Friday, June 19, 2009

                                  O Quinto Evangelho
                                  (Didymos Thomas)

                       Sentença 65:
                       Disse Ele: Um homem tinha uma vinha. Arrendou-a a uns colonos para a cultivarem, a fim de receber deles o fruto. Enviou seu servo para receber o fruto da vinha. Os colonos prenderam o servo e o espancaram a ponto de quase o matar.
O servo foi dar parte a seu senhor. Ele disse: Talvez eles não o tenham conhecido, e enviou-lhes outro servo. Mas os colonos espancaram também este. Então o senhor mandou seu filho, dizendo: Talvez tenham respeito a meu filho. Mas, como os colonos soubessem que esse era o herdeiro da vinha, prenderam-no e o mataram. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

                       Eis de Israel procedimento havido
                       Pelos tempos atrás de sua história
                       Descrito do passado na memória
                       E neste breve conto referido:

                       De seus profetas é bem conhecido
                       O triste opróbrio pela vã vanglória
                       Dos sacerdotes cegos cuja glória
                       Foi ter outros à cova conduzido

                       E para culminar incúria tanta
                       Mesmo o Filho de luz, imaculado
                       Que lhes vem transmitir mensagem santa

                       É deles do sinédrio condenado
                       Ao flagelo que inda hoje o mundo espanta
                       Por ser de alheias mãos crucificado.

                       Sucinto comentário:
                       O maior crime perpetrado contra um inocente é por demais conhecido, escusado se faz necessário escrever mais sobre tal infâmia. Nesta sentença, a alusão ao procedimento do povo judeu ao longo de sua história é simbolizado, com ajustados termos. Israel, que esperava (e ainda espera…) pelo Messias, que há de pô-lo como o país de vanguarda, pois seu povo se auto-anuncia como o eleito de Deus, repudiou na pessoa de seus sacerdotes o Cristo, que nunca se interessou por essa injunção política. E continua a carregar o seu carma, como é justo ocorrer com todos os mortais.

                     Antonio Carneiro (Bélier)
                     V.N.Gaia - Portugal
                     19/06/2009

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