Bocage e a espiritualidade (14)
Bocage escreveu:
[A um certo apontador (bufo) do Arsenal de Marinha]
Com pena de latão atrás da orelha,
No sovaco chapéu, na mão tinteiro,
Passeia ufano em torno do estaleiro
Um novo apontador de orugem velha:
Ora altivo arqueando a sobrancelha,
Marca a falta do pobre carpinteiro;
Ora submisso às ordens do porteiro,
Dá revista à mestrança, que aparelha:
Acaba o exercício baixo, e sujo,
E sai do arsenal o Dom Quixote
Com mais pingos de breu do que um marujo:
Eis que é tempo de vir o paquebote;
Aparecem Dona Aires co sabujo,
Vinculados em certo camarote.
Réplica:
A sociedade dos “puxa-sacos”
Eles sobejam, de ampla maioria
Infestam da humana sociedade
Os postos de trabalho, na verdade
Aqueles que nenhuma dão valia:
São os medíocres, cuja serventia,
Dos chefes, sempre em vil conformidade
Enoja, e estes também, pois eis que há de
Sempre esistir quem sempre os prestigia:
Covardes, são dos fracos os verdugos,
Dos competentes, os usurpadores,
Dos maus gerentes, mal maior, rasteiro,
Hábil de impor insuportáveis jugos,
De promover beócios servidores
E a servidão humana a tempo inteiro.
Antonio Carneiro (Bélier)
V.N.Gaia - Portugal
07/11/2009