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Malas desfeitas
Com uma frase: “Ser difícil juntar quem não se ajunta” arrematamos o nosso soneto, alusivo a mais esta jornada, para nós a última a valer, eis que as duas próximas servirão apenas como cumprimento de compromissos agendados. Alguém poderá julgá-la enigmática, todavia para entender um pouco o contexto desta campanha da Ferroviária, penso que oportuna, até pelo seu posicionamento de último verso.
Ora, futebol é um jogo de conjunto. Assim como não adianta jogar com muitos atacantes, também não logra de bom proveito o time que reúne inúmeros defensores, quase mal comparando como a estacionar um ônibus à frente da baliza. O nosso Catanoce, a quem - diga-se - nada pode ser cobrado, entendeu que era mister retrancar o time, mas certamente não o pode ensaiar com esta filosofia de jogo. Também talvez não sabia que, mesmo os nossos defensores demonstraram ao longo do Campeonato que não têm lá grande qualidade, esbanjando-se em pífias comprometedoras. De cabeças de área (aqui ditos trincos), só temos um razoável, o Vagner, o qual hoje não pode jogar, castigado por cartões. Bem tentou, mas não teve sucesso e depois de levar dois gols (de bola parada) voltou atrás e, no segundo tempo, pode ver o conjunto afeano render mais porque voltou a jogar nos moldes em que estava mais ou menos treinado. Não foi o suficiente, pois as limitações voltaram a impor-se e o inevitável instou-se: outra derrota, a quarta seguida, o que representa uma invencibilidade ao contrário, nestes jogos das finais.
Lamentar agora de nada adianta, porém é preciso compreender que muitos erros foram cometidos, a começar pelas contratações mal feitas, sem critério, a configurar uma autêntica colcha de retalhos, como já referimos. Havemos até de louvar o fato de nos classificar para as finais, para o que não estávamos preparados, como se viu. Ao menos não ficamos na angústia do possível rebaixamento e isto já pode ser tido como positivo, se levarmos em consideração que subimos ano passado à A2, embora este contexto nada tenha a ver com as tradições gloriosas da Ferroviária.
Tornando à frase do derradeiro verso, mais uma vez é preciso dizer: o trabalho de montagem de um bom time, de um conjunto harmonioso em suas linhas é árduo e longo, depende de um bem pensado planejamento e só pode ser conduzido por gente competente. Não se junta quem não se ajunta e para os ajuntar urge trabalhar com afinco, mas também com inteligência.
1×2 ao Santo André
(Malas desfeitas)
As malas da viagem aviadas
Com cuidadosa empresa às pretendidas
Estâncias a alcançar, hoje são tidas
De desfazer em vias apressadas:
Nada mudou, mas todas são mudadas,
As esperanças baldas convertidas,
Na realidade, em lágrimas sentidas
Que nossa mágoa exibem, derramadas.
Em escalão menor permanecemos,
Outra lição a estudar se junta
A tantas de que já nos esquecemos…
Neste contexto, a óbvia pergunta:
Quando será, enfim que entenderemos
Ser difícil juntar quem não se ajunta?
Antonio Carneiro (Bélier)
V.N.Gaia - Portugal
26/04/2008