Saturday, January 31, 2009

                                          A página da AFE na Europa
                                          (www.poemafeano.blog.com)

                                                A primeira lágrima

                              Há dois mil anos já nos avisava o Divino Mestre, em sua incansável luta contra as trevas que os saduceus , escribas e fariseus teimavam em lançar sobre as mentes desprovidas de sensatez daquele povo primitivo: Como podem guias cegos orientar outros cegos, sem que todos não acabem por cair na cova?
                              Ora, há quanto tempo (perdido) que as pessoas que gostam realmente da Ferroviária vêm tentando mostrar aos ilustres dirigentes do clube que incidem sempre no erro das más escolhas, principalmente daquelas pessoas que devem ter o necessário discernimento para construir um projeto hábil de conduzir o futebol da nossa sofrida agremiação a um melhor destino?
Será que é muito difícil observar os fatos, analisá-los e optar pelas soluções menos duvidosas? E se assim é, tão difícil, não será menos custoso dar ouvidos a quem sensatamente tenta ajudar?
                              O que se viu (ou ouviu, como eu) hoje em Taquaritinga, em pagos emprestados, pois os nossos ou tardam a aprontar-se, ou não servem, pois quem manda não quer e quem quer não manda nada, foi algo de grotesco. Já nem vale a pena falar do Feola de gaveta, que deve ser o menos culpado nesta triste história, com a sua proverbial languidez bufa, nem culpar estes ou aqueles  jogadores por suas lamentáveis atuações. Não. Veja-se, o nosso conhecido Renato Peixe, que não rendia nada quando jogava de grená (aliás, o peixe não joga, nada), foi o destaque  de amarelo-marron e isto não tem nada a ver com as cores em si. O que falta é gerência, projeto definido, competência de quem conduz a desgovernada nau, ou a tresloucada locomotiva em carris de desvio incerto.
                               E não é por falta de recursos, tendo-se em conta o que o clube já perdulariamente gastou nos últimos tempos. Quando se fizeram os planos para a Copa Paulista, antes quando se investiu no projeto de subida à A1 em 2008, mais as indenizações aos malogrados treinadores, mais as mordomias que aos atletas são dadas (e que os outros não dão - talvez por isso lá se mais esforcem), mais as dezenas muitas de mal planeadas contratações, mais tantas outras coisas que não deram certo. Se o estádio estivesse pronto, dir-se-ia que poderia haver uma cabeça de burro enterrada no campo, porém o mais certo é que esta ou estas cabeças estejam noutro sítio…

                                               1X2 ao São Bernardo
                                                (A primeira lágrima)

                                           Eis a primeira lágrima vertida
                                           Das muitas de um cordão que se divisa,
                                           Nem preciso é ter dom de pitonisa,
                                           Tal a ação grotesca que se envida:

                                           Quando de cegos guias conduzida
                                           É outra clã de cegos, não precisa
                                           Ser sábio quem, mesmo de longe, avisa
                                           Do lúgubre destino de tal lida.

                                           Em insensato agir, teimosamente,
                                           Fixou-se, e a desta infausta teimosia,
                                           Há muito tempo a casta dirigente,

                                           Não se afastar, a mais ou menos dia
                                           Irá colher os frutos da semente
                                           De acre jaez com que a seara avia.

                Antonio Carneiro (Bélier)
                V.N.Gaia - Portugal
                31/01/2009

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Sunday, January 25, 2009

                                     A página da AFE na Europa
                                    (www.poemafeano.blog.com)

                                             A “Cepa torta”

                    Aqui em Portugal usa-se muito uma expressão muito engraçada: quando um indivíduo, por exemplo, não consegue sair de uma situação limitada na vida, diz-se: aquele não sai da cepa torta. Ora, faz muito tempo que estamos nesta dita cepa torta, embora tenhamos endireitado um pouco esta torga de raízes longas, as quais já nos enterraram nos ínfimos níveis da quarta divisão. É menos mal, mas não chega. A Ferroviária, pelas suas tradições em quatro décadas construídas, não se pode conformar com a divisão A2. Simplesmente, não pode e tem, antes de tudo, pensar que não pode. Urge implantar este saudável inconformismo em todos, dirigentes, técnico, jogadores e adeptos, para que os de fora também sintam isso, inclusive e principalmente os “cartolas” da Federação - que nos obrigam a jogar os próximos jogos agendados para casa, fora de casa porque o estádio não está pronto, quando há outro na cidade que pode ser usado - e, em consequência, os árbitros, estes seres estranhamente dotados de feitiços que mudam os resultados de acordo com o peso e as cores das camisas.
                  Enquanto tal não acontece, ocorre o que se viu (ou ouviu, como eu ) em Monte Azul Paulista: um time, ainda que desentrosado é certo, mas deveras pouco ambicioso. Destarte, só não perdeu na primeira parte porque tínhamos o “guarda-redes”, como aqui se diz, em tarde inspirada (valha-nos São Eder) e, não nos esqueçamos que do outro lado estava  o nosso conhecido Édison Só, pouco ambicioso também. Ainda assim, faltou muito pouco.
                  Quando se desinibiu um pouco, já quase ao ocaso do jogo, viu-se que podia ter ganho, tanto como o Atlético, sejamos justos; com a diferença de que o adversário dominou pelo menos dois terços do jogo e neste período, se não fosse o Eder…
                   Para ser grande, é preciso primeiro pensar grande. Caso contrário, não vamos sair da cepa torta…

                                                0X0 ao Atlético Monte Azul
                                                       (A cepa torta)

                                             Sem novidades, eis o sofrimento,
                                             O mesmo que de há muito conhecemos:
                                             Pouca ambição e tal não compreendemos,
                                             Pois mais é de esperar o nosso intento;

                                             Por certo, não se foram deste evento
                                             Os pontos todos, fora que o tivemos
                                             De pagos nossos, tal como teremos
                                             Os próximos, de esdrúxulo advento,

                                             Mas é preciso instar do conteúdo
                                             Outra expressão do futebol jogado
                                             Que exceda um conformismo pouco agudo,

                                             Pois não se realiza o conformado:
                                             Audácia é requerida além de tudo
                                             Para lograr-se o alvo colimado.

                Antonio Carneiro (Bélier)
                V.N.Gaia - Portugal
                25/01/2009

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Saturday, January 24, 2009

                                                     A página da AFE na Europa
                                                     (www.poemafeano.blog.com)

                         Ainda sem a renovada Fonte Luminosa pronta, eis que as obras, como sói de ocorrer nunca acabam no prazo, amanhã se inicia novo ciclo da Ferroviária em sua luta tão sofrida para retornar aos primeiros escalões do futebol brasileiro, de onde se afastou no já longínquo ano de 1996. Quanto tempo, meu Deus, de escabrosa espera, sempre esperançosa no início de cada competição de menor jaez que o time foi disputando ao longo de todo este penoso período.
                         Para já, muito sinceramente, conquanto a fé nunca se deva abalar, pois sem ela nada se consegue, as expectativas não são animadoras. Sob o comando de um treinador a quem respeitosamente epitetamos de “ressuscitado” Feola, um time é montado às pressas, com uma penca de desconhecidos jogadores, faz uma pré época decepcionante e nada nos impulsiona a prever boa colheita de uma tal semeadura tão aleatória. Como não dizê-lo? Há quinze dias, vimos aqui na televisão o nosso time sub-18 atuar, no Botânico, contra o Palmeiras e, como diz o vulgo, pela mãe do guarda, que coisa horrorosa… Certo é que não se tratava da equipe principal, todavia, penso que pelo menos algo de positivo poderia ser mostrado por aqueles garotos, caso estivesse em andamento um plano competente para o estabelecimento de um definido estilo de jogo. Isto quando é feito, reflete-de em todos os escalões, salvo erro meu. Como falava a minha vizinha de infância, na sua linguagem mineira: “neca, dulce neca…”. Aliás, justiça se faça, o Palmeiras também, “mama mia…”.
                        Ora, neste contexto de ditirambo canto, há que encontrar alguma harmonia triunfal, e para tanto o maestro” feolino” que mude a partitura, ainda que seja para um valsear compulsório de trancado salão, até que os trompetes possam reverberar os fortes ecos do triunfo pelas paredes.
                        Até porque a estréia é em Monte Azul, diante do Atlético, um time montado(?) pelo nosso conhecido Edison Só (pífias?). Ou será que a mosca azul turquesa só mordia o homem em Araraquara?
                       Seja o que Deus quiser. E queira Ele o melhor para a gloriosa AFE! Afinal, falta voltar a brilhar na constelação das elites do futebol brasileiro uma estrela de cor grená.

                                    Em busca de um “alvará”
                                     (Boa sorte, Ferroviária!)

                             De estádio novo, ainda que não já:
                             As obras se atrasaram como sói
                             De ser no que com prazo se constrói
                             A não cumprir, seja isto além ou cá,

                             Partimos novamente do “alvará”
                             Em busca à divisão maior e dói
                             De se pensar na idéia que destrói
                             Deste aspirar um simples oxalá:

                             Destarte, é olvidar o parco ensejo
                             Da formação de um time mal envida
                             Que é fácil  ver por um simples cotejo

                             E de esperança haurir ares da vida,
                             Pois é melhor curtir um bom almejo
                             Que de prévio carpir triste guarida.

            Antonio Carneiro (Bélier)
            V.N.Gaia - Portugal
            24/01/2009

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Thursday, January 8, 2009

                                                  HAPPY BIRTHDAY, BROTHER

                      Decorreram-se setenta e quatro anos desde o evento de Tupelo até esta parte e, desde então, muito se ouviu falar e muito mais há de ser falado ainda, pelo mundo afora sobre algo que, a princípio, nada provera de importante àquele ano de 1935: o simples nascimento de uma criança numa pobre casa local. Não fora este rebento um Avatar mensageiro.
                     Pelo muito que já se falou e por muito mais que ainda se vai falar sobre isto, até à consumação dos tempos, pouco hei eu de referir. Lembro-me, todavia, para ilustrar esta pequena referência a tão refulgente acontecimento, de uma frase aposta na contra-capa de meu livro “Elvis Esotérico”, lançado em 1983:
                    “No dia em que silenciaste, o mundo entristeceu. Mas quando puder ouvir de fato a tua mensagem, há de se alegrar como nunca.”
                    Parabéns, Elvis Presley, e obrigado por tudo.

             
                                          HOW GREAT THOU ART
                                           (SUBLIME DEVANEIO)

                                  Queda-se majestosa e etérea essência
                                  Aos sons que exaltam obra imperecível
                                  Da Criação cuja beleza incrível
                                  Excede qualquer grado de excelência

                                  Das almas mais sutis de longa ausência
                                  Nos planos de matéria corruptível
                                  Para escutar um hino susceptível
                                  De honrar o Autor de tal magnificência:

                                  “How great thou art” impõe-se a ledo enleio
                                  Às dimensões imensas da astral via,
                                  Na voz de Elvis, sublime devaneio,

                                  Onde sobejam paz e harmonia,
                                  Do qual furtou-se o mundo e ora em cheio
                                  Os áureos Avatares delicia.

           Antonio Carneiro (Bélier)
          V.N.Gaia - Portugal
          08/01/2009
                                         

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Thursday, January 1, 2009

                                            O quinto Evangelho
                                            (Didymos Thomas)

                           Sentença 16:

                   Talvez os homens pensem que Eu vim para trazer paz à terra, e não sabem que vim para trazer discórdias à terra, fogo, espada e guerra. Haverá cinco numa casa, três contra dois, dois contra três; pai contra filho, filho contra pai, e serão solitários.

                                     Quando desperta o ser seu Cristo interno,
                                     O Eu divino que em si jaz, latente,
                                     Sua visão do mundo é diferente,
                                     Que é diferente um ciclo do eterno:

                                     Do espaço e tempo já não subalterno,
                                     Expande a vida, dá-se intensamente
                                     À natureza, ao todo, indiferente
                                     Aos limites que impõe o hodierno.

                                     Os mortos ao redor, quem dorme é morto,
                                     Tomam-no de inimigo ou mesmo louco,
                                     Oposto à lógica, de idéias torto

                                     E o ser desperto já, de ouvido mouco
                                     A sons do mundo, do profano absorto,
                                     Em solidão, se exime de tão pouco.

                     Sucinto comentário: É fato sabido que, durante várias e sucessivas vidas nos corpos físicos que o seu espírito habita o homem prende-se às virtualidades dos mundos onde vai vivendo. Neste plano terráqueo, tal é o chamado governo do ego, o reino das trevas, onde simbolicamente reina o príncipe deste mundo, ou anti-Cristo. Mas o homem não é do mundo, como pensa durante todo esse percurso evolutivo e, passo a passo, vai-se conscientizando disso, e entra em séria luta interna contra o seu próprio ego, daí as alegorias citadas pelo Mestre: fogo, espada e guerra. Quando se liberta deste vínculo carnal, passa então o homem a viver pelo espírito e começa a sofrer oposição dentro de sua própria casa, pois os seus filhos ou pais ou esposas ou parentes, ainda presos ao “sono” da vida mundana, não podem compreender as suas atitudes de desapego ao mundo. Destarte, torna-se solitário; mas, consoante nos cita Huberto Rohden, esta solidão é profundamente feliz.

                    Antonio Carneiro (Bélier)
                    V.N.Gaia - Portugal
                    01/01/2009

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