Wednesday, December 31, 2008

                                          Imenso cagatório
                                             (para cães)

                         Convenhamos, não é nada agradável pisar em excrementos de cães espalhados pelos passeios públicos. Muito menos quando se está a passear por um lugar cujos pontos de referência não só turística como de qualquer âmbito devem ser apreciados com atenção. Ora, infelizmente quem hoje caminha pelas ruas de Lisboa já não pode mais limitar-se a apreciar as belas e poéticas imagens que a cidade apresenta, posto que arrisca-se a voltar a casa com os sapatos cheios de bosta, depositada não somente pelos cães vadios e até mais ainda pelos animais de estimação, como pudemos constatar. Não se pode admitir que pessoas ditas civilizadas andem pelas ruas a promover tal descalabro, ao ponto de obrigar os transeuntes a caminhar com os olhos pregados ao chão para não levar com indesejáveis presentes fecais, como se dia por cá, “de borla”.
                          Ah, Lisboa, menina e moça tão borrada pelo desgoverno que nada se interessa senão de seu interesse em perpetuar-se no poder, fenômeno que não tem contornos só alfacinhas, mas que graça por todo o país, desde os mais altos escalões governativos ao “pagode” em geral. Eis que o civismo, desde há muito ausente nas atitudes das populações, nada mais é do que o reflexo da irresponsabilidade de quem manda, disto não tenhamos dúvida. Isto se vê nas escolas (eu que o diga…), nas repartições, nos bancos, nas lojas comerciais, em todo o lado.
                          Lembro-me de uma vez, em l954, era eu garoto e conhecia uma senhora inglesa que morava no Rio de Janeiro, a qual, lá acostumada, viera passar uns dias em Lisboa. Disse-me então - e bem me lembro - que no Rossio adquiriu um doce numa loja e, depois de comê-lo, atirou com o seu invólucro de papel ao chão. Imediatamente, um policial abordou-a, advertindo-a sobre a sua má atitude, só não lhe aplicando a devida coima porque percebeu tratar-se de cidadã estrangeira. Ora, hoje o Rossio, bem pude ver, transformou-se num autêntico caixote de lixo, imensa “badalhoquice” urbana, como também se diz por cá. Intriga-me, outrossim, a acerba crítica que tanto se lança sobre os governos de então. Será que eram tão piores que os atuais? O “Santa Comba” terá sido tão ruim?

                                              Imenso cagatório
                                       
                                  Metamorfose esdrúxula e soez
                                  Cuja expressão do senso bom se afasta
                                  E a um destino vil o sítio arrasta
                                  Desta Lisboa mais de cada vez

                                  A um chiqueiro vasto, insensatez
                                  De autarcas e costumes de quem basta
                                  Ganhar as eleições ou parca pasta
                                  Para fornir dos vícios o jaez.

                                  Menina moça outrora, hoje andrajosa
                                  Das porcas pixações, do vexatório
                                  Lixo de esquinas mil, em verso e prosa,

                                  Pelas paredes toscas, peremptório
                                  E feio, a converter-se, triste glosa,
                                  Dos cães em largo e livre cagatório.

                               Antonio Carneiro (Bélier)
                               V.N.Gaia - Portugal
                               31/12/2008

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Tuesday, December 30, 2008

                                        À porta da travessa André Valente, 25

                     Sempre muito me aprouve passar uns dias em Lisboa, não só pelo prazer enorme de conversar com meus bons amigos, o Soeiro, o primo Diamantino e sua esposa, o pessoal dos Anjos, mas por muitas outras coisas. Lisboa, destarte, é uma cidade poética, que muito me toca, às vezes nem sei bem porque. Andar pelas suas vielas, desde a Graça ao Bairro Alto, de Alfama ao Cais do Sodré, do Martim Muniz ao Castelo para de lá olhar o velho e histórico Tejo, tudo isso e muito mais tem profundo significado para mim. Parece que tudo me é familiar, que já lá morei em pretéritas ocasiões.
                    Há todavia algo que sempre faço, talvez por estúpida teimosia: visitar a casa onde faleceu o grande Bocage, à travessa André Valente. Quem sabe, algum dia terei a surpresa de deparar com algo mais do que a placa ao cimo da entrada, alusiva ao acontecimento: um memorial, talvez uma exposição no terceiro andar, alguma coisinha enfim, eis que tal seria um mínimo diante do que havia de merecer  um vulto literário desta estirpe.
                    Desta vez, ia animado a tocar num dos quatro botões de chamada do edifício, como nunca tive iniciativa de fazer porque aquele pardieiro parecia-me sempre tão distante de qualquer alusão ao nosso vate: roupas nas cordas a embandeirar as janelas, mau aspecto, solidão etc. Mas eis que foi pior: logo bem à frente da portra quatro negras caganitas de cão, como cartão de visitas. A placa, pichada com grafite negro, as calçadas de ambos os lados repletas de lixo, o prédio sujo como jamais vira e às janelas o mesmo desfraldar dos pavilhões indumentários em processo de lavagem. Antes de apertar uma das aludidas botoeiras, uma moça abre a porta e pergunta: O senhor procura alguém? Disse-lhe: há uns duzentos e dez anos atrás, talvez. Hoje, quem se lembrará do antigo morador do terceiro piso? Ela percebeu, esclarecendo que todos os andares daquela “cabeça de porco” estão alugados e certamente o senhorio nem quer saber de tais reminiscências literárias, ou algo similar. Paciência, isto é Portugal, meu senhor.
                   Disse-o bem, a menina. Tivesse nascido nas Bretanhas e hoje o Manuel (grafado erradamente na placa como Manoel) Maria seria mais homenageado do que Shakespeare. Por cá, vale mais por as fichas no Fernando Pessoa, talvez por ser um tanto “esotérico”. Já para não falar em qualquer jogador do Benfica. Nem precisamos recorrer ao Cronaldo; basta citar o Nuno Gomes ou até mesmo o encostado Quim. Pobre Bocage. Todavia, muito mais que ele, pobre país…
                  Ali mesmo, sentado à calçada do lado oposto ao edifício, a revolta, a decepção, o inconformismo e a mágoa ditaram-me:

                              À porta da travessa André Valente, 25

                               Triste nação cuja memória ausente
                               Definha dos valores seus a jaça,
                               Destarte a promover da própria raça
                               A desdita do apodo de insciente,

                               És bem retrato de uma ignóbil gente
                               De que a soberba impõe-se à própria baça
                               Informação para acudir-se à graça
                               Do imerecido preito a voz descrente.

                               Políticos inócuos, vãos, servis,
                               Sois quais dos cães à porta os excrementos
                               Da casa onde morreu Bocage, hostis

                               Cultores da estultícia, a condimentos
                               Hábeis de converter este país
                               No vazio total dos pensamentos!

            Antonio Carneiro (Bélier)
            V.N.Gaia -Portugal
            30/12/2008

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Wednesday, December 24, 2008

                                             Ímpar legado
                                        (Em tempos de Natal)

                          De estâncias mais excelsas  vibratórias
                          Sobre o mundo nas sombras mergulhado,
                          Pelo sol da virtude encaminhado
                          Desce o feixe das bênçãos promissórias

                          Que vêm lembrar não serem ilusórias
                          As palavras de inexcedível grado,
                          Do inigualável Mestre, ímpar legado
                          De luzes, da verdade peremptórias:

                          Eis o Natal de volta e em seu halo
                          A esperança feliz da humana gente,
                          No Cristo rei, que há de sublimá-lo.

                          Não há na Terra tempo mais vertente
                          De paz e amor que em harmonia, ao dá-lo
                          O próprio Pai de seu viver consente.

               Antonio Carneiro (Bélier)
               V.N.Gaia - Portugal
               24/12/2008

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Saturday, December 20, 2008

                                    A página da AFE na Europa
                                    (www.poemafeano.blog.com)

                                     Ave, Arena Fonte Luminosa

               A passos largos, vai se tornando realidade o sonho grená de possuir um estádio à altura de suas glórias do passado, conquanto hoje delas esteja afastada, como sabemos.
               É mister todavia saudar este grande empreendimento, iniciativa de gente afeana de fato, o que nos faz pensar que não estamos sós, nós os sofridos torcedores, que nunca desistimos, embalde todos os percalços que infestaram os caminhos tortuosos percorridos pela AFE, desde o mal lembrado ano de 1996, quando o tobogã descendente começou a ser percorrido, conduzindo-nos às contundentes trevas da quarta divisão. É mister também dizer que, apesar dos pesares, dos erros cometidos - ainda que na melhor dad intenções - e que tanto criticamos, atualmente já desfrutamos de uma situação assaz melhor. Destarte, estamos na A2 e a ascenção ao grupo da elite pode ser obtida neste próximo ano. É verdade que o quadro ainda poderia ser mais famoso, mas paciência; muitas vezes é melhor subir alicerçando bem os degraus, para que depois a queda não se faça abrupta. Em assim, tenhamos fé no sentido de que este notável marco da grandeza de nossa Ferroviária represente também um ponto de referência, a partir do qual, em espelho dessa obra magnífica, também o nosso time possa vir a refletir de novo todas as glórias de seu inolvidável passado.
               Ao prefeito Edinho, um grande torcedor grená, aos dirigentes da S/A e a todos que direta ou indiretamente colaboraram neste grandioso projeto, a nossa admiração e todo o nosso respeito. E, em verso alexandrino, a nossa comovida homenagem:

                            Ave, Arena Fonte Luminosa

                       De colossal jaez, audaz, exuberante,
                       Que entre os soberbos mais se impõe competitivo
                       Ergue-se o novo estádio da AFE a porte altivo,
                       Preito de uma grandeza a grado altissonante:

                       Eis da Ferroviária em glória assaz diante,
                       Apetecida a tantos, mas de seu ativo,
                       Notável marco erguido em tom superlativo,
                       Fiel espelho há muito a tal condicionante;

                       Que há de em seu reflexo vivo do passado,
                       Qual condão luminoso de uma etérea via
                       Conduzir o pendão grená a largo eirado,

                        Pois se é gigante o palco mais do que existia
                        Onde se construiu monumental legado,
                        Maior inda o será neste que assim se amplia.

                  Antonio Carneiro (Bélier)
                  V.N.Gaia - Portugal
                  20/12/2008

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Saturday, December 13, 2008

                                               APOTEOSE!
                                             (Why me Lord?)

                 É indescritível o clima que cerca esta sublime canção, “as recorded live on stage in Memphis”, claro está pelo arauto da nova Jerusalém por vias musicais, hábeis de transpor as barreiras do plano físico para os portais das imortais formas, consoante o seu mavioso canto se desenvolve. Desde 1974, quando foi gravada em vez primeira até sempre e não somente agora, eis Elvis em um de seus melhores desempenhos, soberbamente coadjuvado pelo fantástico baixo J.D.Sumner. Embalde é qualquer epípeto que possa qualificar tal envolvimento etéreo, senão o sentir dos eflúvios divinais de seus acordes, sob as bênçãos luminosas que do astral inspiraram os virtuosos músicos e as insuperáveis vozes que foram capazes de o transportar ao nosso limitado plano da vicissitudes. Bem como me inspira neste momento em que a revivo o estro do inexcedível Maunel Maria Barbosa du Bocage, sem o qual não seria eu capaz de produzir este soneto:

                                               Apoteose
                                           (Why me Lord?)

                                 Que maior glória a um homem é devida
                                 Diante das do mundo tão fugazes
                                 Que mostram-se não ser assaz capazes
                                 De exceder os limites desta vida

                                 Senão a de lançar-se em compelida
                                 Ação, do Criador aos pés nas bases
                                 Da fé por libertar-se dos tenazes
                                 Elos que ao egoismo dão guarida

                                 E por pedir, em notas pranteadas
                                 De uma canção sublime a voz potente:
                                 Ajuda-me Jesus, minha alma crente

                                 Deponho, humilde, em tuas mãos sagradas?
                                 Soberba apoteose, a mais ingente
                                 Dentre todas as mais assoberbadas!

                  Antonio Carneiro (Bélier)
                  V.N.Gaia - Portugal
                  13/12/2008

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Monday, December 8, 2008

  

                                        A página da AFE na Europa
                                       (www.poemafeano.blog.com)

                                           Vasco despromovido

                       Assistimos ontem ao desfecho de mais um deplorável episódio vivido pelo pobre futebol brasileiro, tão deformado pelos interesses sionistas de uma imprensa na qual tais propósitos são camuflados pela rubro-negra massa de manobra que, como maioria, serve de sustentação a tal alvitre. Eis que o tradicional Clube de Regatas Vasco da Gama, uma glória do passado no Brasil, que tão alto elevou o nome do futebol do país, quando este não estava ainda desfigurado pelas más intenções dos que dele vivem às custas, resulta rebaixado à divisão segunda, em corolário de uma campanha empreendida pela mídia contra o seu único líder experiente e matreiro, hábil de salvá-lo do opróbrio, o dr. Eurico Miranda.
                    Não é de nosso escopo estar a esmiuçar detalhes de todo este lamentável acontecimento, até porque à distância não podemos opinar com maior propriedade, todavia, é fácil compreender o contexto da sórdida trama. Em síntese, o sr. Miranda afrontara os donos das telecomunicações no país, aqueles mesmos a quem referimos recentemente, a propósito do jogo Brasil X Portugal, iniciado às 22 horas, porque a novela tinha de ir ao ar em seu horário nobre. Afinal, a cabeça da massa tem de ser feita. O aludido lider do clube fizera isto no intuito de defender os interesses de seu clube, tão somente. Foi o bastante para deflagar-se o processo de sua queda, habilmente arquitetado pelos ditos sionistas que para tanto utilizaram-se, primeiramente da arma sutil da desmoralização pública e em seguida da figura de um antigo ídolo do clube, o jogador Roberto, cognominado Dinamite, guindado à posição de presidente do clube, cargo para o qual não estava monimamente preparado, por meio de um bem arquitetado golpe. Mais uma vez, prevalesceu o recurso tão preconizado nos “Protocolos”,  a indução à vaidade do homem, que o leva ao precipício, cedo ou tarde. O resultado da manobra está à vista: a derrocada de um clube tradicional, tristemente estampada no pranto de seus fiéis adeptos que entoavam o hino do clube ao final da partida, em ditirambo estilo. Um deles, em apoteose ao caos, subiu à marquise do estádio para de lá se precipitar ao chão, só não o fazendo em razão da corajosa atitude de seus pares, que abaixo o pretendiam escorar e, neste interim, da intervenção da força pública.
                     A história da nossa Ferroviária está muito ligada ao Vasco da Gama. Em 1950, quando de sua fundação, o jogo que inaugurou o glorioso estádio da Fonte Luminosa foi disputado com o Vasco, na época time base da seleção brasileira que, meses depois seria “quase” campeã mundial, ocasião em que foi derrotada mais pela mesma mídia do que pelo próprio Uruguai, tal foi o “oba-oba” que aquela criou antes do fatídico prélio. Atuaram, naquele dia famosos jogadores da época, quais Barbosa, Augusto, Danilo, Friaça, Ademir Menezes, Chico, Ipojucan, Jair da Rosa Pinto e outros tantos. A Ferroviária, então a nascer, foi goleada por cinco a zero, e não se poderia esperar menos em razão da disparidade de forças no gramado. Tratava-se praticamente do nosso primeiro jogo a sério; mas ficou para a posteridade a memória daquele ensejo festivo que uniu para sempre as duas agremiações.
                    Destarte,é também para nós, da Ferroviária, de triste ensejo assistir a este inesperado desfecho do Campeonato nacional. Ainda mais por sabermos muito bem como dói o fracasso em nosso afeanos corações, desde 1996, quando, após quarenta anos de sucesso e glória, ingressamos no negro pântano da desdita pelos torneios afora, do qual, graças a Deus e a um trabalho honesto e profícuo, começamos, ainda que mais lentamente do que almejávamos, a sair.
                    Por isso, estendemos ao Clube de Regatas Vasco da Gama o nosso apreço neste momento menos feliz, certamente o menos feliz de sua trajetória de 110 anos, nos quais sempre elevou bem alto o nome do futebol brasileiro. A seus torcedores em particular transmitimos uma mensagem de esperança, certos de que um clube de tão grande expressão há de superar rapidamente este sério percalço; porém, por outro lado também não deixamos de os alertar para as consequências de ações menos pensadas, que acabam por servir interesses nocivos ao clube, sob o disfarce ignóbil das aparentes “boas intenções”. Delas, está cheio o inferno.

                                            Vasco despromovido

                               Em desaastrosa ação de infausto arquejo
                               Por todo o transcorrer de um ano inglório
                               Vê-se o Vasco da Gama expiatório
                               De erros de falha estirpe a falso almejo.

                               Exulta a “flamengada” em tal cortejo
                               Que o seu rival conduz de acre velório
                               À cova hostil de preito merencório
                               De uma despromoção, opróbrio ensejo.

                               Nós, que da AFE já tantos destinos
                               Iguais fadamos de tristes legados
                               A voz juntamos à dos vascaínos

                               Por almejar que dias bem voltados
                               À história de seu clube, tão supinos,
                               Tornem em breve, inda mais sublimados.

             Antonio Carneiro (Bélier)
             V.N.Gaia - Portugal
             08/12/2008
                               

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Sunday, December 7, 2008

                                                  O Quinto Evangelho
                                                  (Didymos Thomas)

                            Sentença 15:

                Se virdes alguém que não seja filho de mulher, prostrai-vos de rosto em terra e adorai-o: ele é vosso pai.

                          Dos “elohim”, potências divinais,
                          A descendência hominal prevista
                          Não se evolveu no homem que, sofista,
                          Quedou-se a níveis muito baixos mais

                          E até hoje enfim, dos animais
                          Procriação se impõe e  não conquista
                         A vida cuja vida tem em vista,
                         Que muitas há que viva em seus anais.

                         Do ciclo dos renascimentos preso
                         Entende assim que, na fechada linha,
                         Há de manter-se de seu fim coeso:

                         Filho de um Pai maior porém continha
                         Desde criado o que o fará ileso
                         De todo o mal com que junto caminha.

               Sucinto comentário: Para começar a compreender as palavras do Cristo, a Quem os evangelhos se referiram por 82 vezes como “Filho do Homem”, é preciso remontar ao Gênesis, onde está prevista a geração hominal, ao invés da animal. Destarte, os primeiros seres humanos tinham ordem dos “Elohim” (potência divinas) de crescer e multiplicar-se; todavia, os homens multiplicaram-se primeiro animalescamente, ao invés de evoluir antes hominalmente, e até hoje tal “maldição” dos “Elohim” persiste, prendendo o homem ao ciclo dos renascimentos na carne.
               A procriação hominal, segundo nos parece, efetua-se, não através do corpo material como no animal e no homem, mas por meio do corpo astral. Deve-se, contudo, excluir de qualquer raciocínio lógico a hipótese que a doutrina teológica impõe de que Maria tenha sido fecundada pelo “espírito santo”, pois isto é mitologia, eis que uma mulher humana não pode ser fecundada por uma entidade puramente espiritual. Resta assim, em nossa pobre mente conjecturar sobre a “descida” a regiões de mais baixa frequência vibratória de uma potência superior, capaz de estabelecer uma conexão astral-física, hábil de moldar um corpo dito hominal.
                Outra conjectura é a que estabelece uma separação bem clara entre Jesus, filho do carpinteiro José e Maria e o Cristo, cujos veículos superiores interligaram-se-lhe ao corpo físico nos liames de seus mais elevados componentes astrais: poder, luz e vida anímicos, como instrui a filosofia rosacruz. Como dissemos, pobre intelecto humana, incapaz de conceber qualquer mínimo parâmetro espiritual…

                Antonio Carneiro (Bélier)
                V.N.Gaia - Portugal
                07/12/2008

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Monday, December 1, 2008

                                        O Quinto Evangelho
                                         (Didymos Thomas)

                     Sentença 14:

                    Disse-lhes Jesus: Se jejuardes,  cometereis pecado. Se orardes, sereis condenados. Se derdes esmolas, prejudicareis o espírito. Quando fordes a um lugar onde vos receberem, comei o que vos puserem na mesa e curai os doentes que lá houver. Pois o que entra pela boca não torna o homem impuro, mas sim o que sai da boca, isto vos tornará impuros.

                             O agir que externa o homem sói trazer
                             Do egoismo a marca transcendente
                             Que lhe traça uma roda permanente
                             Onde por tempos mais se vai manter,

                             Pois débitos lhe acaba em conceder,
                             Hábeis de o lançar perenemente
                             Em ciclos renascido, descontente,
                             Que descontente irá permanecer

                             Até que não lhe acuse o consumido
                             Capaz de o consumir, eis não lhe apraz
                             O deleitar-se no mundano envido,

                             Pois age então de amor de que é capaz
                             Ao Cristo em si a cuja voz ouvido
                             No interno de seu ser agora faz.

                 Sucinto comentário: As palavras iniciais de condenação a atitudes tidas por exemplo de procedimento ético referem-se a ações movidas pelo interesse egoista, que se caracteriza pela ego-expressão, ou seja, pela espera de algum tipo de recompensa. Estas ações são exotéricas. Somente quando o homem conhecer o seu Cristo interno, ou seja, passar a agir esotericamente, poderá livrar-se das consequências cármicas advindas das atitudes exteriores, de algum modo egoistas. Em seguida, adverte Jesus os discípulos sobre a não dependência da evolução espiritual daquilo que alimenta o corpo: este deve ser mantido pelo alimento de seu próprio jaez, físico, nada tendo a ver portanto com o espírito, que sobrevive ao corpo, perecível tal como o alimento de que se nutriu enquanto permaneceu no mundo.

            Antonio Carneiro (Bélier)
            V.N.Gaia - Portugal
            01/12/2008

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