Wednesday, July 30, 2008

                   A página da AFE na Europa
                  
(www.poemafeano.blog.com)

                            Lauto almejo

              De volta ao querido torrão natal, neste Rio de Janeiro tão oprimido pelas consequências da violência, no seguimento dos políticos interesses do costume, tomo conhecimento das nossas duas primeiras vitória na Copa São Paulo, ante o Oeste e o Comercial, o que nos enche de esperanças para o porvir. Deve-se, todavia, dar a devida quota de importância aos auspiciosos resultados, vinculando-os talvez menos aos números em si, mas ao que estes jogos representam para a organização de nosso time para o futuro campeonato. Neste contexto, esperamos que não nos aconteça como no ano anterior, em que formamos um grupo nesta altura para desfazê-lo depois quando se iniciaram os jogos da A2.
            Na medida do possível, eis que não temos por cá acesso fluente às cibernéticas facilidades, estaremos a acompanhar e a tecer nossas impressões e poemas inerentes ao longo de nossas trabalhosas férias no Brasil, na expectativa também de arranjar tempo para abraçar os amigos de Araraquara e não só.

                        2×0 ao Oeste (Itápolis)
                        4×0 ao Comercial (R.P.)

                           São duas lá partidas disputadas
                       De sítio alheio em emprestado ensejo
                       Contadas por vitórias, lauto almejo
                       Do torcedor nas metas colimadas

                      E assim de novo ficam renovadas
                          As esperanças por melhor cotejo,
                      Hábeis de congruir em benfazejo
                      Destino para as próximas jornadas:

                          Que seja então visado entrosamento
                          Do time nesta copa ao campeonato
                          Visando, por que ali esteja isento

                          De ajustes e de enxertos, não cordato
                          Jaez das outras vezes cujo evento
                          Não nos instou melhor desiderato.

                Antonio Carneiro (Bélier)
                Rio de Janeiro, 30 de julho de 2008
                                  

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Sunday, July 13, 2008

                       A página da AFE na Europa      
                         (www.poemafeano.blog.com)

                  
                            A musa em férias

                 O título estabelece uma paródia ao grande Guerra Junqueiro, como não poderiamos deixar de citar, eis que coincide com o nome de um notável livro seu, onde está contido o poema “Fiel”, obra-prima da literatura portuguesa, mas vem a calhar neste ensejo em que consegui alguns dias para ir ao querido torrão natal.
                 Neste interim, consoante as possibilidades, continuaremos a acompanhar e escrever nesta página, sobretudo a respeito de nossa trajetória na copa da F.P.F., conquanto esta tenha tido os seus objetivos muito esvaziados com as “novidades” que a federação sempre introduz em detrimento dos interesses de seus filiados. Serve, todavia, e já não é sem tempo, para que os nossos comandantes olhem para o trabalho nas categorias de base do clube, ainda que deste compulsório modo. A meu ver, enquanto nelas não se investir pesada e seriamente, o time será sempre uma colcha de retalhos, como tem sido ultimamente.
                 Quanto ao mais, estaremos, se Deus quiser, a rever os nossos bons amigos de São Paulo e de Araraquara em data a estabelecer, no mês de agosto, o que é sempre motivo de grande regozijo, não obstante sequer possamos asistir a qualquer jogo na Fonte, que passa por obras de remodelação.
                 E que Deus nos valha em mais esta competição…

                                   A musa em férias

                               Ausento-me de ti, estro inculcado
                               No apoio cibernético que veio
                               Dar pública expressão a meu paleio
                               Em metro condizente assim fincado

                               Para rever da terra onde fui nado
                               Saudosas sendas por que tanto anseio
                               Seguir de novo a passo cujo enleio
                               Só o pensar traz-me mais enleado.

                               Se condiçóes tiver de alheio dote
                               Por mãos de amigos lá oferecidas
                               Ao canto voltarei do mesmo mote.

                               Augúreos deixo e volições sentidas
                               Para que o nosso time se devote
                               Nesta copa a missões bem sucedidas.

               Antonio Carneiro (Bélier)
               V.N.Gaia - Portugal
               13/07/2008

                     

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Thursday, July 10, 2008

                     O Quinto Evangelho
                      (Didymos Thomas)

             Sentença 12:

               Os discípulos perguntaram a Jesus: Sabemos que vais nos deixar. E quem será então o nosso chefe?
Respondeu-lhes Jesus: No ponto onde estais, ireis ter com Tiago, que está a par das coisas do céu e da terra.

               No ponto aonde está um ser profano
               Do mundo só observa as vistas cenas
               E do céu, que o cobre, as mais pequenas,
               Que o virtual lhe acode o ledo engano:

               Nesta altura da vida o desengano
               É mister ocultar por mais amenas
               Tornar do orbe as lúgubres arenas
               De lutas em que as torna o ser humano.

               Tiago, o mártir de Jerusalém
               Nomeado foi de “o justo”, e assim o fora,
               Provando-o as ações que ousou tão bem

               Em benefício do grupo e da mandora
               Ao toque que convinha, ao par porém
               De uma futura instância redentora.

               Sucinto comentário: Tiago, depois da ascenção do Mestre, foi o chefe espiritual da cristandade em Jerusalém, onde morreu como mártir. Na ocasião, era, segundo a indicação do Cristo, o mais indicado para exercer esta tarefa, ou seja, “no ponto onde estais”, pois estava “ao par das coisas do céu e da terra”, necessárias ao quotidiano da vida no plano físico. Catapultado ao plano espiritual na glória maior de seu sacrifício, instou-se então a um futuro grandioso, acelerando destarte o soberbo vôo de seu progresso espiritual. Observe-se o teor místico espelhado neste evangelho, livre das análises dos teólogos humanos de todos os períodos, ao contrário dos quatro evangelhos ditos “canônicos”.

               Antonio Carneiro (Bélier)
               V.N.Gaia - Portugal
               10/07/2008

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Sunday, July 6, 2008

                    O Quinto Evangelho
                     (Didymos Thomas)

               Sentença 11:
 

                  Disse Jesus: Este céu passará, e passará também aquele que está por cima deste. Os mortos não vivem, e os vivos morrerão. Quando comíeis o que era morto, vós o tornáveis vivo. Quando estiverdes na luz, o que fareis? Quando éreis um, vos tornastes dois, mas quando fordes dois, o que fareis?

                  Os céus que o homem sente vão passar,
                  Físico, etéreo, astral, sem que ele os sinta
                  Como a realidade una, extinta
                  Cada uma digressão que ele olvidar

                  Em cuja duração vivificar
                  Os mortos que comer por que consinta
                  Em seu veículo fugaz abscinta
                  Matéria hábil de o alimentar

                  E assim, de dois em um prossegue absorto
                  Na roda das vivência sucessivas,
                  Sem suspeitar que vivo, é sempre morto.

                  Se de um é dois, de novo, que evasivas
                  Trará, quando há de vir áureo conforto
                  De dois, sentir-se um só em vidas vivas?

                  Sucinto comentário: Esta sentença, de enorme profundidade, sucintamente expressa a formidável experiência do ser vivente em lenta evolução. Até que se conscientize de sua natureza divina, de vida em vida, a física ou a metafísica, aqui na Terra ou algures (a casa de meu Pai tem muitas moradas…),embora se considere vivo, está morto porque ainda não se integrou na verdadeira Vida. Como dizia o grande Huberto Rohden, ainda não é imortal em espírito, mas imortalizável. Para sustentar-se neste caminho em direção à luz, alimenta os seus veículos exteriores com que se movimenta nos diferentes meios de vida com outros “mortos”, ou seja, os alimentos asimiláveis. Quando na luz, se já se “lucificou”, logrará de alimentar-se dela, não mais necessitando dos alimentos ditos mortos. Em outras palavras: o homem lucigênito e lucificado é também lucífago. Quem tem ouvidos, ouça.

               Antonio Carneiro (Bélier)
               V.N.Gaia - Portugal
               06/07/2008

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Tuesday, July 1, 2008

                          O Quinto Evangelho
                           (Didymos Thomas)

                     Sentença 10:

                         Disse Jesus: Eu lancei fogo sobre a Terra - e eis que espero que arda.

                        Eu estarei convosco, eis disse o Cristo,
                        Consolação suprema: até ao fim
                        Dos tempos mais, a vigiar assim
                        Em cada um a brasa que, previsto
 
                        Tenho que arda, cedo ou tarde, insisto
                        No fogo que lancei, pois outrossim
                        Não fora o objetivo por que vim:
                        Vê-lo alcançar a todos, não desisto,

                        Que a luz maior é a brasa adormecida,
                        Essência de jaez divino instada
                        No ser, de quem me cabe vê-la ardida.

                        Até minha missão ser consumada,
                        Vigio, paciente, vida a vida
                        Nesta rota de chama confinada!

                   Sucinto comentário:

                   A brasa que existe dentro de cada ser humano é o fogo divino, o Eu maior, o Deus em nós que cabe ao homem descobrir. Cada um tem que, usando de seu livre arbítrio, transformar essa brasa dormente em ativa chama para alcançar a sua libertação espiritual. Enquanto tal não acontece, vela o Cristo em sua colossal missão de amor pelos séculos de vida física da humanidade. Não pode haver maior expressão de amor neste planeta do que esta!

                 Antonio Carneiro (Bélier)
                 V.N.Gaia - Portugal
                 01/07/2008

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