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A 6ª Lágrima - Recado aos (ir)responsáveis
(Parodiando Camões)
Foi triste, muito triste acompanhar mais este capítulo do pesadelo em que está virada a trajetória da Ferroviária na presente temporada. Longe está de meu intuito fazer a apologia da descrença, ainda mais diante de tantos desenganos acumulados; todavia, constata-se - e isto é irrefutável - que cada vez menos razões há para crer que ainda saiamos desta esparrela em que os dirigentes, por incautos, ou ingênuos, ou auto-suficientes, ou o que fosse, nos meteram.
Ao final da partida, pudemos ouvir as palavras do nosso recém despedido centro-avante Fabinho, hoje jogador do adversário, grande artífice do gol que lhe ditou a vitória e o melhor de todos os atletas em campo, a dar “água pela barba” na grotesca defesa afeana. A dizer que foi dispensado sem maiores explicações, quando esperava continuar. Até porque este seu atual clube não é muito bom pagador, isso ele não disse, mas pelo que sabemos pode-se bem deduzir.
O Fabinho não é nenhum Pelé; sequer um Cronaldo, ou mesmo um Messi da vida atual, porém é certamente muito melhor do que qualquer dos avançados que os irresponsáveis construtores desta podre estrutura de equipe trouxeram, numa escolha, segundo diziam, “feita a dedo”. E bem podiam enfiar esse pútrido dedo onde já se adivinha…
Não foi por falta de aviso aos nossos dirigentes, dado bem a tempo; portanto, não lhes cabe agora senão assumir as responsabilidades pelo quase iminente fracasso. Nesta altura, resta-nos apenas “rezar para Deus”, como diz o árabe, à espera de alguns bons milagres nestes próximos seis jogos que faltam. E que seja uma reza bem forte…
0X1 ao Taquaritinga
[A 6ª Lágrima - Recado aos(ir)responsáveis]
(Parodiando Camões)
Erros mil, má fortuna, amor ausente
Em tua perdição se conjuraram;
Os erros e a fortuna sobejaram,
Que para ti bastava amor somente
De quem muito te ousou, indiferente
Às mágoas que se tanto magoaram
A todos nós e a tanto nos ousaram
Já não nos dão memória de contente,
Errando para gáudio de teus danos
Por que a fortuna assim te castigasse,
Baldando-te as remotas esperanças
Das quais visses senão breves enganos
Inda que só por ver e assim fartasse
Este teu justo gênio de vinganças.
Antonio Carneiro (Bélier)
V.N.Gaia - Portugal
22/03/2009