu ouvia nos tempos de garoto, transmitido pela hoje extinta Rádio Mayrink Veiga, no Rio de Janeiro. O programa chamava-se “Marmelândia, o país das maravilhas” e um de seus quadros descrevia um “objeto misterioso”, de cor abóbora, tal como eram as antigas cédulas de mil cruzeiros (as de maior valor no padrão monetário da época), o qual quando aparecia em cena mudava as opiniões mais renitentes. Que objeto seria aquele?
            Hoje o objeto misterioso evoluiu com a tecnologia, ampliou a sua área de influência, pela política e nefanda ação de seus manuseadores. Serve para promover o tráfico de influências, para financiar campanhas de publicidade, para corromper os costumes pela mídia, para distorcer qualquer tipo de parecer jurídico, via troca de favores e para tantas coisas mais, que é até ridículo de minha parte estar a citar exemplos, tão podre é o nosso ambiente quotidiano. Quando depois somos obrigados a ouvir ou ler comentários aqui na Europa de que o Brasil não é um país sério, calha-nos de refletir bem: os “caras” têm razão.
            Para saldar parte de sua dívida de gratidão para com a F.P.F. e o seu patriarcal T.J.D., a diretoria do Linense convida o sr. Marco Polo del Nero (mama mia…) para assistir ao passeio de seu garboso elefante no picadeiro próprio, apinhado de assistentes prontos a entrar em cena, se necessário, diante da pobre e pré-vencida Ferroviária, mero coadjuvante do espetáculo, vítima condizente - porque tudo aceita sem sequer protestar - da armada pantomima. Aliás, sobre isto, devo dizer que ouvi o sr. Bruno José Ópice de Matos dizer, no domingo anterior, ao depois do primeiro jogo, empatado por eles em um gol, que não era necessário acompanhar o julgamento do caso em São Paulo. Eis que estava lá o dr. Gazola(cuja bola afinal era murcha…) para defender os interesses do Guarani, que eram também os da Ferroviária - por tabela - quando já se sabia que o caso do “bugre” estava perdido, até porque o Linense já havia feito o primeiro jogo das semi-finais. Santa ingenuidade… Se continuarem assim, vamos ver a nossa AFE de volta À A3 no próximo ano, sem apelo nem agravo. Neste contexto, árbitro nem precisou interferir, apesar de os seus auxiliares mostrarem a clara tendência em alguns lances, posto que o elefante voava em céu de brigadeiro. Parecia o Dumbo…
           E foi o que se viu. Mais outra chance é desperdiçada pela Ferroviária, sobretudo a de ir para a série 3 do Brasileiro, pois na Copa Brasil a chance de sair da primeira rodada é zero, como já se viu. É um dos tais casos peculiares no Brasil em que o segundo prêmio vale mais que o primeiro: Repare-se no Bragantino.
          Agora, resta esperar pelo início do Campeonato da A2, para o qual queremos ter muita esperança, mas…

                            0×1 ao Linense
                   (O objeto misterioso)

               Qual será este objeto cuja rota inverte
               Da idéia nas cabeças desta dita honrada
               Gente que julga em tribunal de tida alçada
               Por competente e justa e em dias dois converte

               A sentença que um réu condena e a reverte
               Numa total absolvição por consagrada
               Margem de decisão de seu jaez instada
               Sem para tal haver razão que isto acoberte?

               Terá por dimensões arbítrio tão extenso
               Que exceda os bons limites que a justiça obtém
               Dos juízes que exercem seu melhor consenso

               E os faça cegos quais, do bom juízo aquém
               Para sorver da iniquidade o podre intenso?
               É desditosa a pátria que tais filhos tem!

                    Antonio Carneiro (Bélier)
                    V.N.Gaia - Portugal
                    15/11/2007

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Sunday, November 4, 2007

       
                       O infausto bicho

                Novamente o inevitável elefante a empatar o caminho rumo à final, ou às finais, da Copa, fato que já se vem tornando corriqueiro. Com efeito, em plena Fonte, o paquiderme pôs-se de pedra de entrave e manteve a sua vantagem neste jogo de 180 minutos.
               Pelo que ouvi, faltou-nos uma certa audácia quando, após sair na frente, o time deixou o adversário encompridar-se e bem sabemos de outros espetáculos como se eriça a tromba deste estranho bicho.
               A meu ver, há que ressaltar dois importantes detalhes: primeiro, a acuidade do excelente treinador (ou domador) do animal, o notável Vilson Tadei, velha raposa (daria uma fábula engraçada ver uma raposa a adestrar um elefante…) do futebol, acostumado a dar nós táticos na Ferroviária; segundo, os sentidos desfalques que impedem o nosso time de se melhor entrosar jogo a jogo, sobretudo devido a constantes contusões de atletas fundamentais.
               Não há de ser nada, eis que o elefante sempre atrapalhou, mas nunca nos tirou nada efetivamente, desde os longínquos tempos do início da década dos cincoenta.
               Vamos a Lins ou lá onde seja, aliás como deve ser, pois a justiça não se pode furtar a prevalescer diante dos acontecimentos passados no circo dos horrores do elefante, de que foram vítimas os indefesos bugrinos, faz uma semana. Aliás, é hora de agir junto à Federação para que não adiem este julgamento.
               Com a palavra e com as esperadas ações, o nosso Jurídico… 

                    
                          1×1 ao Linense
                        (O infausto bicho)

                   Incômodo elefente, infausto bicho
                       Que sempre empata nossa senda, embora
                       Nunca nos tenha arremetido fora:
                       Eis maldição, que talvez por capricho

                       Da tromba exale, qual de água esguicho
                       Que encharca a via e mais não se demora,
                       Estrago vil, a inopinada mora
                       Trazer às caminhadas, pau de espicho,

                       Porém que há de ser o que já dado
                       Soeu de ser e há de ser ainda,
                       Em picadeiro seu, ou emprestado,

                       Pois o animal terá decerto finda
                       A sua audácia enfim, domesticado,
                       Porque a final nos há de ser advinda.

                  Antonio Carneiro (Bélier)
                  V.N.Gaia - Portugal
                  03/11/2007

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