A página da AFE na Europa
(www.poemafeano.blog.com)
A “cascata” do dia:
Deco na Ferroviária!
Aqui na Europa transcorre o Euro, como já bem se sabe. Para tristeza dos milhares de emigrantes portugueses, que andaram como desvairados atrás do time das quinas na Suiça, Portugal ficou pelo caminho, perdendo para os alemães conquanto estes jogassem com valores individuais mais fracos e muito menos “badalados”. O Cristiano Ronaldo (que chamamos Cronaldo para não confundir com o outro) vergou-se ao peso da fama que a mídia lhe impingiu, como “gênio da bola” e outros epítetos. Aqui, ainda mais do que no Brasil, é fácil alguém tornar-se “o melhor do mundo” da noite para o dia e depois, se o sujeito já por natureza gosta de “lustrar o ego”, pronto. O homem em tela mira-se nas telas das televisões do campo de jogo a cada jogada e a equipe paga o preço dessas momices. Todavia, os pobres emigrantes - que tanto sofrem a trabalhar duro fora de seus países e na realidade não têm ninguém por eles, e isto vale para os brasileiros também - foram compensados por ver jogar o notável Deco, contra quem os “panzers” germânicos nada puderam fazer. Que jogador formidável é este que em 2002 o sr. Scolari não quis convocar para a seleção brasileira, que o sr. Parreira (tão frondosa que não deixa passar qualquer luz) depois também não convocou e o nosso matusalém Zagalo referiu em 2003 não estar na sua lista “preliminar”. Ora, que faz essa gente afinal? Não são pagos para selecionar os melhores? Ainda não conhecem esse notável central Pepe, hoje no Real Madrid e que já brilhava por cá desde os tempos do Marítimo? E do incansável Liedson, que tanta falta faz a qualquer equipe, já ouviram falar? E o esteio do time espanhol, Marcos Senna, e tantos outros que têm de se naturalizar para aparecer nas seleções, porque na brasileira os lugares cativos são do Luisão, vulgo “espanador da lua”, do “imperador” Adriano (que mais parece um marajá glutão), do “fabuloso” Fabiano (que deve ter saído da fábula da rã que queria ser boi), do “flamengueiro” Juan ( o atual rei da domingada), do ultrapassado Lúcio, do “pedaleiro” Robinho (que deve ir como contra-peso no negócio do Cronaldo para o Real Madrid), já para não falar em Maicons, Julios Cesares, Mineiros e tantos outros intocáveis aldrabões, agora prestigiados pelo Dunga, anão da banda desenhada e das idéias, que nunca treinou time nenhum, senão esta seleção que anda em quinto lugar na fase classificatória do mundial 2010, arriscada a não se apurar. Pobre futebol brasileiro, que teve Pelé, Garrincha, Nilton Santos, Didi, Gerson, Rivelino, Zizinho, Parada, Romário, Ronaldo e tantos mais e vê-se agora representado por essa “mulambada”, como diz o nosso amigo Fábio Lourenço.
O Felipão, por sua vez, já encomendou uma pipa cinco vezes maior do que aquela que aqui possuía para armazenar as massas que vai ganhar no Chelsea. Não se pode negar que fez bom trabalho por cá, sobretudo no âmbito do psicológico jaez, mas hoje em dia nem só nome de campeão e trabalho bem intencionado bastam. O futebol, tão inflacionado exige muita dedicação e estudo para fornecer resultados.
Ponham os olhos, por exemplo, em treinadores como o holandês Guus Hiddink, que já fez os cangurus jogarem bola e agora montou um super time com os desajeitados russos, de que se exceptua por justiça o notável Arshavin, a estrela “molotov” da vez. E como calhava bem este meia na nossa AFE. Ele e o Deco…
Ora, falando nisso, voltemos ao contexto de nosso humilde universo, onde também nada nos apraz de saber. O sr. Edison Só - oxalá esteja eu enganado - agora assessor do juventino Brida, tenta formar um time com os habituais refugos dos outros. Até o Gil, que já era um bonde quando atravancava as linhas avançadas do algarvio Portimonense, um clube de ínfima expressão neste país, é contratado ao XV de Jaú, que desceu de divisão, como reforço para o nosso combalido ataque. O Cascata - tema do dia de hoje - que era o melhor do time - foi devolvido ao Votoraty (clube da A3…), do Renato nem se fala mais; o eficiente Fábio Duarte foi-se à vida e enquanto isso vem de Colatina o Abimael e do Porto Alegre (não é de Porto Alegre, nem do Grêmio, nem do Internacional) trazem o Dudu (?). Por que não pensam no Fausto, artilheiro do Elefante que já disse apreciar de atuar pela AFE? Ou não tentam trazer de volta o Dinei?
Não vale a pena especular mais: vale mais andar pelo virtual dos sonhos: Deco, e talvez Arshavin na AFE. Que refrescante banho os afeanos não tomariam nessa aprazível cascata…
Deco na Ferroviária
O Deco, artista assaz de fino trato
Da bola, no Europeu figura invária
De vulto ingente e pose mandatária
Sempre em seu apogeu de ser, cordato,
A Barcelona foi de forma autária,
Deixando o estágio atrás, eis, “ipso-facto”,
Sabido agora é, firmar contrato
Com as cores grenás da Ferroviária.
Ainda tarda um pouco, está cansado,
A apresentar-se ao clube, de levar
Um time às costas, vai de férias, dado
Que é mesmo, de Cronaldos, de cansar
Da fama que do peso mais pesado
O fardo, o tempo todo carregar.
A “cascata”
Dizem que lá no fundo uma verdade
Traz o boato implícita consigo
E este conceito encerra muito antigo
Saber de gerações da humanidade:
Sinônimo talvez de uma inverdade,
Que isenta de induzir qualquer perigo
Insere-se a cascata, como digo
Do boato qual faceta sem idade.
Que simples queda d´água é mais decerto
Uma cascata aposta em tom brejeiro,
Capaz de produzir sorriso aberto
Nos lábios que, fugaz, de triste useiro
De maus humores, afinal por perto
Se veja do ardiloso cascateiro.
Antonio Carneiro (Bélier)
V.N.Gaia - Portugal
24/06/2008