Thursday, May 22, 2008

                             O Quinto Evangelho
                             (Didymmos Thomas)

                   Sentença 6:

                       “Perguntaram os discípulos a Jesus: Queres que jejuemos? Como devemos orar? Como dar esmola? E quais os alimentos que devemos tomar?
                       Respondeu Jesus: Não mintais a vós mesmos, e não façais o que é odioso! Porquanto todas estas coisas são manifestas diante do céu. Não há nada oculto que não seja manifestado, e não há nada velado que, por fim, não seja revelado.”

                       Não faz impuro o homem o que ingere,
                       Mas o que dele sai, dos quintos fundos
                       Onde seus sentimentos mais profundos
                       Conferem-lhe valor que o confere;

                       Nem de orações extensas muito espere
                       Quanto a solver seus males mais jocundos
                       Sem ter intentos justos quão fecundos
                       Que um reto conduzir sincero aufere.

                       Ações externas, que assaz louvadas
                       De nada valem com real jaez
                       Quando em sincero alvitre não calcadas,

                       Porque da hipocrisia a insensatez
                       E a vã mentira serão reveladas,
                       Que nada o não será, por sua vez.

                       Sucinto comentário:

                       Por muito preocupar-se com fatores externos, tais como a alimentação do corpo, o modo de orar a Deus, a necessidade do jejum e de modo geral a reputação de que desfruta diante dos outros, esquece o homem de cuidar de seu ser real, o Eu, que no fundo lhe comanda as ações, por consequência de suas reais intenções. Por corolário, surge-lhe a hipocrisia como fator fulcral de sua convivência com os demais e disto resultam muitas das incongruências do mundo: falsos juízos, promessas vãs, ilusões mal fadadas e tudo o mais que a “anti-ética”, digamos, do mau proceder conferem.
                       Despido da capa de seu ego material, revela-se o ser real e este muitas vezes, ao ver-se nu diante da realidade, corre a ocultar-se nas trevas que assim o defendem da própria vergonha.

              Antonio Carneiro (Bélier)
              V.N.Gaia - Portugal
              22/05/2008

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