A página da AFE na Europa
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A volta de Edison Só
Luís Felipe Scolari, o conhecido Felipão, não é nem nunca foi um técnico de futebol com notáveis conhecimentos estratégicos. Entretanto, poucos terão em seu Curriculum metade das suas conquistas, vincadas em honestos e eficientes parâmetros. Com efeito, após brilhante trajetória em clubes do Brasil, elevou-se ao plano internacional, mesmo bem antes de levar o “escrete” ao penta-campeonato mundial em 2002. Um ano após, arribou por estas terras lusas e, em pouco tempo conseguiu impor-se com as suas atitudes firmes, mas também eivadas de uma certa demagogia - no bom sentido - hábeis de fazer-se entender pelo “pagode” (como aqui se diz). Começou logo por barrar o Victor Baía, a exemplo do que fizera no Brasil com o Romário, armando-se destarte uma tremenda polêmica Porto X Lisboa, da qual soube tirar o melhor proveito para afirmar-se como lider do grupo.
Muito bem soube gerir outros episódios, a ponto de até mesmo despertar no povo português algo do sentimento nacionalista, talvez da própria saga heróica dos antigos navegantes, logrando fazer a “malta” adornar as janelas com bandeiras rubro-verdes, vir cantar às ruas atrás do auto-carro de seus ídolos futebolistas, dançar com alegria ao invés de carpir o fado, como soía de fazer ao apanágio das agruras do dia a dia, esquecer os políticos - que também disso assaz se aproveitaram, como é lógico - e assim, para além de unir o seu grupo de atletas, também uniu o povo, com as exceções que confirmam esta regra, em torno da seleção de Portugal.
De tudo isso, resulta que, já por aqui há cinco anos, milionário, famoso, estimado e prestigiado por quase todos, pode acrescer em seu “dossier” o vice-campeonato europeu em 2004 e o quarto lugar honroso no Mundial de 2006, de tão triste menória para nós, brasileiros.
Guardadas as devidas proporções, podemos cotejar o Felipão com o nosso Edison Só. Como aquele, logrou conquistar a Copa da FPF e subir à divisão A2, à custa de um trabalho honesto e profícuo, não o podemos negar. Todavia, não se pode dizer que reuniu, mesmo com os seus sucessos, em torno de si a confiança e o apoio irrestrito de seu grupo, e muito menos o respaldo da “galera” às suas opções. Não raro, teve de ouvir desagradáveis desaforos no campo de jogo, conquanto injusto jaez se haja de apor a tal evento, eis que o público - e o nosso ainda mais - é exigente e esquecido do que foi bom diante de algo ruim.
Adelgaçando estas e outras considerações aqui não expostas, entre as quais o famoso caso da “barração” do goleiro Eder pelo pitoresco e frangueiro Tutti, ao lado de contratações que teriam sido feitas de jogadores à sua revelia e de sua sempre titubeante palavra nas entrevistas que pudemos ouvir, insta-nos concluir que falta, salvo melhor juízo, ao prezado e competente Edison Só o que sobra no Felipão: voz de comando, qualidade de liderança. Enquanto aqui o Felipão mantém o Ricardo, que é reserva no Bétis de Sevilha, como goleiro da seleção, quando é sabido que outros há em melhor forma - e se alguém fala, logo se cala ou é calado por dois ou três - a maioria dos nossos adeptos não perdoa o treinador pelo caso Eder. Se amanhã o técnico quizer, por justificadas razões, trocar de novo um pelo outro (no futebol as coisas mudam), quando alguém falar, dois ou três não o rebaterão, mas hão de atear mais fogo à lenha. Que confiança terá o já desconfiado Tutti? Que segurança, o espicaçado Só?
Tivesse ocorrido a volta do Edison Só depois de um tempo considerável, quando a “poeira já se houvesse assentado”, para um trabalho menos ligado ao anterior, concordaria eu plenamente. Nesta altura, penso que não foi uma boa opção. E continuo a dizer: se quizessem trazer alguém de Lins, que fosse não o que lá nasceu, mas o que lá está, montado no Elefante: o basilar Vilson Tadei.
A volta de Edison Só
Regressa, a curto espaço assaz volvido,
De antigas lides, nosso comandante
Que de conquistas já nos pôs diante
Por molde a que jamais seja esquecido;
Porém ainda nos é bem revivido
O que demais recente se deu ante
O seu comando algo titubeante
Quando tudo ao final se fez perdido.
Ninguém contesta o supra-assinalado
Sem discorrer em voz de escasso siso,
Que oposta às evidências de seu grado,
Mas se, também de Lins, viesse aviso:
Vilson Tadei seria, contratado,
Uma melhor opção, a meu juízo.
Antonio Carneiro (Bélier)
V.N.Gaia - Portugal
25/05/2008