Bocage e a espiritualidade (13)
Bocage escreveu:
(À morte de sua irmã, D. Maria Eugênia Barbosa du Bocage, falecida na flor da idade)
De radiosas virtudes escoltada
Deste imaturo adeus ao mundo triste,
Coa mente no almo polo, aonde existe
Bem, que sempre se goza e nunca enfada:
À fouce, a segar vidas destinada,
Mansíssima cordeira o colo uniste;
O que é do Céu ao Céu restituiste,
Restituiste ao nada o que é do nada:
E inda gemo, inda choro, alma querida,
Teu fado amigo, tua dita imensa,
Que em vez de pranto a júbilo convida!
Ah! Pio acordo minha alma vença;
É cativeiro para o justo a vida,
A morte para o justo é recompensa.
Réplica:
Convite ao júbilo
No almo polo existe, qual citado,
O bem que sempre goza, merecido,
O justo, e eis porque faz bom sentido
Em triste mundo um ser lucificado
Que à fouce a segar vidas é fadado
Como outros de tal bem não sucedido
Lograr, mas entre os quais não é perdido,
Pois já tem este prêmio conquistado,
Por cujo haver ao júbilo convida
Os que o sucederão nesta passagem
De um viver penoso à fausta vida
Onde terá acesso à demarragem
A sítios de estadia mais comprida
Isentos da corpórea vassalagem.
Antonio Carneiro (Bélier)
V.N.Gaia - Portugal
02/11/2009