O Quinto Evangelho
(Didymos Thomas)
Sentença 84:
Disse Jesus: Quando virdes a vossa semelhança, alegrai-vos. Mas, quando virdes o vosso modelo, que desde o princípio estava em vós e nunca morrerá, nem jamais se revela plenamente - será que suportareis isto?
Quem vê a sua alma refletida
Na semelhança em Deus, que assim a veja
E o seu contentamento já não seja,
De tão grande, maior que a própria vida,
Não pense que será meta atingida
Tal arroubo de ardor, tudo que almeja
Se a Eternidade é muito mais que enseja
Nas dimensões onde se acha contida:
Quão bem maior será quando intuir
A própria essência, seu real modelo,
Razão das formas todas do existir:
Suportará então tal facho ao vê-lo
De luz que nunca vai se extinguir
E mais que isso, o impacto de sê-lo?
Sucinto comentário:
Mesmo a alma humana, quando percebida como criada à imagem e semelhança do Criador, é um reflexo secundário de seu protótipo, que é parte do próprio Deus, causa primeva de todos os efeitos, inclusive o da alma humana por Ele criada. Pergunta Jesus então se, num estágio ainda longínquo da evolução desta onda de seres ainda tão primitivos como somos - e há que admiti-lo - quando a intuição desenvolver-se ao ponto de percebermos o que somos realmente, poderemos suportar tal revelação.
Antonio Carneiro (Bélier)
V.N.Gaia - Portugal
05/07/2009