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A quinta lágrima e as fases de um projeto
No início dos anos oitenta, quando ainda eu trabalhava na Petrobrás, nos projetos pioneiros da bacia de Campos - quem há de se lembrar hoje dos quantos que deram a vida nos acidentes frequentes com as plataformas, com os helicópteros, com os incêndios, com os “blow-outs” e outros bichos - apareceu uma anedota, muito interessante, sobre as fases de um projeto. Não sei quem a escreveu, todavia é de se ler e pensar. Dizia assim: As fases de um projeto são oito, a saber:
1. A fase do entusiasmo
2. A fase da verdade
3. A fase da confusão
4. A fase do pânico
5. A fuga dos responsáveis
6. A busca dos culpados
7. O castigo dos inocentes
8. A condecoração dos cartolas (ou políticos, o que parecer melhor)
Ora, seguindo estes parâmetros, apetece-nos analisar em qual destas fases está o decantado projeto de ascensão da Ferroviária à A1? Dá para pensar ou não?
Ontem, o generoso time afeano ofereceu outra dádiva a outro adversário, ao navegar em águas de um outro rio, desta vez o rio claro, ao naufragar também em suas águas, a exemplo do que já ocorrera no rio dito preto e só não foi total no rio dito branco, pois este é que mandou as suas águas correrem em Araraquara e assim não terão sido caudalosas para tal. Que vergonhoso caudal de pífias!
Não vale a pena falar do jogo em si. Houve, sim, um gol anulado, novamente ao Robinson - já se faz hábito - e pouco mais. Pena ficar até à madrugada à espera de algo que teima em não vir e depois dormir mal. Aliás, parece que já fazem de propósito: todos os jogos às oito ou oito e meia da noite, para um fuso de três horas que em abril conveerter-se-á em quatro, quando aqui for decretado o horário de verão. Façam as contas e verão…
Resta fugir ao rebaixamento e já vamos com muita sorte, se o conseguirmos. Mas, convenhamos, até isso está difícil…
0X1 ao Rio Claro
(A quinta lágrima ou as fases de um projeto)
Quando um projeto é feito ambicioso
No virtual contexto do desenho
Muitos se afincam com cabal empenho
Por que o julguem fulcral e assaz cioso;
Agendam-se reuniões a rol copioso
Para tegiversar a sério cenho,
Mas se ao barco se vê o furo ao lenho
Há que fugir do meio embaraçoso.
E eis na nau da AFE um rombo informe:
Quem é culpado, o Homero ou o Feola
Que já lá vão a uma distância enorme?
Resta esperar que ainda algum cartola
Possa lograr desta missão disforme
Algo de bom para lhe haurir a tola.
Antonio Carneiro (Bélier)
V.N.Gaia - Portugal
28/02/2009