Sunday, November 30, 2008

                                                A página da AFE na Europa
                                               (www.poemafeano.blog.com)

                                                  Barueri primodivisionário!

                       Lembro-me bem, em 2004 estive no Brasil a assistir a dois jogos da Ferroviária com o Barueri, o primeiro neste arrabalde de São Paulo, o segundo na Fonte. Por sinal, vencemos os dois, o primeiro por 2X0, com gols de Michel e Dinei; o segundo, por 2X1, com gols de Michel e Wellington, numa magistral cobrança de falta, no gol de fundo de nosso estádio. Os dois times disputavam vaga nas finais para acesso à série A3 do regional paulista, eis que estavam na série B1, que corresponde à quarta divisão de São Paulo.
                     Lembro-me ainda de como foi a “aventura” para arribar ao estádio(?) do nosso adversário, via trem suburbano apanhado na Júlio Prestes, caminho a pé por uma feira livre, pois o jogo começava às 10 da manhã e mais algumas boas “palitadas”. À porta do campo, que mais parecia uma capoeira mal cuidada, o ônibus da AFE, com suas inconfundíveis cores (um bálsamo naquelas paragens cercadas de favelas); para entrar, nem foi preciso pagar nada, sequer bilheterias vi, apenas um senhor simpático que foi dizendo: pode vir e logo respondendo à minha indagação a respeito de onde estava a rádio Cultura que faria a transmissão da partida.
                    Lá estava o José Riberto, de pé, num eirado que mais parecia um poleiro naquele contexto, microfone em punho, tentando, como sempre, animar tal pobre espetáculo. Espectadores não havia, senão meras testemunhas do evento.
                    Pois bem, este mesmo Barueri ontem confirmou a sua ascensão à primeira divisão (série A) do Campeonato brasileiro, ele que já estava na A1 do regional paulista há dois anos. Será milagre ou resultado de um trabalho sério e inteligente? O Barueri não tem mais do que alguns poucos anos (não sei precisar quantos) de existência, sua tradição é pois quase nula, ornada somente por estas últimas quatro ou cinco épocas. A exemplo da Ferroviária, mas antes dela, construiu um novo estádio, que não conheço, mas ouvi dizer que constitui-se num moderno complexo desportivo, o que, salvo erro, há de constituir-se num lótus formoso em meio àquele paul de miséria que caracteriza a região. Coisas de Brasil: no mesmo lugar, a Bélgica e a Índia a falar o mesmo idioma.
                    A nossa Ferroviária está a remodelar completamente a Fonte Luminosa. Estive lá este ano e gostei muito do projeto, principalmente porque não mexeu nas linhas tradicionais do velho campo, mantendo por exemplo aquele inconfundível arranjo das torres de iluminação. Aplausos para a diretoria, sem dúvida, pois entendeu que a nossa gloriosa agremiação, muito mais que o debutante paulistano, bem merece ter uma casa digna de suas famosas conquistas, conquanto saibamos que o patrimônio precioso não é mais nosso, mas do município.
                   Todavia, é bom que se entenda que para coroar tudo isso com um merecido êxito como
 o que o Barueri logrou de obter, não basta erigir monumentais obras, senão também administrar com sagacidade o clube, que tem de formar um time à altura de seus palmarés. Caso contrário, será como atirar pérolas a porcos. As palavra de ordem neste contexto são pois: Sede inteligentes, pelo amor de Deus! Até porque já nos ensina a sabedoria popular: “vozes de burros não entram no céu.”

                                    Barueri, primo-divisionário

                                 O Barueri da várzea paulistana
                                 Que há tempo pouco nem era nascido
                                 Vê-se que de repente arremetido
                                 Das hostes dos maiores à chicana.

                                 Por gente nova em mente veterana
                                 Eis um trabalho bem acometido
                                 E o prêmio justo assim é concedido
                                 A quem de seus jaezes não se engana:

                                 Que assaz lição aos nossos dirigentes
                                 Sutil para fazê-los refletir
                                 Que os alvos por ações inteligentes

                                 Colimam-se melhor e no porvir
                                 Tenham-nas mais destarte congruentes
                                 Para que os resultados possam vir.

             Antonio Carneiro (Bélier)
             V.N.Gaia - Portugal
             30/11/2008

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Tuesday, November 25, 2008

                                                        Brasil 6X2 Portugal
                                                      (Papagaios de pirata 2)

                      Festa luso-brasileira em Brasília e o regabofe de sempre. Gente à borla no estádio, políticos, atores da televisão, “penetras” e o resto. Só faltou o Eusébio (estranho…).
                      Bandas não há mais para os hinos. Agora são cantores a se esguelar, às armas contra os bretões (como era antes, pois agora eles são os grandes heróis, também do mar porque foram os maiores piratas de sempre…deixá-lo). Do outro lado, o comprido hino brasileiro, que no exterior é estropiado e tocado pela quarta ou quinta parte, lá no solo tupiniquim, não: há que cantá-lo nas duas extensas e monótonas partes, eis que dentro de casa é preciso ser patriota. Ainda por cima, o cantor (?) é difícil de aguentar. Segue…
                     Como é sabido, do ponto de vista individual não há no planeta melhores jogadores de futebol do que brasileiros e argentinos. Isto qualquer um sabe, menos o sr. Queiroz, que entra com un time “a todo terreno”, para arrasar com os canários. Não é preciso “trincos”, os alas são para avançar e tudo é lucro. Dá sorte de início, graças as talento do Deco e Portugal sai na frente. E o homem se empolga, espalhando o seu entusiasmo para os pupilos: olé, vamos por os índios na roda, que a taba é nossa.
                      De repente, o Bosingwa vai ver se cruza mais uma e às suas costas aparece o endiabrado Robinho a correr com o desamparado Pepe. Já se viu, bola no meio, Fabiano e … saco.
Não tarda muito e vaza o outro lado da nau lusitana, batem cabeça o lateral esquerdo e o Bruno Alves, diante do habilidoso Kaká, bola no meio, rotação notável do Fabiano e …saco. E o papagaio ainda não viu; continua com a mesma empáfia e só não leva mais porque não calha.
                     Intervalo e espera-se algo de novo do lado encarnado, mas nada ocorre. E tome vexame no segundo tempo. Mais quatro, todos pelos estropiados e desamparados lados da defesa lusa, sendo mais um do Fabuloso - que não servia para o F.C.Porto, assim como o Diego não serviu. E Portugal só faz um, de novo graças ao talento do Deco. E o Cronaldo? Alguém o viu jogar? Viram, sim, as câmaras a agredir um colega de profissão e a fazer-se de bonzinho. Será este um novo Figo, um novo Eusébio, um novo ícone do futebol português? Não me parece. Posso me enganar, mas para mim é dos tais que quando a trompa soa grosso esconde-se. Já vi muitos assim. E o “mister” (que era “yes man”)? Terá algum dia coragem de deixá-lo a ver o jogo de mais longe do que viu este, pois dele foi um mero espectador? Certo que não, que isto é coisa de “sargentão”. E o sarrafeiro Bruno Alves, filho do “flamengueiro” Washington, de quem herdou os pesados pés, saberá “barrá-lo” por prêmio às pífias análogas às deste jogo em outros futuros, mesmo que o Pinto da Costa mande as suas bocas lá do norte? Que afinal este também é para vender bem vendido… e nisto ele está muito certo, vá lá… Mas cuidado com a crise…
                        Sempre defendi a tese de que treinador não ganha jogo. Mas pode perdê-lo, se é burro. Todavia, mais do que um “estratego”, como muita gente diz, um treinador tem de ser líder de grupo; deve ter sobre os seus comandados sempre uma voz de absoluta autoridade. Quando isto falha, não há tática que aguente. O “sargentão” sabe como obter tal estatuto, muitas vezes à custa de decisões polêmicas, até ilógicas, mas que sustenta até ao fim. O titubear faz elevar qualquer erro às potências de infinito resultado e aí reside o “bregogério”, como dizia o outro. Este papagaio de galochas penso que nem fez a tropa ainda…
                       Quanto ao Brasil, não se embandeire em arco, pois lá nas suas eliminatórias ninguém vai jogar como o bom Queiroz quis fazer o seu time jogar. Todos sabem que isso é suicídio, destarte, a “tática” é muito simples: guarda-redes e mais dez à frente dele, antes da linha de meio campo., embora os comentadores venham com idéias de 3-1-4-1-1 ou 4-4-1-1 ou outra piruada qualquer. E ademais o Dunga também não é nenhum sargento, nem cabo de esquadra: simplesmente arranjou um tacho com o Ricardo Teixeira e reza para Deus que os homens resolvam as coisas para ele. Por outro lado, jogador brasileiro tem a mania de dormir nos louros. Ganhar na véspera, ou como se diz, contar com o ovo no “fuscoso orifício” da galinha. Foi por isso que em 1950 o Uruguai meteu 2X1 e o Maracanã virou túmulo. Por melhores que sejam as qualidades, os grandes triunfos só aparecem quando há humildade e trabalho. E eis aí um termo pesado. De onde virá essa herança que tanto “enriquece” o povo de tão rico país, ou seja, o culto do ócio, tão agradável qual um cochilo à sombra de uma frondosa árvore frutífera; quanto o “xamego” de uma mulata sensual; ou de um churrasco com muito “pagode” e cerveja? Que beleza! Será que isto veio da China? Da Alemanha? Da Noruega? Do Japão? Da Suíça?
                        Ou será que foi do “pai portuga”, como diz com muita propriedade o nosso estimado primo Diamantino?

                                          
                                    Papagaios de pirata

                          Figuras há que se fazem notadas
                          Porque aparecem nas fotografias
                          Do ombro atrás de suas companhias
                          Famosas, de quem seguem acopladas:

                          Durão Barroso, há anos nas costadas
                          De Bush em Lajes deu-se a tais valias,
                          Expondo assim de vingativas vias
                          Seu indefeso povo, a más rajadas.

                          De mais recente, uma outra, triunfal,
                          Que a Ferguson supria concordata,
                          De “yes man” a “mister” cá em Portugal,

                          Vai ao Brasil sofrer tal malapata
                          Que já conclui: melhor era afinal
                          Manter-me papagaio de pirata!

             Antonio Carneiro (Bélier)
             V.N.Gaia - Portugal
             25/11/2008
 

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Sunday, November 23, 2008

                                             Brasil 6X2 Portugal
                                            (Papagaios de pirata)

                        No Brasil, a “plebe ignara” (como diria o grande Nelson Rodrigues) inventa umas engraçadas “piruadas”. Uma delas diz respeito ao papagaio de pirata, que aparece montado no ombro deste nas fotografias, comparando tal imagem com as dos “puxa-sacos”, que aparecem atrás dos mais famosos nas fotos, na “boléia” de sua popularidade. Os políticos andam sempre a desempenhar esse papel.
                       Em Portugal, dois destes melindres ficaram famosos. Primeiro foi o Durão Barroso, quando voou aos Açores para aparecer na foto do assassino Bush e ceder a base de Lajes aos propósitos belicosos deste biltre tutelado pelos interesses do anti-Cristo no mundo. À custa disso, e de outras gabolices, ganhou alto posto entre os políticos europeus, mas decerto não terá fama inculcada na posteridade, como se verá. Tal como o estadista que no passado livrou este país da guerra, em situação bem mais complexa, gravíssima, cedendo também a tal base, mas ponderando lucrativas vendas de volfrâmio ao outro litigante, pelo que logrou manter-se neutro no conflito. Que diferença! Este conseguiu safar seu povo do tiroteio belicoso intenso; o outro mete-o na briga que não é dele, indiferente à sua debilidade indefesa diante do terrorismo vingativo. Mais curioso ainda é constatar que o nome do primeiro soa como palavrão por cá: quase todos ainda temem o seu espectro fantasmagórico de dedo em riste para tanto descalabro. Pintam-no como o algoz da pátria, o pai de todos os males. O terrível ditador. Mas quem no mundo não conhece Salazar, depois de tantos
anos? Quem conhecerá Barroso daqui há alguns poucos anos? Tal a diferença entre um cidadão do mundo e um tinhorão falaz.
                      Mais de recente, apareceu outro notado papagaio, atrás dos ombros do “sir” Ferguson (como se admira os ingleses por cá… efeitos ainda do “mapa cor de rosa”?), o adjunto Queiroz, que correu para assumir o posto deixado vago pelo conhecido “sargentão” Felipe Scolari. Na verdade, um foi para lá, encher ainda mais a burra com os valores oriundos do leste; outro veio para cá, para mostrar que fazia mais que aquele. Nem sequer falou com ele, pois não era preciso. Tudo era, pois, sabido.
                     Após os primeiros inacreditáveis resultados, que põem em sério risco o apuramento de Portugal para o mundial de 2010, na África (e que belo passeio será perdido pelo regabofe da comitiva lusitana, pelos “safaris” africanos, com seus elefantes, girafas, leões e macacos, se ele não vier), lá arranjou a nau lusitana um amigável com o Brasil e todos já de abalada para o hotel Juscelino Kubischeck, onde uma diária custa dois mil euros - por cabeça. Tudo em nome da preparação dos meninos para os futuros compromissos, embora marcados apenas para 2009.
                    E no Brasil a mesma coisa. País rico (com povo pobre, mas isso é secundário), bem se pode dar ao luxo de trazer os seus “craques” da Europa para uma festa, onde o Pelé, como sempre, há de estar presente. Jogo depois da novela, às dez da noite, pois a Globo manda no pedaço. Afinal, alguém há de comandar o espetáculo. Desculpa certa para faltar ao trabalho no outro dia, isto bem o povo quer, logo…

                    (Continua no próximo capítulo).

                Antonio Carneiro (Bélier)
                V.N.Gaia - Portugal
                23/11/2008

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Tuesday, November 18, 2008

                                            FEBEAPÁ 2
                                     (O Conselho dos sábios)

                  Ora, o FEBEAPA continua. Agora apareceu um “iluminado” com um novo coelho a lhe sair da cartola. Cartola de político, pois claro, de onde já saem os coelhos amestrados: para avaliar os professores, é preciso constituir um “conselho de sábios”. Estes, sim, poderão dizer se um professor de Matemática domina e transmite bem a sua matéria, assim como outro de Português, ou de Filosofia, ou de Ciências da Natureza e das Físico-químicas, e… nossa, ainda há os engenheiros que lecionam nas áreas tecnológicas; os economistas que ensinam Contabilidade e afins, os das áreas profissionais, e tantos mais que já nem me lembro. Ufa! Quantos sábios são precisos?
                  E onde se vão achar tantos sábios de uma só vez? Estarão eles dispostos a colaborar com tal processo?
                  Huberto Rohden, extraordinário filósofo cósmico, ilustre brasileiro desconhecido em seu país e ainda mais por cá (afinal nunca jogou no Flamengo, nem muito menos no Benfica) numa de suas memoráveis frases citou: “falar é bom; calar é melhor; pensar compensa; intuir é suficiente”. Destarte, completava ele que o sábio, se intui, é porque antes pensou e se pensou calou-se: não anda por aí no paleio fútil, não disputa eleições, por isso nada lhe interessa o que o povo - tão prolixo - há de pensar (se é que o “pagode” ainda pensa).
                  Resta então, já que sábios não se denunciam, rotular de sábios uns tantos por aí para formar o tal conselho. Quem se apresenta? É como se dizia com muita propriedade no Brasil: os mesmos…

                                        O Conselho de sábios

                          Os sábios que se alinhem, desta terra,
                          Que são precisos nesta hora grave
                          Para desengatar um grande entrave
                          Que as hostes da “Educação” emperra:

                          Porque se envolvem numa grande guerra,
                          Ministra e professores e conclave
                          Não há que ao consenso aponha chave,
                          Que já perdura tanto e não se encerra!

                           Mas oh! Impasse à vista, não se sabe
                           Quais podem ser da estirpe os escolhidos:
                           Sábio não há que do saber se gabe.

                           Resta fazer políticos ouvidos
                           Ainda mais? Eis, tal mister não cabe,
                           Pois estes não são sábios, mas “sabidos”.

                Antonio Carneiro (Bélier)
                V.N.Gaia - Portugal
                18/11/2008
                          

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Sunday, November 9, 2008

                                                           O FEBEAPÁ

                      Nos idos dos anos sessenta, durante o período de “ditadura” militar, vivia no Brasil um admirável cronista, de nome Sérgio Porto, que assinava os seus artigos de jornais e revistas sob o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta. Falecido prematuramente aoa 45 anos de idade, este grande escritor constituiu-se no maior satírico brasileiro contemporâneo, ainda mais se considerarmos a época em que escrevia seus textos, sujeitos à censura, como era jaez do costume.
                      Um de seus meios mais imaginativos e tornado imortal de atingir sutilmente os seus objetivos foi o de criar uma espécie de noticiário intitulado FEBEAPÁ (O festival de besteiras que assola o país), onde malhava a valer no governo por inteligentes e disfarçadas linhas, pondo sob forma de informação alguns acontecimentos que sucediam na época. Ficou famosa por exemplo uma notícia sua em que anunciava a pretensa decisão da ditadura militar de mandar prender o filósofo grego Sófocles, por ser ele autor de uma peça teatral considerada subversiva.
                      Ora, se o Sérgio Porto vivesse hoje aqui em Portugal, não lhe faltaria munição para a metralha de sua satírica veia. Que diria ele sobre os escândalos das “off-shore” bancárias? E dos processos intermináveis das Casas Pias, dos Sacos Azuis, dos Apitos coloridos, dos “Magalhães” que o primo mandatário anda a divulgar ao desinteresse dos povos, até porque já conheciam tal “novidade”, dos Vale e Azevedo da vida e por aí adiante? Que material precioso para o notável crítico!
                      Todavia, há algo que excede todas estas fantuchadas, hábil de constituir-se na mais apetecível matéria de crítica para o nosso inesquecível escritor. Tal é o sistema de ensino público que o Ministério da Educação (o nome até já se ajusta, porque hoje em dia o professor tem primeiro que educar os alunos, pois em casa eles não o são) tenta implantar, convertendo os docentes em meros preenchedores de fichas, redatores de atas de um número incrível de reuniões (como se diz no Brasil, REPONES, ou seja, reuniões de porra nenhuma), avaliadores do trabalho alheio em intrincados documentos, vítimas indefesas dos desaforos dos alunos, sem ter nenhuma autoridade para os punir e ainda por cima ter de os aprovar, saibam eles muito, pouco ou nada, isto porque as estatísticas mostram Portugal na rabeira da Europa, em termos de abandono escolar (entre outros e muitos termos). E mal haja o docente que não aprove os seus alunos, pois será o culpado pelo insucesso escolar dos “meninos” e, destarte, reprovado junto com ele na famosa “avaliação” de seu desempenho como formador. A única coisa que não importa é saber ensinar: isto não dá valores para a estatística tão desfavorável aos interesses dos políticos lusitanos da vez. E além do mais, os “chumbos” custam caro aos cofres públicos, tão combalidos pelas despesas com mordomias e empregos dos correligionários. Enfim, há que garantir votos do “zé-povinho”, cada vez mais vaidoso de suas “qualificações”, e que tão grato há de ser por conta de tantas facilidades.
                      Que pena não termos cá o Stanislaw Ponte Preta a parodiar esta treta com a sua incomparável pena. Mas, à falta dele, parodiemos nós outro gênio da sátira, o inexcedivelmente mordaz Bocage, nesta humilde composição poética:

                                                            O FEBEAPÁ

                                              Da Educação ministra incoerente
                                              De tolos acercada em seu ofício
                                              Diz certo dia: irmãos, é benefício
                                              Vadios diplomar, de forma urgente

                                              E mais, é por na escola toda a gente
                                              Para se erradicar daqui o vício
                                              Que a fama má dos números indício
                                              Aponta, de que o povo é insciente.

                                              Para o fazer, importa por de lado
                                              Dos professores vil soberania
                                              Que muitos tem há tempos reprovado:

                                              Abaixo o ”chumbo”, e se em tal mania
                                              Algum teimar, que seja avaliado
                                              Como quem reprovou, na mesma via!

                          Antonio Carneiro (Bélier)
                          V.N.Gaia - Portugal
                          09/11/2008

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Sunday, November 2, 2008

                                          A PÁGINA DA AFE NA EUROPA
                                             (www.poemafeano.blog.com)

                                                Que mais esperávamos?

                   Em outra vergonhosa exibição, desta vez em Piracicaba, o medíocre time da Ferroviária levou outra lambada, por três secos, como se diz por aqui. Sem nenhuma surpresa, pois claro, eis que já nos acostumamos com este ritmo de trôpego ditirambo de mote capenga, qual mula manca sem cabeça.
                   Não vale a pena reviver passadas glórias, pois delas também estão cheios os museus, cada vez menos visitados nestas épocas de outras cibernéticas atrações. Os novos “experts” que aí estão a administrar e que tanto arvoram sapiência hão de saber como reverter esse nefasto quadro. A nós, os mais velhos e menos computadorizados, caberá apenas aplaudir quando os resultados de suas sábias decisões aparecerem. Mas - perguntar não ofende - quando será isso?
                   Para já, foi o que se viu: jogadores como o Gil, um enorme “cabeça de bagre”, que andou aqui em Portugal a jogar no Portimonense, clube que disputava a 3ª divisão, e até de lá foi despachado; o Tabarana, o “refugado” Marco Antonio, o Dudu Capixaba, enfim, só para citar aqueles de quem se ouviu falar, ainda que mal, algum dia, pois dos demais nem isso, não têm a menor condição de vestir a gloriosa camisa da Ferroviária, que Bazani, Dudu, Parada, Faustino, Tales, Lance, Téia, Nei e tantos outros honraram. Convenhamos, pelo menos esta tradição, que está acima de todos nós, merece respeito.

                                             0X3 ao XV (Piracicaba)
                                            (Que mais esperávamos?)

                                       Que esperar, senão outra lambada
                                       Por corolário desta má campanha,
                                       Urdida de tal forma, tão tacanha
                                       Que ilusão qualquer era almejada:

                                       O apuramento foi, mais resta nada
                                       Desta competição de parca sanha
                                       E só opróbrio vil nos acompanha
                                       Ao fim de tanta abjeta caminhada.

                                       Eis outra negra folha mal escrita
                                       Da história deste clube tão sofrido,
                                       Dantes tão gloriosa, tão bonita.

                                       Que haja agir pensado e expedito
                                       Por não se repetir tanta desdita
                                       Em futuro de bem menor conflito.

                   Antonio Carneiro (Bélier)
                   V.N.Gaia - Portugal
                   02/11/2004
                                         

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Saturday, November 1, 2008

 
                                       O QUINTO EVANGELHO
                                              (Didymos Thomas)

                      Sentença 13 A:

                  Então Jesus levou Tomé à parte e afastou-se com ele: Falou-lhe três palavras . E quando Tomé voltou a ter com os seus companheiros, estes lhe perguntaram: Que foi que Jesus te disse? Tomé então lhes respondeu: Se eu vos dissesse uma só das palavras que Ele disse, vós havíeis de apedrejar-me - e das pedras romperia fogo para vos incendiar.

                
                                    Deduz-se que cristóforo é tornado
                                    Tomé, que de descrente à fé vai ter
                                    E muito além do crer e do descrer
                                    Com o Cristo se vê unificado.

                                    Da altura que o eleva tal legado
                                    Já aos outros não pode esclarecer,
                                    Pois de um trigrama sacro o conceder
                                    Só os teria mais escandalizado,

                                    Que o paradoxo, da sabedoria
                                    É alicerce que o pensar excede;
                                    A blasfêmia sobeja a hipocrisia

                                    Quando esta daquela se despede,
                                    Pondo a nu o que antes se escondia
                                    Atrás da luz que de passar se impede.

             Suicinto comentário:
                                É extremamente difícil comentar aquilo que não pode o intelecto compreender, porque está acima de seu alvitre. Destarte, a sabedoria sobeja a inteligência e disto dá mostras quando esta tem de defrontar-se com a verdades paradoxais. Como por exemplo, não pode demonstrar na Matemática porque qualquer infinitésimo contém o infinito, ou seja, porque o infinito é infinitesimal, sem deixar de ser infinito. As três palavras, segundo alguns intérpretes seriam: “Eu sou tu” ou “Tu és eu”. O fogo seria originário da chama crística, que o Divino Mestre reportou haver trazido ao mundo, como se pode ver na sentença 10. Como dizer, senão por mera especulação, sobre o indizível? Não há palavras finitas que possam definir o infinito, tão imenso que pode caber em qualquer infinitésimo. Quem tem ouvidos…

            Antonio Carneiro (Bélier)
            V.N.Gaia - Portugal
            01/11/2008

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