A página da AFE na Europa
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Barueri primodivisionário!
Lembro-me bem, em 2004 estive no Brasil a assistir a dois jogos da Ferroviária com o Barueri, o primeiro neste arrabalde de São Paulo, o segundo na Fonte. Por sinal, vencemos os dois, o primeiro por 2X0, com gols de Michel e Dinei; o segundo, por 2X1, com gols de Michel e Wellington, numa magistral cobrança de falta, no gol de fundo de nosso estádio. Os dois times disputavam vaga nas finais para acesso à série A3 do regional paulista, eis que estavam na série B1, que corresponde à quarta divisão de São Paulo.
Lembro-me ainda de como foi a “aventura” para arribar ao estádio(?) do nosso adversário, via trem suburbano apanhado na Júlio Prestes, caminho a pé por uma feira livre, pois o jogo começava às 10 da manhã e mais algumas boas “palitadas”. À porta do campo, que mais parecia uma capoeira mal cuidada, o ônibus da AFE, com suas inconfundíveis cores (um bálsamo naquelas paragens cercadas de favelas); para entrar, nem foi preciso pagar nada, sequer bilheterias vi, apenas um senhor simpático que foi dizendo: pode vir e logo respondendo à minha indagação a respeito de onde estava a rádio Cultura que faria a transmissão da partida.
Lá estava o José Riberto, de pé, num eirado que mais parecia um poleiro naquele contexto, microfone em punho, tentando, como sempre, animar tal pobre espetáculo. Espectadores não havia, senão meras testemunhas do evento.
Pois bem, este mesmo Barueri ontem confirmou a sua ascensão à primeira divisão (série A) do Campeonato brasileiro, ele que já estava na A1 do regional paulista há dois anos. Será milagre ou resultado de um trabalho sério e inteligente? O Barueri não tem mais do que alguns poucos anos (não sei precisar quantos) de existência, sua tradição é pois quase nula, ornada somente por estas últimas quatro ou cinco épocas. A exemplo da Ferroviária, mas antes dela, construiu um novo estádio, que não conheço, mas ouvi dizer que constitui-se num moderno complexo desportivo, o que, salvo erro, há de constituir-se num lótus formoso em meio àquele paul de miséria que caracteriza a região. Coisas de Brasil: no mesmo lugar, a Bélgica e a Índia a falar o mesmo idioma.
A nossa Ferroviária está a remodelar completamente a Fonte Luminosa. Estive lá este ano e gostei muito do projeto, principalmente porque não mexeu nas linhas tradicionais do velho campo, mantendo por exemplo aquele inconfundível arranjo das torres de iluminação. Aplausos para a diretoria, sem dúvida, pois entendeu que a nossa gloriosa agremiação, muito mais que o debutante paulistano, bem merece ter uma casa digna de suas famosas conquistas, conquanto saibamos que o patrimônio precioso não é mais nosso, mas do município.
Todavia, é bom que se entenda que para coroar tudo isso com um merecido êxito como
o que o Barueri logrou de obter, não basta erigir monumentais obras, senão também administrar com sagacidade o clube, que tem de formar um time à altura de seus palmarés. Caso contrário, será como atirar pérolas a porcos. As palavra de ordem neste contexto são pois: Sede inteligentes, pelo amor de Deus! Até porque já nos ensina a sabedoria popular: “vozes de burros não entram no céu.”
Barueri, primo-divisionário
O Barueri da várzea paulistana
Que há tempo pouco nem era nascido
Vê-se que de repente arremetido
Das hostes dos maiores à chicana.
Por gente nova em mente veterana
Eis um trabalho bem acometido
E o prêmio justo assim é concedido
A quem de seus jaezes não se engana:
Que assaz lição aos nossos dirigentes
Sutil para fazê-los refletir
Que os alvos por ações inteligentes
Colimam-se melhor e no porvir
Tenham-nas mais destarte congruentes
Para que os resultados possam vir.
Antonio Carneiro (Bélier)
V.N.Gaia - Portugal
30/11/2008