Tuesday, June 24, 2008

                            A página da AFE na Europa
                              (www.poemafeano.blog.com)

               A “cascata” do dia:

                            Deco na Ferroviária!

            Aqui na Europa transcorre o Euro, como já bem se sabe. Para tristeza dos milhares de emigrantes portugueses, que andaram como desvairados atrás do time das quinas na Suiça, Portugal ficou pelo caminho, perdendo para os alemães conquanto estes jogassem com valores individuais mais fracos e muito menos “badalados”. O Cristiano Ronaldo (que chamamos Cronaldo para não confundir com o outro) vergou-se ao peso da fama que a mídia lhe impingiu, como “gênio da bola” e outros epítetos. Aqui, ainda mais do que no Brasil, é fácil alguém tornar-se “o melhor do mundo” da noite para o dia e depois, se o sujeito já por natureza gosta de “lustrar o ego”, pronto. O homem em tela mira-se nas telas das televisões do campo de jogo a cada jogada e a equipe paga o preço dessas momices. Todavia, os pobres emigrantes - que tanto sofrem a trabalhar duro fora de seus países e na realidade não têm ninguém por eles, e isto vale para os brasileiros também - foram compensados por ver jogar o notável Deco, contra quem os “panzers” germânicos nada puderam fazer. Que jogador formidável é este que em 2002 o sr. Scolari não quis convocar para a seleção brasileira, que o sr. Parreira (tão frondosa que não deixa passar qualquer luz) depois também não convocou e o nosso matusalém Zagalo referiu em  2003 não estar na sua lista “preliminar”. Ora, que faz essa gente afinal? Não são pagos para selecionar os melhores? Ainda não conhecem esse notável central Pepe, hoje no Real Madrid e que já brilhava por cá desde os tempos do Marítimo? E do incansável Liedson, que tanta falta faz a qualquer equipe, já ouviram falar? E o esteio do time espanhol, Marcos Senna, e tantos outros que têm de se naturalizar para aparecer nas seleções, porque na brasileira os lugares cativos são do Luisão, vulgo “espanador da lua”, do “imperador” Adriano (que mais parece um marajá glutão), do “fabuloso” Fabiano (que deve ter saído da fábula da rã que queria ser boi), do “flamengueiro” Juan ( o atual rei da domingada), do ultrapassado Lúcio, do “pedaleiro” Robinho (que deve ir como contra-peso no negócio do Cronaldo para o Real Madrid), já para não falar em Maicons, Julios Cesares, Mineiros e tantos outros intocáveis aldrabões, agora prestigiados pelo Dunga, anão da banda desenhada e das idéias, que nunca treinou time nenhum, senão esta seleção que anda em quinto lugar na fase classificatória do mundial 2010, arriscada a não se apurar. Pobre futebol brasileiro, que teve Pelé, Garrincha, Nilton Santos, Didi, Gerson, Rivelino, Zizinho, Parada, Romário, Ronaldo e tantos mais e vê-se agora representado por essa “mulambada”, como diz o nosso amigo Fábio Lourenço.
              O Felipão, por sua vez, já encomendou uma pipa cinco vezes maior do que aquela que aqui possuía para armazenar as massas que vai ganhar no Chelsea. Não se pode negar que fez bom trabalho por cá, sobretudo no âmbito do psicológico jaez, mas hoje em dia nem só nome de campeão e trabalho bem intencionado bastam. O futebol, tão inflacionado exige muita dedicação e estudo para fornecer resultados.
              Ponham os olhos, por exemplo, em treinadores como o holandês Guus Hiddink, que já fez os cangurus jogarem bola e agora montou um super time com os desajeitados russos, de que se exceptua por justiça o notável Arshavin, a estrela “molotov” da vez. E como calhava bem este meia na nossa AFE. Ele e o Deco…
              Ora, falando nisso, voltemos ao contexto de nosso humilde universo, onde também nada nos apraz de saber. O sr. Edison Só - oxalá esteja eu enganado - agora assessor do juventino Brida, tenta formar um time com os habituais refugos dos outros. Até o Gil, que já era um bonde quando atravancava as linhas avançadas do algarvio Portimonense, um clube de ínfima expressão neste país, é contratado ao XV de Jaú, que desceu de divisão, como reforço para o nosso combalido ataque. O Cascata - tema do dia de hoje - que era o melhor do time - foi devolvido ao Votoraty (clube da A3…), do Renato nem se fala mais; o eficiente Fábio Duarte foi-se à vida e enquanto isso vem de Colatina o Abimael e do Porto Alegre (não é de Porto Alegre, nem do Grêmio, nem do Internacional) trazem o Dudu (?). Por que não pensam no Fausto, artilheiro do Elefante que já disse apreciar de atuar pela AFE? Ou não tentam trazer de volta o Dinei?
              Não vale a pena especular mais: vale mais andar pelo virtual dos sonhos: Deco, e talvez Arshavin na AFE. Que refrescante banho os afeanos não tomariam nessa aprazível cascata…

                               Deco na Ferroviária

                           O Deco, artista assaz de fino trato
                           Da bola, no Europeu figura invária
                           De vulto ingente e pose mandatária
                           Sempre em seu apogeu de ser, cordato,

                           A Barcelona foi de forma autária,
                           Deixando o estágio atrás, eis, “ipso-facto”,
                           Sabido agora é, firmar contrato
                           Com as cores grenás da Ferroviária.

                           Ainda tarda um pouco, está cansado,
                           A apresentar-se ao clube, de levar
                           Um time às costas, vai de férias, dado

                           Que é mesmo, de Cronaldos, de cansar
                           Da fama que do peso mais pesado
                           O fardo, o tempo todo carregar.

                                A “cascata”

                           Dizem que lá no fundo uma verdade
                           Traz o boato implícita consigo
                           E este conceito encerra muito antigo
                           Saber de gerações da humanidade:

                           Sinônimo talvez de uma inverdade,
                           Que isenta de induzir qualquer perigo
                           Insere-se a cascata, como digo
                           Do boato qual faceta sem idade.

                           Que simples queda d´água é mais decerto
                           Uma cascata aposta em tom brejeiro,
                           Capaz de produzir sorriso aberto

                           Nos lábios que, fugaz, de triste useiro
                           De maus humores, afinal por perto
                           Se veja do ardiloso cascateiro.

            Antonio Carneiro (Bélier)
            V.N.Gaia - Portugal
            24/06/2008
        
                 

Posted by Bélier at 10:11:37 | Permalink | No Comments »

Saturday, June 21, 2008

                         O Quinto Evangelho
                          (Didymos Thomas)

                   Sentença 9:

                      Disse Jesus: Saiu o semeador. Encheu a mão e lançou a semente. Alguns grãos caíram no caminho; vieram as aves e os cataram. Outros caíram sobre os rochedos; não deitaram raízes para dentro da terra nem mandaram brotos para o céu. Outros ainda caíram entre espinhos, que sufocaram a semente e o verme a comeu. Outra parte caiu em terra boa, e produziu fruto bom rumo ao céu; produziu 60 por um e 120 por um.

                     Eis um semeador que não define
                     Terreno a semear e contraria
                     Princípio elementar de agronomia
                     Que bem assim por não fazer previne,

                     Mas segue um outro mais sutil que afine
                     No alamiré do Cosmo e se amplia
                     Além da agrícola fisionomia
                     Por revelar o que esta não atine,

                     Mostrando a alma humana qual terreno
                     Que o homem deve instar de produtivo
                     Onde a semente frutos dê em pleno.

                     Do livre arbítrio algo de conclusivo
                     Esta sentença apõe de haurir sereno
                     Para quem dela inspire almo motivo.

                    Sucinto comentário:

                    Pode-se dizer que o solo metafísico da alma humana, onde a semente, que é a palavra divina, se deposita deve ser convertido pelo próprio homem em terreno produtivo, ao contrário do solo físico, já fértil, onde qualquer agricultor deve colocar a sua semente. Deus faz nascer o sol da sabedoria sobre bons e maus, ou melhor, sobre os mais e os menos evoluídos, os mais lúcidos e os mais ignorantes, cabendo a ambos, a seu tempo, fazer com que a semente desta desta etérea claridade produza os frutos de luz hábeis de iluminar-lhes o caminho. Em qualquer estágio da evolução, o livre arbítrio do homem é responsável pela produção medíocre ou farta diante da semeadura espiritual.

                   Antonio Carneiro (Bélier)
                   V.N.Gaia - Portugal
                   21/06/2008

Posted by Bélier at 22:57:43 | Permalink | No Comments »

Friday, June 13, 2008

                       O Quinto Evangelho
                        (Didymos Thomas)

                Sentença 8:

                Ele disse: O homem se parece com um pescador ajuizado, que lançou sua rede ao mar. Puxou para fora a rede cheia de peixes pequenos. Mas entre os pequenos, o pescador sensato encontrou um peixe bom e grande. Sem hesitação, escolheu o peixe grande e devolveu ao mar todos os pequenos. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!

                Na rede vem do pescador que a lança
                Da vida, muitos peixes pequeninos,
                Coisas do mundo, vãs, que a desatinos
                Levam quem tantas vezes as alcança.

                Se este pescador porém já avança
                Pelos caminhos onde os peregrinos
                Da luz seguem em busca dos supinos
                Valores que lhes dão real pujança,

                Então devolve ao mar a miudeza
                De sua pescaria, quando ocorre
                De vir à rede uma graúda presa:

                Fica com esta, às outras mais não corre:
                A escolha é sábia e dá-lhe ampla certeza
                De que a ninharias não concorre.

                Sucinto comentário: O pescador da parábola simboliza o homem sábio, que devolve ao mundo as coisas de que do mundo necessita em sua passagem efêmera por ele; todavia, guarda consigo o peixe grande da qualidade duradoura, valor real que não é do mundo, mas de sua (dele) natureza, que é divina. Como dizia Paulo de Tarso: “Examinai todas as coisas e ficai com o que é bom.”

                Antonio Carneiro (Bélier)
                V.N.Gaia - Portugal
                13/06/2008

Posted by Bélier at 09:36:47 | Permalink | No Comments »

Sunday, June 8, 2008

                          O Quinto Evangelho
                           (Didymos Thomas)

                Sentença 7:

               Bendito o leão comido pelo homem, porque o leão se torna homem! Maldito o homem comido pelo leão, porque esse homem se torna leão!

               Quem das coisas se deixa ser comido
               Do mundo e aposta nelas seu cuidado,
               Pode julgar-se assim realizado,
               Que deveras jamais o tenha sido;

               Quem come de tais coisas sem havido
               Ficar delas a mais compromissado
               Que manter-se no mundo, é destinado
               Por todas, em seu tempo, a ser servido:

               É que não pode o virtual servir
               Como alimento à realidade, embora
               Em fases desta o possa conseguir,

               Quando em disfarces não reais demora
               Para em maior pujança prosseguir
               Da Eternidade pela vida afora.

               Sucinto comentário:

               O leão da parábola simboliza o ego humano que se sobrepõe, no homem profano ao eu espiritual, este sim, o verdadeiro homem. Neste contexto, enquanto assim acontecer, a animalização prevalesce sobre a espiritualização e o ciclo dos renascimentos continua para a alma em evolução. Quando o homem passa a “comer o mundo”, como refere a filosofia oriental, então passa a assimilá-lo em prol de sua mais rápida ascensão espiritual, libertando-se assim deste ciclo para empreender mais altos vôos, rumo aos páramos de luz.

            Antonio Carneiro (Bélier)
            V.N.Gaia - Portugal
            08/06/2008
      

Posted by Bélier at 00:19:55 | Permalink | No Comments »

Sunday, June 1, 2008

                            Bocage e a espiritualidade

                              Áureo fio sutil que teve unida
                                    A corpo imaculado uma alma pura,
                                    De mimoso estalou, e a sepultura
                                    Ficou do teu despojo enriquecida:

                                    De mil graças lustrosa a doce vida
                                    Subiu ao cume da imortal ventura;
                                    Dois numes - Inocência e Formosura -
                                    Vão dando ao mundo eterna despedida:

                                    Lá onde a morte, e a terra te devoram,
                                    Na estância do silêncio, e da tristeza,
                                    Inda, Marília, corações te adoram:

                                    Longe da tua divinal beleza
                                    Aos olhos que te viram, que te choram,
                                    Um túmulo parece a natureza.
 

                                   Autor: ……………………………….
                                  

                   Terá sido um grande espiritualista, um poeta de seguros esclarecimentos sobre a conexão entre o corpo físico e o veículo etéreo-astral do espírito, com o qual aquele se comunica neste desterro das relatividades tri-dimensionais, quem escreveu este notável soneto. E foi mesmo, como é evidente para qualquer um que o lê.
                   Poucos porém , dentre a multidão que o conhece, admitirão que o seu autor é Manuel Maria Barbosa l`Hedois du Bocage, posto que, conhecendo-o, não o conhece. Sabe de suas anedotas, de sua vida atribulada pelos botequins, entende que o grande vate perdeu-se no pego escuro da luxúria, emporcalhou-se no báratro dos vícios, posicionou-se na vida como um descrente das leis divinas e tudo isto o conduziu à morte prematura, entendendo os mais “letrados”, os grandes arrogantes da crítica literária, de ontem e de hoje - porque sempre os há - que a sua obra muito ficou a dever aos lúdicos arcanos da literatura portuguesa.
                  Estes últimos são os piores, tais como os escribas e fariseus do tempo de Jesus Cristo: guias cegos a guiar outros cegos; ladrões das chaves do Reino de Deus, onde não entram nem deixam os outros entrar; sepulcros caiados, cheios de beleza e formosura por fora, mas plenos de podridão no interior.
                  O soneto acima, todavia, escrito por ocasião da morte de uma de suas musas, pelo que entendemos, dona de uma divinal formosura, a conhecida Marília (Ó tranças, de que Amor prisões me deste…), demonstra exatamente o contrário, a exemplo de muitos outros escritos ainda em vida pelo inexcedível versejador: um espírito extremamente lúcido e esclarecido sobre a espiritualidade, o que é espantoso, considerando-se a época em que viveu e principalmente o país em que nasceu, ainda hoje tão renitente ao estudo destas transcendentes matérias. Mostra que já então o poeta sabia da co-existência de corpos em níveis energéticos de frequência diferenciada com o veículo físico, que nada mais é do que um meio - ainda que portentoso - de locomoção e identificação com a matéria de físico jaez; que, como é axiomático, há destarte um elo de ligação entre estes corpos, mais precisamente entre o traje físico e o etéreo-astral, que a doutrina espírita denomina perispírito. Isto é extraordinário, pois nem sequer o Codificador desta aludida doutrina houvera exposto ao mundo a sua mensagem, através do Livro dos Espíritos, que surgiu em abril de 1857, mais de meio século após o desencarne de Bocage.
                  Urge resgatar o verdadeiro mérito da obra deste gênio, desconhecido em seu próprio país, poupando assim a sua memória de ultrajes veiculados sempre com o mesmo espírito depreciativo, tal como foi a série televisiva que a rede pública levou ao ar recentemente. Acorda, Portugal!

                                 
                                      O Cordão de prata

                               Argênteo turbilhão de mil matizes
                               Quando reflete da aura os padrões mil,
                               De um ente a revelar por dom sutil
                               Estados de alma: os bons e os infelizes,

                               Enquanto vive o corpo, tem raízes
                               Nele fincadas, que de tão gentil
                               Matéria, escape da pesquisa hostil
                               Dos que à vida se arrogam de juízes…

                               Rompe-se à morte física e se afasta
                               Do fardo a que ficou na terra atado
                               Que, sem este elo, logo se desgasta:

                               E o ser então converte o seu legado
                               Em alvos lumes ou em dor nefasta,
                               Qual já dizia Elmano no passado.

                   Antonio Carneiro (Bélier)
                   V.N.Gaia - Portugal
                   01/06/2008

Posted by Bélier at 11:02:10 | Permalink | No Comments »