Sunday, March 30, 2008

                           A página da AFE na Europa
                                           (www.poemafeano.blog.com)

                              
                                Alegria! Estamos nas finais…

                 Não podemos nos conformar com o inconformismo de nossoa adeptos, a começar pelos próprios encarregados da comunicação, via rádio da cidade, diante do resultado conseguido pelo time ante o Mogi-Mirim, hoje, na Fonte. Era evidente que o empate servia, pois somente uma quase impossível combinação de resultados não nos conferiria neste jogo a almejada classificação. Ademais, com o transcurso dos jogos, as informações a chegar quase instantaneamente quando os resultados se alteravam, seria de esperar que alguma tranquilidade fosse passada, sobretudo aos torcedores presentes ao estádio.
                Este episódio fez-me lembrar de um jogo entre o Brasil e a Iuguslávia, pela Copa do Mundo de 1954, que, empatado a um gol, dava a classificação aos dois times. Enquanto os jogadores iuguslavos tentavam dizer aos brasileiros que o empate classificava os dois, estes desesperavam-se no campo, atiçados pela comissão técnica, comandada pelo sr. Zezé Moreira, por desconhecerem o regulamento.
                É de louvar a atitude do novo treinador, o sr. Luiz Carlos Ferreira que, já ao intervalo, chamava a atenção para o fato. Muitas vezes, mais vale garantir o conseguido do que arriscar perder todo o resto. E, penosamente, nós já assistimos a esse doloroso filme. O XV de Jaú, hoje caído nas malhas da desgraça em que já nos enfiou, que o diga…
                Quanto ao jogo, há pouco a comentar. Sabemos que o grupo tem limitações, mas pode conseguir a promoção à sonhada primeira divisão, porque os outros também as têm. Se alguns, como o Atlético, o Santo André, o Botafogo e o próprio Mogi-Mirim estão a subir agora, poderão descer depois. Lembremos do ora estrambelado Olímpia, que foi o oitavo no ano passado, na divisão A3 - primeira fase -  e acabou por vencer no final. A salientar apenas mais um penalty não marcado a nosso favor. Isto sim é preocupante: campeonatos e promoções não se ganham somente no campo. Infelizmente.
                Tiremos, pois, o sorriso amarelo da cara. Alegria geral, pois o primeiro passo foi dado. Estamos entre os oito que vão disputar as vagas de acesso à primeira divisão! Esta é uma ótima notícia.

                                   0×0 ao Mogi-Mirim
                      (Alegria! Estamos nas finais…)

                              Faltou o gol, mas não a alegria
                              Da classificação, embora houvesse
                              Um certo ceticismo, eis não coubesse
                              O mau pensar, até por teimosia.

                              Limitações porém há e seria
                              Leviano se dizer que não dissesse
                              Algo a temer a todos e lhes desse
                              Total certeza em tudo que se avia.

                              Estamos nas finais, e o resto afora,
                              Que adejem entre Zéfiros sonhados
                              Suaves, nossos sonhos por agora

                              Para depois então, que limitados,
                              Entremos para a decisiva hora
                              Rumo aos objetivos colimados.

              Antonio Carneiro (Bélier)
              V.N.Gaia - Portugal
              30/03/2008
                       

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Friday, March 28, 2008

                                 O Quinto Evangelho
                                   (Didymos Thomas)

                          Sentença 2

                “Quem procura, não cesse de procurar até achar; e, quando achar, será estupefato; e, quando estupefato, ficará maravilhado - e então terá domínio sobre o Universo.”

                 Roda da vida: eis na periferia
                 A alongar-lhe o raio, inconsequente,
                 O homem, a buscar perenemente
                 A fonte da riqueza e da alegria:

                 Iludido do mundo, em vão porfia,
                 Pois do centro se afasta inutilmente,
                 Onde se encontra a força e em consequente
                 O movimento cessa, que o desvia;

                 Até que, exausto de tais desenganos,
                 Começa a descobrir-se e, deslumbrado,
                 Desfaz-se dos seus vícios mais profanos,

                 Que entende possuir todo o legado,
                 O Deus em si, do Universo os planos:
                 Pois, tudo e mais, que havia procurado!

              Antonio Carneiro (Bélier)
              V.N.Gaia - Portugal
              28/03/2008

                  

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Thursday, March 27, 2008

                           A página da AFE na Europa
                                   (www.poemafeano.blog.com)

                                            Alívio

                   Sob novo comando técnico, viu-se a Ferroviária respirar fundo, de alívio, ontem à noite na Fonte Luminosa, ao vencer a Portuguesa com dois gols sem resposta. E nós também, conquanto ainda não esteja definida a vaga para as finais, como já deveria estar. É preciso vencer domingo, também na Fonte, o Mogi Mirim, para não depender de combinações de resultados e viajar a Birigui para um passeio dominical, uma semana após.
                   Por cá, não se pode acompanhar o jogo inteiramente, eis que, por falha nas comunicações (em pleno terceiro milênio, pode?), a rádio da cidade deixou de transmitir quase todo o primeiro tempo e, ainda por cima enfiou no ar uma música tétrica e repetitiva, própria para deixar o pobre torcedor ainda mais apoplético do que já estava. Ora, tanta música para por e logo aquela. A título de sugestão, que tal porem o Elvis ou o Chet Baker ou o Aznavour, por exemplo. Ao menos o tempo passava mais depressa…
                  Todavia, o gélido “placar ao vivo” do “Futebol Interior” lá apontou, bem antes da rádio, o gol do Chimba (que outra vez não vai jogar por castigo) e o ambiente ficou bem melhor. Depois, o “herói do sertão” fez o seu e as coisas se resolveram.
                  Não é prudente contar com o ovo…mas parece-nos, salvo melhor juízo, que está quase obtida a classificação às finais. É tempo pois de reflexão, sobretudo para avaliar que com esse futebol acanhado (sem atitude, como está na moda dizer-se) não vai dar para subir à divisão primeira. Urge melhorar muito e, para tanto, contamos com a competência do novo treinador - a quem devo pedir desculpas por haver trocado seu nome no artigo anterior, o senhor Luiz Carlos Ferreira - o qual ouvimos falar ao final do jogo. E pelo que ouvimos, parece-nos cauteloso e político, do tipo que tenta fazer um bom ambiente, principalmente junto aos veículos de comunicação social. Não está errado ao agir assim, antes pelo contrário. Que possa ser muito feliz.
                  Domingo, há um osso duro para roer, o Mogi Mirim, que certamente não vai jogar como o Santo André ontem ante o São Bento (que estranho, não?). Se vencermos, estamos lá, sem depender de ninguém. Assim seja.

                              2×0 à Portuguesa (Santos)
                                        ( Alívio )

                            Novo comando imposto, eis de contente
                                 A vitória a sorrir, caminho aberto
                                 À classificação, que é quase certo
                                 Para as finais obter, rapidamente.

                                 Preciso é porém se ter em mente
                                 Que a meta a atingir não está perto,
                                 Fincada em sítio hostil, assaz coberto
                                 De núvens da dificuldade ingente.

                                 Há um tempo em que importa refletir
                                 E este mostra estar bem refletido
                                 Nas atuais nuances, por seguir

                                 A firme passo e largo, convencido
                                 De que pode este grupo conseguir
                                 O que almeja, de há tanto perseguido.

             Antonio Carneiro (Bélier)
             V.N.Gaia - Portugal
             27/03/2008

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Tuesday, March 25, 2008

                        A página da AFE na Europa
                          (www.poemafeano.blog.com)

                               A queda de Edison Só

                 Como por aqui se diz, aconteceu pelas hostes afeanas mais uma “chicotada psicológica”, sendo desta feita vítima o técnico Edison Só. Não nos surpreendeu tal notícia, posto que, ao que nos parecia à distância, já um clima de insatisfação era visível entre os jogadores, muito isto refletido nas aparentemente inexplicáveis mudanças que eram feitas de jogo para jogo, afora algumas atitudes que os atletas andavam tomando nos últimos jogos, corroborando todo esse quadro para um afundamento do time na tábua das classificações, quando por esta altura, a manter-se o nível inicial, já deveríamos estar pensando nas finais.
                 No futebol, mesmo aqui na Europa, a não ser em clubes muito bem estruturados, este acontecimento é banal. Como dizia o saudoso Otto Glória: “se o treinador vence, é bestial; se perde, é uma besta.” Por outro lado, é preciso entender a posição de quem administra, pois se observa uma quebra no comando, algo precisa fazer. Todavia, é de referir, a bem da justiça, que sob o comando do recém demitido técnico, obtivemos a taça da F.P.F. e o acesso à A2. O saldo foi, destarte, positivo, de seu trabalho.
                 Quanto ao novo comandante técnico, José Luiz Ferreira, entendemos que tem excelente curriculum, porém, afastado há muito tempo do Brasil, devo confessar que não conheço em detalhe o seu trabalho em outros clubes. Que tenha muita sorte e sucesso e, por suas mãos, o barco, feito em locomotiva, possa chegar ao objetivo almejado, partindo já desde amanhã, do porto da Fonte Luminosa para o ancoradouro almejado da divisão maior.

               Antonio Carneiro (Bélier)
               V.N.Gaia - Portugal
               25/03/2008

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Saturday, March 22, 2008

     
                           A página da AFE na Europa
                             (www.poemafeano.blog.com)

        
                               União, é preciso

                    Novamente, foi triste saber da prestação do time da Ferroviária em São José do Rio Preto, ante o despedaçado América. E mais triste ainda é conhecer que, ao que parece, algumas rixas internas estão a dividir e até mesmo a desmotivar o grupo, que também prima pelo desequilíbrio emocional, como facilmente se pode constatar pelo exagerado número de cartões amarelos e vermelhos acumulados, a impedir que um trabalho de continuidade possa ser levado a cabo, visando à formação de um conjunto harmonioso, hábil de constituir uma boa equipe de futebol.
                   Por outro lado, certas decisões técnicas não têm, a nosso ver de plagas distantes, sido lá muito coerentes, eis que, para além dos desfalques forçados pelos castigos e contusões, o time sofre sempre modificações por opção técnica. Destarte, ainda não compreendemos porque o Eder foi barrado; porque hoje jogou o Jerônimo (o herói do sertão dos tempos saudosos) ao invés do Paulo Henrique; porque jogaram juntos o Osni e o Fabinho, ainda que soubéssemos que o Marcelo não estivesse a cem por cento fisicamente. Alguns atletas que vieram já foram dispensados, outros estão sempre lesionados, como é o caso do Fábio Duarte (que erradamente no comentário anterior chamamos Tiago Duarte), elemento que faz imensa falta, pois não temos alas. Julgamos, salvo melhor juízo, que tudo isto só contribui para o desmantelamento de um projeto que, apesar dos pesares, lá ia dando certo.
                   Lamentavelmente, hoje perdemos para um time medíocre, mais uma vez diante de pouco mais de uma centena de testemunhas, o que agrava  o fato, pois que  inibe qualquer desculpa  de  o jogo  ter  sido
jogado em alheios pagos. Todavia, isto deve ser minimizado, na medida em que, se não o for, as consequências poderão ser catastróficas. Urge apoiar o time nos dois jogos que se seguem na Fonte, principalmente neste primeiro, diante da Portuguesa Santista, dado que o Mogi-Mirim é carne de pescoço. Esqueçamos as mágoas passadas e olhemos sobretudo para o objetivo: pontos para a classificação às finais. Depois, é outra conversa.

                           0×2 ao América (S.J.Rio Preto)
                                 (União, é preciso)

                          Denota-se uma derrocada ingente
                               Nesta reta final, e logo agora,
                               Oriunda de fatores que demora
                               Quem desta equipe está, da fase, à frente.

                               Esta derrota impõe-se contundente,
                               Que imposta por medíocre time, embora,
                               Cuja campanha é triste, portas fora,
                               Tenha sido a partida de ocorrente.

                               Algo vai mal, urge acudir comando
                               Por reunir o que vai desunido
                               Antes de o rumo se haver nefando:

                               Importa mais trazer-se o grupo unido,
                               Inda que à custa de aldravas, quando
                               Tudo vai ser por breve definido.

              Antonio Carneiro (Bélier)
              V.N.Gaia - Portugal
              22/03/2008
                               

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Friday, March 21, 2008

                                 O Quinto Evangelho
                                   (Didymus Thomas)

      
                     Nesta sexta-feira santa, iniciamos um trabalho para o qual não nos sentimos individualmente capacitados, se não assistidos por entidades superiores que nos incentivam a prosseguir, animando-nos o estro para tal alvitre. Que elas continuem sempre a nos fornecer a inspiração necessária, sem o que esta faina resulta como muito afastada de nosso acanhado alcance.
                     Particularmente, assinalamos agradecido preito de homenagem ao nosso querido mestre Manuel Maria Barbosa du Bocage, cuja alma iluminada clareia-nos amiude os caminhos intrincados da rima, no rumo de sua inexcedível métrica. Também humildemente agradecemos ao extraordinário filósofo cósmico Huberto Rohden, cuja obra escrita como comentário de jaez elucidativo às sentenças de Jesus transcritas pelo apóstolo Tomé, serviu como parâmetro de balizamento à maior coerência das interpretações. Certamente, a sua aura espiritual também está a perfilar-se junto à falange de nobre estirpe que nos orienta.

                                                Introdução

                      
                     Num antigo cemitério do Egito, mais precisamente em Nag Hammadi, foram descobertos, no ano de 1945, alguns potes de barro, contidos de manuscritos em caracteres coptas.
                     Alguns anos mais tarde, examinados com maior rigor, constatou-se que estes antigos escritos continham algumas sentenças, introduzidas com a seguinte frase:
                    “Estas são as palavras secretas de Jesus, o vivo, que foram escritas por Didymus Thomas.”
                    Em grego, Didymus pode ter o significado de gêmeo ou irmão, por extensão apóstolo, o que nos refere ao apóstolo Tomé, quase totalmente ignorado pelos quatro evangelistas _ Mateus, Lucas, Marcos e João - posto em evidência somente pela sua atitude de descrença, tomada ao depois da ressurreição do divino Mestre. Ainda hoje é de corrente uso a expressão: “Sou como São Tomé: Preciso ver para crer.”
                    Todavia, destes cento e catorze aforismos que coligiu e depois transcreveu nos citados manuscritos, torna-se claro que Tomé, de tanto descrer, acabou por transcender a descrença e a própria crença, alcançando os níveis da fidelidade, a pura fé, pelo exercício da intuição mística, capaz de viver o Cristo em sua essência.
                    Este presente, e talvez bem presunçoso trabalho, que humilde no reconhecimento de suas limitações, tenciona espelhar em sonetos alguma desta extraordinária expressão mística, intuída pelo apóstolo Tomé. 

                                       Sentença 1

                “Quem descobrir o sentido destas palavras, não provará a morte.”

              
                Desperta o “kundalini” (1) e já rasteja
                   Em plano horizontal e, consciente
                   Do ego que o personaliza em gente
                   O homem segue a trilha que ora enseja;

                   Por milênios prossegue, em vão coteja
                   Valores vãos do mundo em que, presente,
                   Supõe fincar raízes por descrente
                   De sua real origem, que o sobeja.

                   A morte vem, de vida em vida achá-lo
                   No mesmo rastejar que a kundala
                   Teima seguir, para em mortal teimá-lo

                   Até que um dia enfim consegue instá-la
                   De a vertical se erguer e então deixá-lo
                   Cônscio da eterna vida em toda escala.

        (1) Kundalini, na filosofia do oriente,significa serpente por comparação e identifica-se como símbolo da energia cósmica universal. Esta simbolizada serpente dorme no chakra inferior da coluna vertebral, enquanto o homem é puro por ignorância e desperta, começando a rastejar no plano horizontal da ego-consciência humana, isto é, quando o homem desenvolve o seu intelecto. Quando esta serpente suspende a cabeça e se verticaliza, entra o ser no caminho da cosmo-consciência, que o leva à identificação consciente de sua natureza divina. Tal como dizia o Cristo: “Eu e o Pai somos um.”

              Antonio Carneiro (Bélier)
              V.N.Gaia - Portugal
              21/03/2008

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                          A página da AFE na Europa
                                  (www.poemafeano.blog.com)

                                         Luta escusada


                  Pelo que ouvimos por cá, para defrontar a Internacional em Limeira, cidade relativamente próxima de Araraquara (cerca de hora e meia ou duas de viagem), a delegação afeana deslocou-se na véspera, pernoitando em hotel. Ora, nem mesmo por estas européias bandas, onde existem clubes milionários, cujos orçamentos roçam os muitos milhões de euros, observa-se tal desperdício de verbas.
                  É evidente que, à distância, o juízo é difícil de estabelecer, todavia certos parâmetros bem podem ser avaliados, tais como este: Não será demasiada mordomia que a diretoria afeana dispensa a um plantel que não tem nada de requintado um fator hábil de concorrer para maus alvitres? Como, por exemplo, a subestima de adversários menos favorecidos na classificação?
                  Penso que o que se viu no jogo de quarta-feira passada tem algo, ou talvez muito a ver com este contexto. Pelo que conheço, a Inter possui um excelente campo, capaz de oferecer plenas condições para um time com certa categoria desenvolver o seu futebol com desembaraço, havia cento e oitenta e sete almas vivas a testemunhar o evento - algumas das quais de aura grená - ou seja, pressão nenhuma sobre os atletas, a arbitragem foi correta até onde sei, o adversário “invicto” de vitórias em casa, enfim tudo favorável, e então?
                  Começamos por estranhar porque o Eder foi barrado pelo Tuti (já no jogo anterior). Eis que em muitos jogos salvou-nos a pátria, inclusive no último de que participou. E o Laerte, não joga por que? Temos um lateral bastante razoável, Tiago Duarte, que também deixou de jogar há muito por contusão que nunca se cura, aliás nas alas está um ponto muito débil do nosso plantel e para um clube que contrata tantos jogadores como é que isto é possível? Os defesas continuam a falhar sucessivamente. Não temos nenhum central categorizado, e isto já vem desde a saída do Mauro. Alguns atletas tomam atitudes irresponsáveis, como a do Chimba, que nos custou a redução do time a dez unidades em boa parte da partida.
                  Não fora tão fraco o adversário, de tantas tradições passadas, mas hoje completamente esfacelado, lanterna vermelha da competição, e teríamos amargado pesado revés. Ao final do prélio, sofremos um sufoco terrível, que nos levou o time todo quase para dentro da própria baliza, um “deus nos acuda” incrível. Há que repensar, assim julgamos, esta situação. Afinal, já apenas três pontos nos separam do oitavo colocado, o Botafogo R.P.. Sábado, há outra aparente “carne assada” em São José do Rio Preto, que o América, também tão tradicional, anda andrajoso pelos caminhos que levam ao inexorável rebaixamento. É pena, mas vale assinalar que se a situação fosse inversa, não haveria qualquer complascência a nosso favor.
                  Há que garantir a classificação às finais o mais rapidamente possível e depois planejar muito bem a participação nessa fase decisiva, porque com esse futebol ultimamente apresentado será mais fácil “um boi voar” do que subir à primeira divisão, como é nosso objetivo.

                                    1×1 à Internacional (Limeira)
                                      (Escusada luta)

                                        A Inter de Limeira que foi já
                                        De todos a primeira em vez passada
                                        Da divisão maior, hoje abalada,
                                        Fez-se rival em seu estádio lá.

                                        Seria, esperava-se, alvará
                                        Para vitória certa conquistada
                                        Inda que em casa alheia, condenada
                                        Há muito tempo a anfitriã está;

                                        Mas a Ferroviária jogou mal,
                                        O fácil em difícil convertendo
                                        E a lógica de si não deu sinal.

                                        Eis do recente o que estamos vendo:
                                        A concorrência perto e ao final
                                        Uma escusada luta acontecendo.

               Antonio Carneiro (Bélier)
               V.N.Gaia - Portugal
               21/03/2008

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Saturday, March 15, 2008

                          A página da AFE na Europa
                            (www.poemafeano.blog.com)

                                       Dos males…

                  Mais uma vez, as hostes defensivas do nosso time fizeram água e quase o navio, feito em locomotiva, foi ao fundo. Safou-se a reboque, na baía (ou na bacia) das almas, empatando o jogo, que se realizava na Fonte, graças a uma falha da defesa do adversário e, também é de dizer-se, à eficácia do nosso Marcelo Tevez, hoje escalado como titular, bem coadjuvado pelo bom jogador Cascata (que às vezes é um pouco cascateiro).
                 Merece reflexão a crônica escrita pelo nosso amigo Paulo Vidal em seu “site”: “www.afenet.com.br” respeitante ao último jogo diante do Monte Azul, no qual outros dois pontos ficaram por ganhar em casa. Destarte, o abnegado torcedor (sofredor como eu) faz inteligente análise sobre a fragilidade que se evidencia em nosso sistema defensivo, referindo que as ausências de jogadores como Leandro Donizete e Leônico fazem-se sentir, na medida em que, sem eles os zagueiros ficam mais expostos aos ataques dos adversários, sobretudo quando conduzidos pelas beiras do campo, sendo assim comidos como se comem os mingaus. Há jogadores que realmente fazem falta e muitas vezes os adeptos não se dão conta. Aqui em Portugal, chamam-se “trincos” e um se destaca bastante dos demais. Joga no F.C. do Porto, chama-se Paulo Assunção e é brasileiro, embora o Dunga não conheça. Sem ele, o Porto esfacela-se, como já de recente ocorreu, ficando os defesas, como aqui se diz, órfãos de pai e mãe. E ele não joga só, sendo seu coadjuvante um outro trinco, este português, chamado Raul Meireles.
                 Melhor exemplo ainda nos dão os “cínicos” italianos, que aparentemente são dominados e de repente ganham os jogos, isto desde o antigo “catenaccio”, como bem se lembram os menos novos, como eu. Com propriedade, escreveu o Paulo Vidal que, quando bem aplicado, o 3-5-2 torna-se mais ofensivo, eis que os alas (se souberem jogar melhor do que os nossos) libertam-se para aplicar a referida tática do mingau: comer os zagueiros pelas beiras do prato (ou melhor, do campo).
                 Hoje a Ferroviária jogou com um único trinco, ou porque jogava em casa, ou talvez porque não tinha outro e a defesa andou aos papéis em várias ocasiões, particularmente quando o Atlético atacava pelas laterais do campo. Saiu perdendo no primeiro tempo e só logrou empatar no final, levando ainda nos últimos minutos o sufoco de praxe, para apertar os corações afeanos, como já é hábito.
                 Menos mal, porque havemos de reconhecer que este time de Sorocaba está melhor armado do que o nosso. Entretanto, é preciso jogar com o olho no regulamento: Para já, ficar em primeiro ou em oitavo dá no mesmo. Recordemos o que ocorreu no ano passado (na A3): o campeão foi exatamente o oitavo da fase inicial. Porém, não podemos “dormir de touca”: o técnico deve colmatar as deficiências e armar o time para as finais, sem descurar de que ainda precisamos ganhar sete ou oito pontos. E isto não está assim tão difícil. Haja fé.

                                 1×1 ao Atlético (Sorocaba)
                                 (Dos males…)

                          Na Fonte mais dois pontos são perdidos:
                               De seis são quatro então, em jogos dois;
                               Que falta não nos façam lá, depois,
                               Os somatórios sendo concluídos…

                               E louvemos ainda, que saídos
                               De um sufoco outra vez, e quase pois
                               É dizer-se aos atletas: “Por quem sois,
                               Que andais das fainas tão comprometidos?”

                               Mas há que referir, é necessário
                               Pontos amealhar, que faz-se igual
                               Ser primeiro ou oitavo, em corolário

                               De um regulamento que afinal
                               Deixa das decisões o itinerário
                               Distante desta fase, bem ou mal.

              Antonio Carneiro (Bélier)
              V.N.Gaia - Portugal
              15/03/2008
                              

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Thursday, March 13, 2008

                             A página da AFE na Europa
                                (www.poemafeano.blog.com)

                      Não foi famosa a noite de ontem na Fonte. Talvez um pouco para o limitado time do Monte Azul, tradicional adversário a nos impor respeito sempre, capaz de arrancar-nos dois pontos, depois de estar em desvantagem por duas vezes no marcador e de ter um jogador expulso em boa parte do jogo. Dir-se-á que o gol do alcunhado Tupã - que em assim não é o deus do Brasil, mas um jogador de sofrível qualidade - terá sido antecedido de falta, não marcada, sobre o nosso “player” Osni, todavia isso não serve por desculpa. Eis que o fato é que, em momentos cruciais ao longo de vários jogos, o grupo demonstra pouca confiança em suas próprias capacidades e deixa-se sufocar pelo adversário, sobretudo quando empata fora de casa ou quando está em vantagem tangencial nos jogos caseiros.
                      E neste contexto, pouca ambição demonstra e tal nos preocupa. É de lembrar que, no final da partida, mesmo depois de levar o gol de empate, foi um “deus nos acuda” em nossa defesa e, não foram o Eder e as traves amigas, teria o escândalo ocorrido sob os refletores da velha Fonte. E atenção, que vem aí um dos “bichos papões”, o sorocabano Atlético.
                      Aplica-se neste caso um adágio bem pertinente: “Quem não pode com o pote, não pega na rodilha.”

                                 2×2 ao Monte Azul
                            (Senda nublada)

                           Em circunstâncias tais não se admite,
                           Que em casa já não se admitiria
                           Para quem vôos altos mais teria
                           Almejado, empatar, nem se acredite,

                           Se um grupo quer se ver de outros na elite
                           Em meio, pouco se acostumaria
                           A ver-se sufocado na porfia
                           Onde vantagem traz de amplo limite.

                           Faltou, mais uma vez, a confiança
                           Eclipsada afinal da timidez
                           A nublar-nos a senda da esperança:

                           Pensar grande é mister de bom jaez,
                           Do vencedor alvitre que o avança
                           Às metas alcançar, uma por vez.

              Antonio Carneiro (Bélier)
              V.N.Gaia - Portugal
              13/03/2008

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Sunday, March 9, 2008

                          A página da AFE na Europa  
                            (www.poemafeano.blog.com)

                                          Intermezzo

                    Hoje não há comentário a fazer sobre algum jogo, eis que o já fizemos sobre a última contenda, em que vencemos (e bem) ao Oeste, em sua galinácea seara de Itápolis. Apraz então prolongar estes momentos de ventura, oriundos da boa campanha que o time apresenta para tegiversar um pouco, primeiro sobre esse próspero período que vivemos; depois também a respeito dos simples ou mansos, a parodiar talvez o grande Guerra Junqueiro, por que não?
                       Afinal, o poeta é sobretudo um ser sempre a divagar, seguro de que a divagação da vida é que estabelece a sua afirmação, e não a virtualidade em que se constitui a material existência, a aparentar uma coisa real que se dilui com a morte física para renascer na verdadeira realidade. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

                                    Reflexão a meio da tabela

                               Vencemos outra vez, já a terceira
                                     A festejar, consecutivamente,
                                     Mas a humildade há de estar presente
                                     Em jogos que virão à dianteira.

                                     De qualidade tal insta que à beira
                                     Também a confiança, consequente
                                     Da crença em nossa força, juntamente,
                                     Caminhe até ao fim, a rota inteira.

                                     Inda momentos rudes hão de vir:
                                     Cabe enfrentá-los com serenidade,
                                     Sem queda em nossos brios consentir

                                     Até que ao mundo todo, da cidade,
                                     Um grito há muito preso faça ouvir
                                     Seu clamor de invulgar felicidade.

                                   Aos simples

            “Bem aventurados os mansos, porque herdarão a terra…”
              (Mateus, 5/5)

    
                            Saudosa Guilhermina

                              Eu me lembro de ti, tia saudosa,
                                    Quando em Lisboa pelas ruas passo
                                    E muitas vezes mais, ao descompasso
                                    Da vida atribulada e belicosa;

                                    Na atitude humilde, que vaidosa,
                                    Teu gesto sustentava a cada passo,
                                    Assinalando com desembaraço
                                    Neste mundo a vivência portentosa.

                                    Hoje, ausente de nós, é teu destino
                                    Decerto orar por todos da luz plena 
                                    Que te à alma fornece alvor divino

                                    E a face te revela tão serena
                                    Que o lembrá-la nos poupe ao desatino
                                    E a lida nos converta em mais amena.

                                  Humildade canina

                     
                                    Eu me lembro de ti, lesta e fagueira,
                                    A correr pela relva, desvairada,
                                    Numa velocidade alucinada,
                                    De outros cães a escapar, em dianteira:

                                    Recém-nata, chegaste à nossa beira
                                    Para de humildade ter-nos dada
                                    Uma aula vivida em dia cada  
                                    Dos modos que mostravas, na maneira:

                                    Era o saltar contente ao acordar,
                                    Ou quando alguém chegava, a saudação
                                    A conceder carícias no olhar;

                                    E mesmo agora quando a exaustão
                                    Impõe-se-te dos anos no galgar,
                                    Consola contemplar-te a mansidão.

                Antonio Carneiro (Bélier)
                V.N.Gaia - Portugal
                10/03/2008
         

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