Sunday, April 26, 2009

                                        O Quinto Evangelho
                                         (Didymos Thomas)

                     Sentença 21:
                     Disse Maria a Jesus: Com quem se parecem teus discípulos? Responde Jesus: Parecem-se com garotos que vivem num campo que não lhes pertence. Quando aparecerem os donos do campo,  dirão estes: Deixai-nos o nosso campo. E eles desnudam-se diante dos referidos proprietários e lhes deixam o campo.

                            No campo alheio à alma deste mundo,
                            Que não é dele a sua natureza,
                            Vive ela uns anos, de elementos presa
                            De seu jaez do nascimento oriundo

                            Até à cova onde o moribundo
                            Despe tal manto e volta à sutileza
                            Do orbe de onde veio, finda empresa
                            Em que empenhou trabalho assaz jocundo.

                            Dolosa experiência instou passar
                            No trânsito penoso desta senda
                            Que tão custosa foi de ultrapassar,

                            Porém essencial a quem pretenda
                            Evoluir na essência, a colimar
                            O próprio Eu, sua real contenda.

                  Sucinto comentário:
                  A alma humana passa pelo mundo físico ao qual não pertence, até que se dispa de seu veículo de locomoção neste espaço, tal como os meninos de um campo alheio. Todavia, esta passagem é necessária ao evoluir do espírito, o Eu maior como dizemos, tal como uma escola é necessária ao estudante que queira evoluir. Há que retirar deste ensinamento uma fulcral diretiva, hábil de nortear o procedimento humano: o “emigrante do além” não se deve apegar aos bens mundanos, que não são seus, pois irá deixá-los quando se for; deve, sim, servir-se deles em prol de sua mais rápida ascensão espiritual.

                Obs.: Soneto escrito sobre o Oceano Atlântico, na altura da Bahia, na viagem do Porto para o Rio de Janeiro, em 18/07/2009

              Antonio Carneiro (Bélier)
              V.N.Gaia - Portugal
              26/04/2009

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Sunday, April 19, 2009

                                           A página da AFE na Europa
                                          (http://poemafeano.blog.com)

                                                 “The last farewell”

                           A menos que haja uma surpresa - e não seria a primeira - nas futuras orientações da Federação Paulista de Futebol, decorreu hoje o último compromisso oficial deste ano da Ferroviária, despromovida ao escalão terceiro do estado, eis que a princípio não está entre os colocados para a disputa da Copa paulista, que se segue a este mal lembrado campeonato. É lamentável que assim seja, e, mais uma vez o que podemos dizer congrui com o mesmo que já tanto dissemos antes: que aprendam a lição e não repitam os erros desta temporada; que tenham mais humildade, estes nossos dirigentes, admitindo de saída que vamos disputar uma terceira divisão no próximo ano, torneio que na melhor das hipóteses, se bem fadado, repõe ao seu final a mesma condição que tivemos este ano, nada mais. Chega de sonhos mirabolantes, de megalomanias, que só servem aos políticos para ganhar eleições e a pouco mais.
                        A Ferroviária já foi grande, muito grande, é mais conhecida na Europa por exemplo que qualquer outro clube do interior de São Paulo, exceptuando-se a Ponte Preta e o Guarani (curiosamente também despromovido este ano). Hoje, todavia, a sua realidade é outra: vai disputar a terceirona. Destarte, terá que fazê-lo com humildade e determinação, a fim de que um dia, que todos nós aspiramos ser bem próximo, muito breve, possa recuperar todo o seu prestígio, tão fustigado na poeira destes últimos treze anos.
                       Quanto ao jogo, o último compromisso, instou-se como melancólico; terminou como começou, no zero geral. E o América, para completar o quadro das tristezas, também não logrou os seus objetivos, não se apurando para as finais. Frize-se que a Ferroviária jogou com quase todo o time oriundo de suas categorias de base, pois os “experientes”, quase todos já tinham ido embora. Ora, pensamos nós, talvez esses “meninos” tivessem feito melhor papel se tivessem jogado sempre. Uma última e lúgubre observação: terminamos como lanterna da competição…

                                          0X0 ao América (Rio Preto)
                                             (“The last farewell”)

                                    Em melancólica manhã, descrentes
                                    De toda expectativa, qualquer fosse,
                                    Que ela, muito antes, esfumou-se,
                                    Mercê de outros fracassos inerentes,

                                   Entramos a cumprir, correspondentes
                                   A compromisso apenas, pois findou-se
                                   A derradeira etapa do que instou-se
                                   Numa das pífias nossas mais ingentes:

                                   Outra página negra foi escrita
                                   De um livro que contou já tantos feitos
                                   Urdidos em linguagem tão bonita.

                                   Resta-nos esperar novos proveitos
                                   Que apaguem o vigor desta desdita
                                   Por resgatar-nos os antigos preitos.

             Antonio Carneiro (Bélier)
             V.N.Gaia . Portugal
             19/04/2009

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Tuesday, April 14, 2009

                               O Quinto Evangelho
                               (Didymos Thomas)

                   Sentença 20:
                   Disseram os discípulos a Jesus: Dize-nos a que se assemelha o reino dos céus. Respondeu-lhes Ele: É semelhante a um grão de mostarda, que é menor que todas as sementes; mas quando cai em terra, que o homem trabalha, produz um broto e se transforma num abrigo para as aves do céu.

                               Qual o menor dos grãos que são lançados
                               À terra onde labora o ser vivente
                               Para depois se arvorar ingente
                               No abrigo dos espécimes alados,

                               Tal é do Pai o Reino onde tornados
                               Grandes são os menores (humildes) cuja mente
                               Já despertou, do mundo indiferente
                               Do tamanho dos dotes disputados;

                               Que a qualidade excede, que pequena,
                               Qualquer quantitativa medição,
                               Pois do infinito abrange idéia plena,

                               Seja propício o campo à plantação
                               Da alma humana onde germine amena
                               Esta semente em fértil condição.

                   Sucinto comentário:
                   O símbolo semente de mostarda tem por simbolizado a palavra de Deus; o terreno onde cai, a alma humana. A germinação vai depender, pois, da qualidade da terra. O homem, assim sendo, deverá, com seu livre arbítrio, preparar adequadamente a sua alma, para bem receber a semente que Deus lhe depõe. Repare-se na antítese da sentença, relativamente à pequenez da semente e da grandeza da árvore que produz, simbolizando a minúscula vida humana, do ponto de vista quantitativo, o físico, diante de sua grandeza espiritual, quando assim conscientizada. A visão da vida espiritual é essencial a esta conscientização, coincidindo o seu início com a abertura da chamada terceira visão, o olho da Cristo-vidência.

                  Obs.: Soneto escrito sobre o Oceano Atlântico, em viagem do Porto para o Rio de Janeiro, em 18/07/2009.

                   Antonio Carneiro (Bélier)
                   V.N.Gaia - Portugal
                   14/04/2009

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Monday, April 13, 2009

                                           Balada triste

                         Triste balada, íntima companheira
                         Cuja expressão tamanha excede o pranto
                         Que o instrumento próprio chora enquanto
                         Percorre seus compassos à maneira

                         De uma canção em tom menor useira
                         Das mais profundas emoções que a tanto
                         Fluir tristezas, mais tristeza ao canto
                         Imprime, que já não lhe dá fronteira;

                         Hoje só tu, por meio deste amigo
                         Dos mais difíceis tempos já passados
                         Podes dizer por mim, que é tão antigo,

                         De tais momentos meus tão mal fadados:
                         E toco então e assim deles não digo
                         Por não saber dizê-los, tão gorados.

                 Este é um dia, tão melancólico que excede os limites da própria madrugada. Estenda ele os seus tentáculos de tempo até fartar-se de nos magoar a todos que pranteamos a despromoção da  Ferroviária. Até que, saciado, adormeça em sua sesta pelos evos afora. E que jamais volte a despertar para a triste realidade de seus acontecimentos entre nós.

                 Antonio  Carneiro (Bélier)
                 V.N.Gaia - Portugal
                 12/04/2009

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Sunday, April 12, 2009

                                       A página da AFE na Europa
                                     (http://poemafeano.blog.com)

                                          (Novo) Presente de grego

                      Melancólica, triste, apática e vergonhosamente termina mais uma página obscura da história da nossa tão estimada Ferroviária, justamente numa data em que todos deveríamos comemorar o seu aniversário, que é o quinquagésimo nono. Ao contrário, recebemos um novo presente de grego, de modo idêntico ao que ocorreu no passado ano, neste mesmo dia, quando, classificados para as finais que davam acesso à primeira divisão, perdemos também de goleada para o Botafogo R.P.. Quatro a um naquela altura, cinco a três agora, autênticos presentes de grego em data tão importante.
                      Por corolário desta novela triste, estamos rebaixados novamente à terceira divisão, sem perspectivas nenhumas para o resto do ano, pois sequer teremos direito de ir à Copa paulista. Novas atividades, a nível profissional, somente em 2010, a menos que inventem por aí alguma competição, algo que a princípio parece muito difícil. É o opróbrio em todos os seus macilentos contornos, na sequência das maiores imprudências jamais cometidas contra o clube, que nem vale a pena estar a rememorar, pois isto de nada adianta.
                      Adianta, sim, planejar desde logo o futuro, com juízo, a partir de um trabalho sério e competente, aprendendo a aprender com os erros, como até então não tem muita gente que comanda aprendido, não só porque muitas vezes não tem gabarito suficiente, mas e principalmente porque não tem humildade para ouvir os conselhos dos mais experientes. Que mudem, ou que se mudem, dando lugar a outros de maior alvitre, pois assim exigem as tradições deste nosso grande clube, das quais, infelizmente, não se têm portado à altura. E este trabalho deve começar já, pois será de jaez muito mais árduo, eis que a queda foi enorme.
                      Paradoxalmente, o grande símbolo do ambicioso projeto gorado, o suntuoso estádio Arena, talvez o mais moderno do país, aí está, talvez para inauguração em junho ou julho. Que continue como tal, servindo de marco guia para a retoma desta caminhada que já se antevê longa e empecilhada por obstáculos rudes e sombrios, mas que precisa ser percorrida, com novo ânimo e plena porém calculada ambição.
                      Quanto a nós, os adeptos, resta-nos continuar apoiando, acreditando sempre que ainda virá o dia em que a Ferroviária tornará a ocupar o seu devido lugar entre os grandes do futebol brasileiro.
                      Apesar de tudo, parabéns Ferroviária! E que hoje, num dos nodos mais baixos da curva de tua história, se inicie outra trajetória ascendente, hábil se catapultar-te aos píncaros da fama, de onde há tantos anos te afastaste.

                                            3X5 à Portuguesa Santista
                                           [(Novo) presente de grego]

                                  Em vergonhosa ação, que em pleno dia
                                  Do seu aniversário, como houvera
                                  No próximo passado da “pantera”
                                  Sofrido a semelhante serventia,

                                  Conclui-se o ato último que envia
                                  Aos nodos da tristeza, a mais austera,
                                  A nossa escarmentada tão galera,
                                  Do opróbrio mergulhada na agonia.

                                  Quanta infelicidade em data airosa
                                  Havemos inda de curtir destarte,
                                  De treze anos atrás a esta parte?

                                  Que outra lição aprendam, que é valiosa
                                  Os que a soberba impõe aura garbosa,
                                  Hábil de lhes tolher o engenho e a arte.

                    Antonio Carneiro (Bélier)
                    V.N.Gaia - Portugal
                    12/04/2009
  

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Thursday, April 9, 2009

                                          A página da AFE na Europa
                                         (http://poemafeano.blog.com)

                                       Utopia matemática ou terceirona

                 Mais outra augustiosa madrugada esta de hoje, aqui em Portugal, à espera do milagre que tarda a vir e, a cada rodada, a concretizar-se, será mesmo prodigioso, imenso, digno de um Avatar criador das esferas do sétimo céu. Às duas da “matina” ouviu-se bem o apito final do árbitro e pronto, lá estava decretada outra derrota, a nona, sétima por um a zero, placar suficiente para derrocar ainda mais as já tão combalidas esperanças dos afeanos.
                A bem da verdade e pelo que se ouviu, o time até não jogou mal; está melhor arrumado por este treinador, todavia carece de valores de modo fulcral. Não temos um bom avançado finalizador e até ficamos saudosos do Fabinho, que deixaram ir embora e que ao menos era bem melhor do que qualquer dos que lá ficaram ou foram trazidos sob os auspícios do fofo e falsificado Feola, de tão triste memória. Neste contexto, dependemos dos lances fortuitos, dos “chuveirinhos” na área do adversário, nos moldes do “bumba meu boi” das bolas paradas, como sucedeu diante do Linense. Conquanto o técnico tente colmatar as carências de qualidade dos atletas povoando o setor do “meio campo”, elas se evidenciam nos passes errados e na falta de criatividade e mesmo de inteligência da maioria. Por outro lado, a defesa é um “convite à valsa”, sobressaindo-se as pífias de todos e, não fora o “guarda-redes”, o dito “são” Eder, a vaca já tinha ido para o brejo há muito tempo.

                Que coisa!… Ainda hoje, estive na biblioteca municipal do Porto a ver alguns jornais de maio e junho de 1960 onde os portugueses exaltavam aquele time que aqui veio, de navio, para deslumbrar a todos com o seu primoroso futebol. Rosã, Dirceu, Miranda, Dudu, Baiano, Bazani (para eles, o Pelé da Ferroviária), Beni, Faustino e tantos outros. Perdeu apenas um jogo, para o Sporting Clube de Portugal, curiosamente também por um a zero, com um gol “espírita”, como o próprio jornalista o descreveu. O F.C. do Porto, que não perdia no seu antigo estádio das Antas, hoje substituído pelo colosso do Dragão, havia 48 jogos, foi derrotado por dois a zero, em apoteótica partida. Dos vinte jogos realizados, 17 vitórias, 2 empates e aquela única derrota antes mencionada. Os empates ocorreram na revanche diante do Sporting e ante o poderoso Atlético de Madrid, ambos a um gol. Não será exagero dizer que, se fosse hoje, estaríamos ao nível de qualquer grande clube europeu.
                 Para piorar o ambiente de ditirambo estilo, a Catanduvense ganhou e a Portuguesa Santista também, conquanto esta, a meu ver, já esteja arrumada nos tenebrosos braços da “terceirona”. E eis os ainda esperançosos adeptos afeanos (haja fé…) com as suas máquinas de calcular, tentando equacionar o complicado problema. Nesta altura, podemos classificar esta alternativa como uma verdadeira utopia matemática. Salvo melhor juízo, penso que é como resolver uma diferencial de quinta ordem com um rústico ábaco grego.
                 Enfim, para Deus nada é impossível, nem para quem tiver a fé “do tamanho de uma semente de mostarda”.

                                                 0X1 ao São José
                                     (Utopia matemática ou “terceirona”)

                                    Nênias rixosas que antes já se ouviam
                                    Ouvem-se agora em vozes agourentas
                                    Cada vez mais intensas, não isentas
                                    De roucos timbres com que se aviam.

                                    Ações pejadas de erros não se expiam
                                    Com sérias caras, de tristeza atentas,
                                    Porém com sofrimento a doses lentas
                                    Até ao fim dos vícios que traziam.

                                    Da terceirona os braços macilentos,
                                    Abrem-se agora inexoravelmente,
                                    Ante desculpas tolas e lamentos,

                                    Inda que contas mil, tabela à frente,
                                    O adepto ajuste em seus apontamentos,
                                    Enquanto der, matematicamente.
                                   

                    Antonio Carneiro (Bélier)
                    V.N.Gaia - Portugal
                    09/04/2009

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Sunday, April 5, 2009

                                                 A página da AFE na Europa
                                                (www.poemafeano.blog.com)I

                                                      Corrente planetária
                                                     (Nas ondas da rádio)

                         
                         A campanha “Não vamos deixar cair a Ferroviária”, de iniciativa da rádio Cultura de Araraquara (a rádio da cidade) foi fulcral para o triunfo de ontem, que faz renascer a esperança de ainda vermos a Ferroviária sair da enrascada onde se meteu. De parabéns a equipe do incansável José Roberto Fernandes, já como eu entrado em anos (o tempo não perdoa), porém com o mesmo dinamismo, a mesma vibração, o mesmo empenho, o mesmo entusiasmo com que vem acompanhando a AFE em todos as circunstâncias. Vi-o, com estas mesmas qualidades em Barueri, no ano de 2004, a transmitir, de um rústico e deplorável eirado, sem as mínimas condições, um jogo da séris B1. Emite ele a voz com que todos os distantes torcedores - e os próximos também - são postos ao par dos lances de todos os jogos. Auxiliam-no, com grande eficácia, o velho Wagner Belini, de tantos passados “carnavais”, com o seu toque de humor e as expressões típicas, tais como o “legal” de hoje e o “chu chu beleza, garoto” de antanho, o irrequieto e intrujão (no bom sentido) Tadeu Alves e os mais novos, que não conheço pessoalmente, Marcos Chiochini e Valcir Amaral (cujo nome soa-me com nostálgica lembrança da rádio Globo, do meu querido torrão natal, o Rio de Janeiro). E digo mais, se a Ferroviária ainda conseguir escapar à despromoção, muito fica a dever aos nossos brilhantes comunicadores. Ontem, isto ficou bem claro.
                          Como sói ocorrer, o jogo em si cercou-se de circunstâncias penosas: Antes mesmo de começar, já sabíamos que os concorrentes diretos tinham vencido os jogos todos: o Catanduvense, desfalcado de vários titulares, foi ganhar a Rio Claro; o Juventus (este vai ser duro derrubar, não pelo futebol, mas por outros fatores…) ganhou em casa e o Comercial também. Para acrescer o drama, o “elefante”, pela via de sua tromba mais acutilante, o artilheiro Fausto - mesmo diminuído fisicamente - pôs-se à frente no tempo inicial. O time, como sempre, a jogar mal, porém algo se mostrava diferente: O público, muito à custa da campanha radiofônica, em grande número, não parava de incentivar, como bem se podia ouvir. Até os bombos, que antes a polícia (não se entende porque) não deixava levar, lá estavam a puxar pelos brios dos executantes afeanos.
                         O novo técnico, que pelo menos parece mais inconformado que os anteriores, mudou o quadro tático da equipe, ainda no primeiro tempo e ao intervalo, bem a nosso ver. Os jogadores Fabiano Sousa, Almir e Serginho Baiano (o Elisergio “português) devem ser titulares, pois demonstram bom potencial técnico, tão ausente nos outros. E assim, em duas bolas paradas, habilmente levantadas pelo Fabiano Sousa, lá surgem dois gols de cabeça a levantar o estádio e as esperanças da nação grená.
                         É muito difícil ainda a situação; todavia, algo sutil parece que nos sensibiliza: eis que o destino tece as suas teias. Ontem, o São José foi ganhar a Araras; talvez venha “frouxo” na quarta feira, a jogar em sítio onde por sinal costumamos a ter sorte. Se lá ganharmos, depois em Santos pegamos a Portuguesa, a meu ver já despromovida e, por consequência, desanimada. Depois, é avançar com uma multidão de apoiantes para o jogo final com o América em casa. Conjecturas, sim, porém com algum sentido. Praza aos céus que se concretizem. Avante, AFE. Não é só em Araraquara que o povo está feliz contigo. Em muitos outros lugares, no Brasil e no mundo, palpitam corações afeanos, tais são as grandezas das tuas tradições!

                                                 2X1 ao Linense
                                             (Corrente planetária)

                                    Por um fio de luz que inda clareia
                                    O fundo poço onde fomos metidos,
                                    Urdimos planos de escapar, unidos
                                    De solidária ação que nos norteia:

                                    É uma esperança tênue, mas que enleia
                                    Os corações grenás, de amor movidos
                                    Pela gloriosa associação, sentidos
                                    Do mesmo alento que a todos faceia.

                                    Pelas ondas da rádio da cidade,
                                    No espaço imenso do planeta afora
                                    Uma corrente tal se persuade

                                    Que quão difícil seja o jus embora
                                    Desta missão, é tanta esta vontade
                                    Qual tamanha ou maior se não deplora!

                Antonio Carneiro (Bélier)
                V.N.Gaia - Portugal
                05/04/2009
 

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Thursday, April 2, 2009

                                          O Quinto Evangelho
                                           (Didymos Thomas)

                         Sentença 19:
                         Disse Jesus: Feliz daquele que era antes de existir. Se vós fordes meus discípulos e realizardes as minhas palavras, estas pedras vos servirão. Há no vosso Paraíso cinco árvores, que não se movem no verão e no inverno e cujas folhas não caem: Quem as conhecer, esse não conhecerá a morte.

                             Quem antes de existir já era, existe
                             No mundo em que vivera e vive agora
                             Feliz por toda a sua vida afora,
                             Que a morte para si jamais subsiste:

                             No Paraíso está, que lhe consiste
                             Em sublimar a vida em que demora,
                             De espaço e tempo dos conflitos fora,
                             Hábeis de a mascarar de etapa triste,

                             Pois lá, destarte, dos cinco sentidos
                             Já não terá subordinado anelo,
                             Mas sim domínio pleno porque havidos

                             Por conquistar do amor sem paralelo
                             Onde viveu e vive os dons devidos
                             No imortal contexto, e mais singelo.

               Sucinto comentário: O homem que se conscientiza de que já era antes de existir, e passa a viver de acordo com este princípio, estabelece um pleno equilíbrio com a Natureza, do que resulta um natural domínio sobre as coisas materiais: não as possui, nem almeja possuí-las, simplesmente porque não é por elas possuído, eis que se entende como espírito imortal. Conhece bem as cinco árvores de seu Paraíso, que são os cinco sentidos, amainados no verão e no inverno por seu domínio pleno sobre eles. É óbvia a conclusão: não provará a morte, pois já vivencia a vida eterna.

               E.T.: Soneto escrito sobre o oceano Atlântico, no dia 18/07/2008, em viagem de Portugal para o Brasil.

              Antonio Carneiro (Bélier)
              V.N.Gaia - Portugal
              02/04/2009
           

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