Liz I
Eu te cantei, embora não soubesse
“As long as I have you”, se me escutavas,
E, a medo de escutar-me, não contavas
Que a conter de me ouvires estivesse;
E mais cantei por que iludir pudesse
O teu ouvir, que assim não reparavas
Que era por ti meu canto e, pois, não davas
Por tanto amor que tanto eu te tivesse:
Destarte, em recitais de voz magoada
Deixei gravado este almo sentimento
Por nosso prédio de parede cada,
Eis que o viver não tive do momento
Em que ao acaso via-te chegada
Para de perto ouvir o meu lamento.
Liz II
Adentrarei do “G.I.Blues” um dia
Ao mundo airoso para ver-te ainda
Uma vez mais, esbelta, ágil, linda,
À sombra da janela, e fugidia,
Para roubar-te um beijo, em ousadia
De que furtei-me quando era advinda
A ocasião neste viver, e vinda
Para ficar envolta em nostalgia;
Porque neste orbe o Elvis nos desfaz
Das más memórias vãs as vãs tristezas
E recompõe tudo que nos compraz!
De “Pocketful of rainbow” nas belezas
Mergulho então faremos para a paz
Usufruir de todas as riquezas.
Antonio Carneiro (Bélier)
V.N.Gaia - Portugal
11/05/2008