A página da AFE na Europa
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A primeira lágrima
Há dois mil anos já nos avisava o Divino Mestre, em sua incansável luta contra as trevas que os saduceus , escribas e fariseus teimavam em lançar sobre as mentes desprovidas de sensatez daquele povo primitivo: Como podem guias cegos orientar outros cegos, sem que todos não acabem por cair na cova?
Ora, há quanto tempo (perdido) que as pessoas que gostam realmente da Ferroviária vêm tentando mostrar aos ilustres dirigentes do clube que incidem sempre no erro das más escolhas, principalmente daquelas pessoas que devem ter o necessário discernimento para construir um projeto hábil de conduzir o futebol da nossa sofrida agremiação a um melhor destino?
Será que é muito difícil observar os fatos, analisá-los e optar pelas soluções menos duvidosas? E se assim é, tão difícil, não será menos custoso dar ouvidos a quem sensatamente tenta ajudar?
O que se viu (ou ouviu, como eu) hoje em Taquaritinga, em pagos emprestados, pois os nossos ou tardam a aprontar-se, ou não servem, pois quem manda não quer e quem quer não manda nada, foi algo de grotesco. Já nem vale a pena falar do Feola de gaveta, que deve ser o menos culpado nesta triste história, com a sua proverbial languidez bufa, nem culpar estes ou aqueles jogadores por suas lamentáveis atuações. Não. Veja-se, o nosso conhecido Renato Peixe, que não rendia nada quando jogava de grená (aliás, o peixe não joga, nada), foi o destaque de amarelo-marron e isto não tem nada a ver com as cores em si. O que falta é gerência, projeto definido, competência de quem conduz a desgovernada nau, ou a tresloucada locomotiva em carris de desvio incerto.
E não é por falta de recursos, tendo-se em conta o que o clube já perdulariamente gastou nos últimos tempos. Quando se fizeram os planos para a Copa Paulista, antes quando se investiu no projeto de subida à A1 em 2008, mais as indenizações aos malogrados treinadores, mais as mordomias que aos atletas são dadas (e que os outros não dão - talvez por isso lá se mais esforcem), mais as dezenas muitas de mal planeadas contratações, mais tantas outras coisas que não deram certo. Se o estádio estivesse pronto, dir-se-ia que poderia haver uma cabeça de burro enterrada no campo, porém o mais certo é que esta ou estas cabeças estejam noutro sítio…
1X2 ao São Bernardo
(A primeira lágrima)
Eis a primeira lágrima vertida
Das muitas de um cordão que se divisa,
Nem preciso é ter dom de pitonisa,
Tal a ação grotesca que se envida:
Quando de cegos guias conduzida
É outra clã de cegos, não precisa
Ser sábio quem, mesmo de longe, avisa
Do lúgubre destino de tal lida.
Em insensato agir, teimosamente,
Fixou-se, e a desta infausta teimosia,
Há muito tempo a casta dirigente,
Não se afastar, a mais ou menos dia
Irá colher os frutos da semente
De acre jaez com que a seara avia.
Antonio Carneiro (Bélier)
V.N.Gaia - Portugal
31/01/2009