Reflexões no Brasil
Algumas vezes vemo-nos confrontados com certos períodos da vida em que as reflexões se nos afloram à mente consciente, mais livre dos grilhões das paixões do quotidiano e tais ocasiões proporcionam certamente certas “liberdades” nos assuntos a abordar e elas nos levam aos latíbulos mais diversos.
Primeiramente, nos trazem à memória as cenas do clássico “King Creole”, filme maior de Elvis Presley (Ah, tivesse ele seguido essa linha…):
As long as I have you
Somente as emoções que mais intensas
Reverberam no ser, somente elas,
Assaz presentes, redivivas, belas,
Da vida nas memórias sempre vivas
Podem dizer do espírito as avenças
De seus reais pendores, também delas
Inseparável parte, sentinelas
Deste viver nas sublimais presenças:
Destarte esta canção que o filme encerra,
Envolto em clima de emotivo enleio
O “King Creole” sublima eternamente,
Que o virtual que tanto alvor descerra
Ao que sobeja em treva impõe de cheio,
Que a breve espaço, a luz de Deus, somente.
A santa mansidão do alvor sereno
Se a paz inolvidável não sentira
Que de Jesus nos dá sentir presença
Por seguir-lhe não foi sua sentença
Os ensinos, pois sei que os não seguira.
O ego contra tal meta conspira
Que da vida regula a lida intensa
E cai o ser nas teias desta avença
Que do real o véu da luz retira.
Pelo infinito amor porém que excede
Qualquer conceito de jaez terreno,
Sei que prover socorro me concede
Por tantas vezes mais que quão pequeno
Mostre-me aos olhos seus donde procede
A santa mansidão do alvor sereno.
Vida renovada
Foram-se os tempos áureos desta idade
Em que os valores vilipendiados
Pelos que os não têm são arrojados
Nos báratros da intensa obscuridade.
Para quem os viveu, lembra a saudade
Cuja expressão os traz nos sons magoados
Da música e dos versos reprisados
Quando tal reviver a mente invade:
Consola então saber que em vida nova
Em que o pensar o meio configura,
Viver desses momentos se renova,
Onde de espaço e tempo não figura
Qualquer limitação que a árdua prova
Impõe no plano desta lida dura.
No dia 22 de agosto arribamos a Araraquara, às vésperas de seu 191º aniversário. Ao divisar ao longe a tão estimada cidade, arribou juntamente a musa para assinalar no papel o soneto abaixo transcrito: Saudação à Morada do sol:
Araraquara já se vê, feliz,
De aura sutil em fim de tarde esquiva
Em que esmaece o sol na expectativa
De a seu lar volver, como se diz:
É retorno de vê-la que condiz
Com vezes outras, passo em roda viva,
Ciente de que escasso tempo priva
De a sentir mais, qual sempre embalde quis.
Eu estarei de volta em poucas horas
Ao convívio da luta intensa e dura
Que ao deleite não dá amplas demoras,
Mas há de vir um dia em que a conjura
Destes males da vida de tais moras
Deixará de conter a conjectura.
Antonio Carneiro (Bélier)
V.N.Gaia - Portugal
12/09/2008