O Quinto Evangelho
(Didymos Thomas)
Sentença 95:
Quando tendes dinheiro, não o empresteis contra juros, mas dai-o a quem não vo-lo possa restituir.
Além da matemática que ensina
Dos frios números a inteligência,
Estão as leis do Cosmo cuja essência
Excede seu jaez e a mais destina:
Delas a aplicação com que ilumina
Limites e a própria incongruência
De alguns conceitos de que a dependência
A sofismas, de erros não declina,
Pois se o Criador é inesgotável
Dador de bens aos seres seus criados,
A usura é ato hostil e condenável:
Os que ganham são mais necessitados
Aos outros para os quais inevitável
É ter de volta os juros perdoados!
Sucinto comentário:
Quão estranhas e inaceitáveis terão soado estas palavras aos ouvidos dos judeus da época de Jesus, e ainda hoje hão de soar aos mesmos talvez reencarnados, usurários de serviço a comandar o capitalismo selvagem que escraviza os povos! Pobres exploradores, estes para quem um ganhar representa uma perda para os outros. Egos que roubam egos para se egoificar ainda mais, abutres ávidos por devorar os despojos alheios, com os quais hão de morrer de fastio. É imenso o vosso carma na “crucis-via”!
Antonio Carneiro (Bélier)
V.N.Gaia - Portugal
11/07/2009